sábado, 30 de junho de 2012

Intervalos



Mais um daqueles dias em que eu acordo como se estivesse me salvando de um afogamento. Susto! Olhos arregalados! Respiração ofegante! Um mergulho profundo em algum universo qualquer, bem diferente da crueza dessa realidade chata. Tudo aqui é tão palpável, tão certo e irritantemente real. Talvez seja essa a minha alergia, a minha aversão: a realidade. Nada pode ser mais tenebroso do que as amarras que me prendem aqui, nesse chão sofrido, cuspido, tão árido quanto o meu quarto solitário. Minha vida. É uma ansiedade por mais, um mais que nunca chega... Até que eu resolvo deitar minha cabeça no travesseiro, e embarco no cruzeiro dos meus sonhos. O mar é meu, desenhado pela minha imaginação, certamente formando figuras que eu nem sei se existem. Isso não importa. Elas estão ali, no meu devaneio. Feliz eu sou ao encontrar comigo mesmo, com eles, com elas, com “istos e “aquilos”, tudo o que eu preciso pra não pirar nessa maldita realidade. Durante o dia, eu consigo parar uns minutos e viajar em mim, mas nada se compara às melhores voltas do relógio do meu tempo. Muitos dizem que vivem enquanto estão de pé, com luz nos olhos e rotina na agenda. Eu não. Pra mim, o intervalo entre acordar e dormir não vale mais do que aquele entre dormir e acordar.

IMAGEM: http://info.abril.com.br/images/materias/2012/05/cade-a-nuvem-20120502081508.jpg

Um comentário:

Robson H. disse...

É incrível como eu sempre encontro inspiração por aqui...^^