sexta-feira, 8 de junho de 2012

E nós fazemos humor



Uns gostam muito, vivem a vida mais abertos a qualquer absurdo, contanto que tire suas gargalhadas do dia. Outros, mais certinhos, criticam a qualidade e preferem morrer frios a enrugar a pele do rosto. Dicotomia. Isso é o humor, a cerveja gelada da sociedade brasileira, cansada de tanto labutar e que precisa espairecer no fim da tarde.

Muitos não sabem beber, preferem negar antes de sentir o cheiro. É um risco: garantir a integridade mental pela privação da alegria instantânea. O humor é instantâneo, paliativo, um paracetamol da vida. Dor de cabeça? Toma uma pílula e passa por hoje. Nada que te obrigue a repensar no sentido da existência humana ou na cotação do real, o humor não precisa ser ideológico. Basta fazer rir e pronto.

Basta? Fazer rir pode ser o início, o fim ou o meio. Coisa séria. Talvez seja a caricatura a forma mais legítima e libertadora de exorcizar toda e qualquer pedra no sapato, qualquer irritação, qualquer dor de dente. Sacanear um presidente, mas não por sacanear apenas. Isso é vazio, isso é o paliativo. Brincar com a verdade pode ser mais sutil do que um monte de palavras cuspidas na televisão. Raiva não atinge, agora tenta ser sarcástico...

Assim como muitos não sabem beber, muitos bebem até demais. Exagero, barra forçada, que limites? Pra ser engraçado, não precisa ser babaca. Inteligência, estratégia, tempo, vergonha na cara e bastante autoconfiança, tudo isso é requisito de todo bom humorista. Podemos rir de qualquer tropeção na rua, isso é fácil. Agora conseguir conquistar milhões de seguidores com bordões criativos e diálogos bem construídos, ah, isso não se acha na farmácia.

Dia desses, dois mestres nos deixaram uma grande lição: Millôr e Chico nos ensinaram que banalidades não precisam ser tratadas como tal, para serem engraçadas. A vida em si já é uma tragicomédia, mas poucos conseguem traduzi-la ao extremo do bom gosto. Qualquer um pode deixar sua plateia de espelhos feliz, aplaudindo seu talento. Basta saber fazer.

Censura? Nunca. Quem pode parar quem? Deixa ser assim, deixa ser. Profissionalismo não presume qualidade, e vice versa. Humor amador não existe. Cara de pau, destreza, coragem, todos têm guardadas. Liberdade de expressão. Liberdade de pensamento. Liberdade de escolha. Não gostou desse texto? Passa pra outro. Não foi com a cara desse rapaz? Fecha os olhos. Os incomodados que se mudem, já que agradar a todos deve ser um saco. Que tal brincar de ser feliz?

IMAGEM: http://humortalha.com/blog/wp-content/uploads/2011/11/melhores-blogs-de-humor.jpg

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