sábado, 26 de janeiro de 2013

Antônimos




Homem é livro de capa dura e páginas de papel de seda. Mulher é embrulho de cetim envolvendo um supino. Homem é show do Scorpions. Mulher é disco do Prince. Homem é corpo sarado. Mulher é peito e bunda. Homem e Mangueirão lotado. Mulher é final de novela das oito. E vice-versa. Homem olha uma flor. Mulher vê uma flor. Homem fede à rua. Mulher é tirinha de stand de perfumaria. Homem é internet veloz. Mulher é carta que demora semanas. Homem é apresentação holográfica. Mulher é cartaz com papel crepon. Homem é tato, mulher é paladar. Homem é fogo. Mulher é gasolina. Homem é cerveja barata. Mulher é o vinho argentino. Homem é o prato feito. Mulher é a especialidade do chef. Homem é Portugal. Mulher é Espanha. Homem é dia. Mulher é noite. Homem brinca de médico. Mulher brinca de casinha. Homem é cachorro. Mulher é gata. Homem é assalto à mão armada. Mulher é sequestro de megaempresário. Homem tem certeza de que tem certezas. Mulher tem certeza de que tem dúvidas. Homem pensa que sabe. Mulher sabe que pensa. Homem é a briga na mesa do bar. Mulher é o rancor eterno. Homem xinga outro homem. Mulher elogia outra mulher. Amizade entre homens é pra vida toda. Amizade entre mulheres... Homem é exame de rotina. Mulher é check-up completo. Homem é blog. Mulher é Tumblr. Homem é matéria. Mulher é reportagem. Homem é “até mais”. Mulher é “seja bem-vinda”.  Homem é sexo com amor. Mulher é amor com sexo.  Homem é instinto. Mulher é intuição. Homem é comédia. Mulher é aventura. Homem não sabe viver sem mulher. Mulher não sabe viver sem homem... Mas não admite isso nunca. 



IMAGEM: http://elamundo.files.wordpress.com/2012/01/bonecos-de-banheiro.jpg

sábado, 19 de janeiro de 2013

Liguei o rádio



Terça-feira, o dia mais insignificante da semana. Não é estressante quanto a segunda, e ainda está distante demais da sexta. Não tem futebol na TV, nem uma balada legal. A terça-feira tem o pior defeito que um dia pode ter: é comum. Por isso, acordar é tão desmotivador. É como se aquele dia não valesse, não contasse na sua vida, mas você fosse obrigado a passar por ele. Toda semana. Lá fui eu, despertar do meu injusto sono dos justos. Levantei, escovei os dentes, fui à cozinha, e encontrei um rádio. Resolvi ligar. Por quê?

Não sei a estação, nem gosto muito desse veículo. Pra mim, o que não começa com “www” não interessa muito. O fato é que eu liguei aquele rádio, e estava tocando, para o meu azar, aquela música. Que clichê dizer isso, mas era a nossa música. Brega, mas nossa. Um momento marcante nas nossas vidas nunca tem uma canção realmente boa de BG.

Eu ouvi a nossa música, e lembrei, claro, de você. Mas de você naquela tarde, na casa da Rita. Era essa música que tocava quando eu te vi entrando naquela sala, coradinha de sol, com a marca do biquíni verde que te cobria o que tinhas de mais interessante. Sorte do sol.

Naquele dia, à noite, a gente ficou pela primeira vez. Essa música não tocou, ou tocou e eu nem percebi. Seus lábios eram bem mais interessantes. Então, eu comecei a passear no nosso passado, enquanto o café esfriava. Depois daquele beijo, a gente ainda se viu mais umas sete ou oito vezes, até admitirmos que era a hora de assumir que estávamos juntos. Éramos um casal.

Essa bendita música... Lembrei de quando nós assumimos o namoro. Alguns torceram o bico, mas a gente até achava legal. Nunca havia namorado, e já estreava nessa vida com uma mulher deliciosamente linda feito você. Meus 17 anos não poderiam ser mais animados. Que se dane o vestibular! Eu queria era viver você, aquelas noites em que a gente se pegava escondido embaixo da escada do colégio, aqueles dias em que você ainda me mandava cartas. Seu jeito clássico de ser.

Droga, lembrei das cartas! E daquela carta... Aquela, a última. Aquela, que me enganou direitinho. Você. Nem foram seis meses, estava tudo tão bem, como se algum desses deuses que vocês veneram estivesse armando contra mim. Só não precisava ser no meu aniversário, cassete! Meus amigos, colegas, inimigos, professores do primário, até mesmo meus pais, todos na minha festa.

Todos, menos você. Te ligava, e nada. Implorava sua presença, em pensamento, mas nada. Nem brigamos. Brigaríamos depois, depois que eu li as palavras de despedida que você me escreveu, e deixou no vão da porta. Seu maldito jeito clássico de ser.

Clássico? Que clássico? Descobrir pelo Facebook, dois meses depois, que você já tinha outro não me soou vintage, retrô. Como aquela música... Desliguei o maldito do rádio. Percebi três coisas. Primeiro, eu nunca mais quero saber de você passeando pelos aparelhos de som da minha vida. A segunda era que eu estava atrasado pra prova. E a terceira, mais importante, era de que eu deixei queimar as torradas.  


IMAGEM: http://files.urucaramazonas.webnode.com.pt/200000296-3805438ff5/radio.jpg

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Daqui pra frente...


É, não acabou. Bem que alguns queriam... Não foi dessa vez. Agora chega de falar em fim, pensar em fim, desejar o fim. Será que dá? Sempre me pergunto por que tanto fascínio com isso, por que essa necessidade de acabar com tudo. O mundo de algumas pessoas realmente acabou em dezembro, então chega de fim. O início é sempre mais bonito, é sempre perfeito. Redescobrir a gente e os outros. Ter e dar uma nova chance. Acho que era disso que falava a profecia. Vamos ver se dessa vez a gente consegue.
Thaís Siqueira, 22

Era o fim! Mas, não foi. Ledo engano, oras. Não que a falácia fosse nova, apenas houve quem acreditasse uma vez mais. Mas, e aí? "E agora, José?", já indagava Drummond. Agora é hora de apanhar as esperanças jogadas ao chão e seguir em frente. Afinal, os dados ainda estão a rolar, o tempo não parou. Ainda há um mar de sonhos a serem realizados, não há tempo a perder. Este ano (que não foi o derradeiro - amém!) acabou, mas ainda há muito a ser feito. E se não der tempo, relaxe.
Robson Heleno, 22

Olha, eu realmente acredito que o mundo vá acabar, então se você está lendo isso é porque ainda não aconteceu. (Ainda!) Bom, mas se o mundo não acabou, tá mais do que na hora de nos decidirmos, né? Sabermos o que a gente quer e tentar tirar esse sentimento de culpa do coração. A escolha entre o certo e o fácil é a mais clássica. Uma hora temos que decidir por qual caminho seguir. Espero que o nosso 2013 seja de mais certezas do que dúvidas e que o caminho trilhado seja aquele que vá nos fazer felizes muito mais do que a longo prazo.
Felipe Jaílson, 20

O mundo não acabou no dia 21. Aí, você se pergunta: o que fazer? Eu respondo: VAI TRANSAR, MALDITO! PARA DE PENSAR NESSAS TEORIAS LOUCAS... Mas é sério. Vai viver mais! Para de tuitar do banheiro, enquanto tu defecas. Para de tirar foto de comida e ficar postando pelo Instagram. Vai rir, namorar, ser feliz... Ah, e eu sei que tu usaste a cantada “Amor, vamos fazer amor porque o mundo vai acabar amanhã e podemos não ter mais chance”.
Carlos Fernando Pinheiro, 19

Égua, tédoido? Já tava comendo todas as jujubas que eu encontrava pela frente.  Apesar disso, eu ouso dizer que foi bom, olha. Vi muita gente fazendo coisas que não teria coragem de fazer. Nunca a vontade de aproveitar a vida, essa danadinha, superou o medo de tudo o que a gente conhece ter um fim definitivo. Digo definitivo, por que nem você nem eu estaríamos aqui pra lembrar das coisas que vivemos. Queria que todo dia fosse um fim de mundo. Quem sabe assim a gente pare com essa besteira de pensar que se privar de aproveitar a vida e omitir sentimentos resolva alguma coisa. 
Gabriela Amorim, 20

Trata de ser feliz e pronto! Saiba que fins de mundo acontecem todos os dias. Ora pra uns, ora pra sonhos. Entenda isso e use a seu favor. Nesse velho mundo que nos fica sempre se pode fazer algo de novo. Não fique aí de papinho com a preguiça e com aquele eterno depois eu faço. Faça agora, faça algo de bom, se não pros outros, pelo menos pra si. Faça mais pelo o que se quer. A hora é essa.
Rômulo Baía, 25

O mundo não acabou. E agora? Passe a limpo antigos textos. Conjugue esquecidos verbos. Redescubra antigos amores. Mantenha suas angústias. Renove seus desesperos. Viabilize seus sonhos. Confesse seus pecados. Respire outras vidas. Pratique seus medos. Abrace outros dons. O mundo não acabou. E agora? Prepare-se para o próximo fim. Ele está próximo!
Petterson Farias, 25
  
Nada de promessas ou grandes planos. Por enquanto. Agora que ganhamos mais um ano – se é que o perdemos em algum momento, é hora de aproveitar a estreia de Jurassic Park 3D. Não, pera. Não é bem isso. Brincadeiras à parte, o que desejo a mim em 2013, desejo a todos: serenidade, tranquilidade, paciência e persistência. Mesmo que tudo pareça tão difícil e impossível, que tenhamos tempo e disposição para lembrar e entender que tudo vai valer a pena, que todo o esforço será recompensado. No final, estaremos todos rindo. Feliz ano novo!
Mariana Almeida, 23




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Mais uma vez, o primeiro post do ano é especial e feito por amigos. O Etc agradece a participação de cada um dos colaboradores, parceiros na ideia de dizer o que vai ser daqui pra frente, já que os Maias erraram. 2013 está só começando.