domingo, 30 de setembro de 2012

Breve


Fábio era um rapaz comum. No geral, se vestia com um jeans envelhecido, um tênis encardido e uma de suas camisas de botão, que adorava. O mesmo perfume barato, que usava há anos. A mochila quase rasgada, cheia de bottons e lembranças. O mesmo café da manhã reforçado, com dois pães, suco de uva, Coca-Cola e umas torradinhas com cheddar cremoso. Assim ia Fábio, pronto pra mais um dia de aula.

Estudava Jornalismo, e nada poderia ser mais bonito para ele. Um futuro no rádio, herança de seu pai, a “Voz da Cidade”. Ele adorava, se sentia bem, e estava ali, assistindo aulas de História do Rádio, aulas práticas no laboratório. Acabara de conseguir um estágio na estação universitária. Estava pleno, era feliz. Não completo.

Fábio não sonhava, ele tinha projetos. Não queria, buscava. Não se arriscava, se jogava. Queria montar uma rádio onde só tocasse clássicos dos anos 80. Não importava se, comercialmente, aquilo pudesse ser um fracasso. Ele só ia atrás. Dedicado, simples, voador. Assim era Fábio, um pequeno grande homem.

Sua família sempre o apoiou, e ele seguiu, cheio de amigos, de verdade. A namorada, Elisa, era a melhor companhia que ele poderia ter. Futura publicitária, era combustível, freios e asas de Fábio. Sonhava junto, e vivia como se nada ali o impedisse de conquistar cada degrau que vislumbrava. A vida era pouco pra ele.

Ontem era um dia normal, comum como o próprio Fábio, que andava como quem passeava de bicicleta. Ia passando pelo posto de gasolina, quando avistou a loja de conveniências. Nem estava com tanta fome assim, mas resolveu entrar e comprar umas batatinhas. Entrou. De repente, entram dois jovens. Assalto. Tensão. Reação. Tiros. Um tiro.

Fim.



“A vida é breve, 
mas cabe nela muito mais
do que somos capazes de viver.” 
José Saramago

IMAGEM: http://imguol.com/2012/07/19/com-essa-serie-de-imagens-tentei-capturar-a-beleza-dessas-esculturas-de-vida-curta-que-consistem-em-99-de-ar-e-na-verdade-nao-possuem-cor-alguma-explica-o-suico-1342695057774_300x500.jpg

Um comentário:

Thaís disse...

Penso que a efemeridade é algo que tentamos, a todo custo, esquecer. É por isso que criamos rotinas: para distrair a mente desse inevitável e necessário medo do fim.