sábado, 8 de dezembro de 2012

O bom




Hoje, numa daquelas rodas de amigos à beira da piscina, eu me dei conta de uma coisa que, honestamente, destruiu meu fim de semana. Estávamos todos ali, conversando, dizendo palavrões e bobagens, até que o assunto chegou nas loucuras que cada um cometeu na vida. Tentei me esconder, me enterrar, sumir dali, mas fiquei. Então, quando alguém me incluiu na conversa, eu tive que me defender com uma verdade amarga: “Não, eu sempre fui tranquilo”.

Nessa hora, e só nessa hora, eu consegui perceber o quanto a minha vida era tranquila demais, chata demais. Eu descobri quem eu sou, finalmente, e não foi legal. Descobri que toda a minha vida não passou de uma vida comum, burocrática, cheia de limites, regrinhas de conduta e medos. Ah, os medos!

Nem eu tinha noção de quantos eram. Não sei nadar, nem voar, muito menos andar por aí numa noite qualquer. Não tenho medo do novo, e sim medo do exótico, que pra mim é aquilo que eu não provaria sóbrio. Quantos porres eu posso contar que vivi? Aquela taça de champanhe não conta, aquilo não foi um porre, foi quase um coma. Nunca me embebedei de álcool, nem de experiências.

Nunca roubei bombons de loja nenhuma, nem meti meus dedos no bolo. Que tipo de pessoa eu sou? Quais são as minhas memórias? Será que alguém compraria a minha biografia? Será que eu mesmo compraria? De que vale ter sucesso na carreira se, ao olhar pra trás, eu vejo tudo em linha, separado em pastas e subdividido em tópicos? Esse é meu arquivo, um quase vazio, com os restos inacreditavelmente organizados.

Aqueles meus amigos já viveram cada coisa. Não, não sinto inveja, nem quero ser outra pessoa. Só me admiro com a minha inércia social. Sou mais um, não tenho destaque, nem expressão. Aquele que sobra na escolha dos times, aquele que tira 10 em matemática, mas não sai à noite com a turma. Sou bom, sou sim. Mas bom é média, é normalidade. Todo mundo é bom, até que situações provem o contrário. Cadê as minhas?

O que eu provei até hoje? Quem eu provei? Sou um quase-virgem de 23, que só transou com uma mulher na vida, porque ela é minha namorada. Sou um monogâmico falido em diversão, que não sabe acender fogo nenhum sozinho. Não fiquei com vinte na noite passada, nem ao menos saí de casa na noite passada.

Minha vontade não é a de mudar meu jeito. Parece contraditório, mas eu gosto de mim, eu me admiro e me respeito, eu sei o meu valor. Só queria que, de vez em quando, eu pudesse me mexer, tomar todas, curtir a vida adoidado. Não sei o que é isso. Ainda tenho tempo, vai que, na próxima reunião com os amigos, eu não precise me esconder, nem deles e nem de mim mesmo.

IMAGEM: http://dicas.guiamais.com.br/wp-content/uploads/2012/02/Organizando2.jpg

2 comentários:

Amanda Campelo disse...

Talvez caiba aqui o clichê de que "o que vale na vida são os momentos que te tiraram o fôlego".
Por mais que estabilidade seja ótima, o que fica de verdade são as histórias que temos para contar.
Parabéns pelo texto, Gus! ^^

Antonio Anderson disse...

Sábia e dura reflexão.
Também me identifiquei!
Mas, acredito que eu soube lidar e aproveitar com meus poucos momentos de loucura...
Espero que, pelo menos, sua aceitação a si próprio continue sendo a mesma.
Abraço, moço!