segunda-feira, 25 de junho de 2012

1+1




Uma conta curta, pura, a mais simples matemática: 1+1. Quanto é? Será mesmo tão simples assim responder a esta equação doce aos nossos olhos? Qualquer um diria 2, é óbvio, as operações chegam a este denominador. Uma soma besta. Não a um apaixonado. Ah, um apaixonado viaja nas ilusões de algarismos, filosofa sobre os sentidos inexistentes do prosaico e se arrisca, em nome da beleza do amor! Um apaixonado contestaria a lógica dos números, sucumbindo à lógica piegas da paixão: 1+1=1.

É aí que mora o perigo. Talvez o que eu diga aqui lhe provoque reflexões sobre sua vida, sobre seus sentimentos e, na pior das hipóteses, lhe deixe solteiro, meu caro leitor. Mas é inevitável parar e pensar até que ponto esta máxima do relacionamento é digna de créditos. O que é um relacionamento? Uma união de corpos e corações, que batem juntos por um mesmo sentimento sublime, ou a união de duas pessoas, onde cada uma traz seus sonhos e ideais para dentro do mesmo quarto?

Ninguém pode ser o outro, é físico, impossível. Quando você diz que, somado ao outro, você vira um, é o mesmo que dizer que você virou meio, e meia pessoa é igual a zero. Identidades, personalidades, tudo isso vem no pacote, junto com o sexo bom e os suspiros da paixão, o brilho no olhar e blá blá blá. Se restringir a sacrifícios pelo casal é normal, até necessário às vezes, agora abrir mão da individualidade é sacramentar o fim. Quem consegue respirar com um travesseiro sobre seu rosto? Se 1+1 fosse 1, a outra pessoa se transformaria, fatalmente, no travesseiro. E o pior: não seria assassinato; seria suicídio.

Nesta equação, uma constante deve ser levada em consideração com muita, mas muita atenção: espaço. Cada um tem o seu, nenhum casamento de 50 anos desfaz essa regra biológica do ser humano. Os objetivos nunca são os mesmos para os dois: sempre é o meu objetivo, agora com ela dentro, e vice versa. Não é egoísmo, é necessidade. Aquilo de “quero estar sempre ao seu lado” é verdadeiro, mas irritantemente metafórico. Hoje eu quero dormir até tarde, não acordar cedo pra te ver. Desleixo? Incompreensão? Falta de amor? Não, é apenas sono.

O amor pode ser uma loucura, e que seja, mas nunca um relacionamento pode fugir da razão. Assim vira bagunça. O que deveria ser um só vira milhares, de dúvidas e incertezas, de medos e fracassos, e a insegurança vence. Estar junto e se entregar sempre, isso vale. É apenas uma questão de reserva, de guardar o que é essencialmente individual, e isso não é problema para nenhum casal. Estar dentro de alguém, isso também vale... Nos cartões de 12 de junho.

Parece seco, frio, racional demais. Eu chamaria de praticidade. Conto de fadas são belos, mas não reais. Tabuadas sim, essas são mais simples do que imaginamos. A matemática comprova, o amor contesta, mas a verdade é uma só: 1+1=2. No fim de todas as contas, a operação vale mais que o resultado. 


IMAGEM: http://4.bp.blogspot.com/-ZZbWKkJHtC0/Tjg93inPbSI/AAAAAAAAAj8/rb35lkhvHYE/s1600/maos-dadas.jpg

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