sábado, 20 de outubro de 2012

Eu acho


Tem gente por aí que gosta de dar opinião sobre tudo. É sobre a crise na Europa, é sobre a Seleção na Olimpíada, é sobre eleições. Até mesmo sobre a vida alheia. É um “eu acho” daqui, um “pode ser que” ali, um “com certeza é isso” acolá, e nessa brincadeira, muitos acabam confundindo o seu direito de pensar do direito de se proteger do outro. De tanto opinar, tem gente que se acha parte da vida do seu bode expiatório.

Na verdade, todos já fomos, somos e seremos comentaristas do espetáculo da realidade, um dia. Ao nascer, mesmo sem saber seu próprio nome, e às vezes sem ter nome, o indivíduo assina dois contratos: um lhe permite fechar suas janelas para que ninguém olhe o que acontece na sua cozinha, e outro que lhe obriga, sem forças, a abri-las. Qual vence no final?

Contradição, sim. Estamos expostos ao julgamento de todos, inclusive aos de nós mesmos, pelo simples fato de termos nascido. É o sistema, que não permite o absurdo da privacidade. É por isso que nos achamos seguros em dizer que fulano não ficou bem com aquele tênis verde-limão, ou que a Rita está indo longe demais na novela das nove. Só tem um detalhe: “exposição” não quer dizer “espaço”.

Qual é o direito que alguém, que às vezes nem conheço, acha que tem em me criticar? Ou em me elogiar? A mão-dupla da opinião pública é cruel. Quando elogia, tudo são flores, mesmo se vierem do monstro horrendo dos seus sonhos de criança. Quando xinga... Esse tal de ser humano, bicho vendido, facilmente dobrável aos aplausos da plateia. Só aos aplausos.

Comentaristas de coisa alguma nós encontramos em toda esquina, vestidos de uma propriedade imprópria e de um conhecimento tão ralo. Mas a empáfia não os deixa perceber que, na verdade, o máximo que conseguirão, além de falsos parceiros de opinião, são risadas de quem realmente sabe do que você não entende. Ter impressões de algo todos temos, o que não serve de aval para achar que são capazes de mudar alguma coisa.

Poucas opiniões realmente valem alguma coisa nesse lixão de bilhetinhos e pitacos. Aqueles que importam ficam, e isso só depende da sua filtragem. Nem precisa ser nenhuma personalidade midiática para ser vítima de tantos olhos e línguas nervosas, loucas para despejar achismos. Bom, pelo menos é o que eu acho.


IMAGEM: http://1.bp.blogspot.com/-3ZjF2m_6oVo/T76J0QXiB1I/AAAAAAAAATg/HZq9VxgQrug/s1600/opini%C3%A3o_MAV.jpg




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