domingo, 12 de maio de 2013

É você


Se fosse um som, seria o som dos seus passos em minha direção, em qualquer ocasião. Se fosse uma imagem, seria o seu sorriso, cansado, meio amarelado, vítima do tempo, mas sempre verdadeiro. Se fosse um gesto, seria o seu abraço, aquele, que me envolve desde que eu era apenas projeto, apenas semente. O abraço que segura, que gruda, que nunca é forte demais.

Se fosse uma música, seria a canção de ninar que você cantava para mim, nas noites frias, onde eu, pequeno ainda, não conseguia fazer muito mais do que sorrir e agradecer. Se fosse um animal, seria uma leoa, que não hesita um minuto em defender sua prole. Uma verdadeira heroína, que abre mão do que tem para que eu possa ter.

Se fosse uma carta, seria aquela que eu lhe escrevi na quarta série, com bonequinhos felizes e uma frase: “Minha estrela é você”. Se fosse um astro, seria a minha estrela, até hoje e para sempre. Se fosse um livro, seria o que eu ainda vou escrever sobre você. Se fosse um motivo, seria a sua insistência para eu fazer vestibular para o curso que sempre quis. Deu certo. Se fosse um dia, seria o dia da minha aprovação. Se fosse uma noite, seria qualquer uma daquelas que eu passei em claro, estudando, e você ali, dizendo para eu ir logo dormir. 

Se fosse uma viagem, sem dúvida, seria a primeira, para aquela praia. Lembra do medo que eu tinha de entrar na água? Lembra também que, depois que eu entrei no mar, não queria mais sair? Como eu chorava! Se fosse um adjetivo, seria “paciente”.

E se fosse uma palavra? Seria “problema”. Como definir, em apenas um verbete, o sentimento de uma vida inteira? É gratidão, generosidade, abdicação, força, coragem, beleza, amor... Tudo junto, em um dicionário que só um filho entende. Se fosse a sorte do dia, mãe, seria essa: ser seu filho.




Um comentário:

Carlos Augusto Matos disse...

Muito bom Gustavo, adorei!!!