quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Workaholic


Aquelas férias ainda estão atrasadas. Faz tempo que eu troco minhas folgas por dinheiro para voltar de táxi pra casa, depois do trabalho. Trabalho. Sim, me chamam de louco, de doente, ganancioso, até de coisas piores. Eu gostaria de ter um adjetivo pronto pra mim, nesses casos, mas não tenho. Só o que eu faço é me perguntar: por que diabos eu gosto tanto de trabalhar?

Me sobra pouco tempo depois do expediente, às vezes, admito. Tenho uma esposa linda, que eu amo demais, e que eu sei que tem uma paciência gigantesca comigo, maior até do que o decote daquele vestido verde. Também não sou mais aquele cara ávido por novas tecnologias, do tipo que troca de celular a cada temporada, já não ligo. Basta um celular que faça e receba chamadas. Eu mudei, acho que cresci.

Hoje eu só penso em me dedicar, fazer e fazer bem feito. Talvez não seja um defeito tão grande assim, ser alguém que apenas gosta de trabalhar. Caramba, há tanta gente mais preocupada em se vestir bem, ou falar as palavras certas nas situações certas, esperando um retorno vantajoso. Eu mesmo conheço e convivo com figuras que não se importam com o que fazem, e sim com seus nomes brilhando em painéis luminosos.

E o que eu vejo de pessoas assim, que se dão bem desse jeito, não é brincadeira. Quantas vezes alguns colegas riram de mim, batendo ponto meia hora mais cedo, enquanto eu preparava o café do serão. Quantas vezes eu recebi ligações de puxa-sacos de férias, enquanto eu ainda estava tentando fechar o relatório da semana. Meu salário não aumenta, mas sabe o que me conforta? O deles também não. A diferença entre nós é simples: personalidade.

Ao contrário, eu conheço muita gente que rala, e gosta muito do que faz. Sabe o que elas têm? Além do eterno resfriado, uma vontade de aprender e um sorrisão de alegria pelo trabalho bem feito, que nem mesmo as olheiras e o ar acabado conseguem esconder. Quem disse que a felicidade está nas pequenas coisas deve reconhecer que, também, ela vem depois da linha de chegada de uma grande maratona. Ser feliz cansa, mas ô cansaço bom!

Acho que é essa a resposta pra minha pergunta, algumas linhas atrás. Eu gosto tanto de trabalhar porque assim eu me realizo em dois sentidos: me sinto útil e ainda ganho pra isso. Pouco, é verdade, mas ganho.



Um comentário:

Thaís disse...

Gostar do que se faz. É isso.