quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Nós


Tem dias que a vida não ajuda. O acaso se torna aquele imprevisto desagradável, o destino vira a poça de lama que você não vê e onde você acaba afundando o pé calçado com o tênis novo, e o tempo, ah o tempo, esse resolve voar... Nesses dias, tudo vira um fone de ouvido dentro da mochila. Embaraça, enrola, vira um grande nó. Desde que haja a chance, haverá o erro, a falha, a derrota, o “não deu certo”.

É quando nada dá certo que, geralmente, as pessoas decidem buscar ajuda em deuses, entidades, religião. Os santos esperam sempre disponíveis para nós, mas como eles trabalham quando você está tendo trabalho em consertar as coisas, evitar ou até mesmo tentar se salvar do fracasso.

Aqui em Belém, as coisas não são bem assim.

Nesta terra, qualquer coisa parece se resolver com um bate-papo pai d’égua com a mãe lá de cima, aquela que todos respeitam, mesmo chamando pelo apelido, um diminutivo inversamente proporcional ao seu valor, que aumenta a cada dia. Agora então, que estamos em outubro, nosso dezembro vestido de fé e maniva, ela é o nosso refúgio, a nossa última chance – tom de súplica. Para nós, paraenses do segundo domingo, quando a vida resolve dar um nó, a gente faz o quê? Dá outro nó.

Este segundo a gente faz bem forte, na fita que empunhamos, colorida, ou nos pés da santinha, ou mesmo nas grades da Praça Santuário. A gente faz com toda força, querendo que ele se desate o mais rápido possível. Acreditamos que assim a gente se liberta da implicância do destino, que teima em nos deixar mufinos, mufinos.


Toda vez que nós fazemos esses nós, por mais confuso que a lingüística nos faça parecer, a intenção é sempre que eles sumam. Irônico? Estranho? Não em Belém do Pará, cuja padroeira não se cansa de marcar presença nem aos domingos, só para que a fita das nossas vidas flua lisa como o vento nas samaumeiras do CAN, como o som dos sinos da Basílica. Afinal de contas, por aqui, a força da Nazinha desata qualquer problema. De fitas, cordas e de nós ela entende muito bem. Amém!

Foto: Gustavo Ferreira



Um comentário:

Eliane Cezar disse...

Lindo texto! Tenha um excelente Círio.
Beijos