sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Luz acesa

O último “bom dia”, a última sensação de chegada, o último apagar das luzes. Parece de repente, mas já se passou tanto tempo... O fim sempre vem com o pé na porta e nos faz pensar que toda uma vida foi uma semana. Foi bem mais, foi bem melhor. Quantas semanas couberam nesses dias todos de pressão, de divisão, de abdicação? Quantas horas couberam nesses dias de aprendizado, de vitórias, até mesmo nos fracassos?

Em quantas linhas caberia a experiência? Nós passamos por tantas nessa vida, algumas boas, outras não tanto. Nenhuma ruim, pois os sábios conseguem tirar das piores frutas os melhores sucos. Às vezes é difícil, mas sempre dá. Basta saber a hora certa de cada coisa. Prever? Quase impossível! A hora sempre vem. Se demorar, é só fazer a sua.

Essa é a minha hora. Às vezes, para saber o que há lá fora, é preciso sair. Levantar da cadeira e abrir a porta é ter dignidade de se permitir. Ora, somos tão jovens, como diz o poeta! E juventude, assim como o tempo, são muito relativos. Pode durar milênios ou acabar amanhã. Enquanto isso, os dias continuam sendo feitos de vinte e quatro breves horas. Queremos tanto e temos tão pouco. Chega a hora de escolher como fazer esse pouco virar tudo agora. Bem-vindo ao mundo dos adultos!

Vou, mas vou com uma mala transbordando de belas lembranças e laços de amizade. Vou, mas vou com a certeza de que fiz bonito, de que marquei a terra com talento. Feliz do homem que parte do campo deixando flores regadas e sementes de ouro. Delas nascerão, ou quem sabe renascerão, novas velhas sensações.

Então, ficam os dias e segue o carinho por esse tempo em que coube tanta coisa. Dizem que, ao sair, o último apaga a luz. Nesse caso, impossível. Sigo meu caminho deixando aquela luz bem acesa, para iluminar quem vem atrás na fila. Que brilhem! Que brilhemos!  



IMAGEM: http://universofeminino.blog.br/wp-content/uploads/2013/10/Porta-aberta.jpg

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