terça-feira, 8 de maio de 2012

A espera



Você me pediu pra esperar. Simples assim, você achou em mim o direito de me fazer esperar, por algo que nem sei o que é. Não sei, não conheço, nem lembro mais. Logo eu, que nunca tive a chance de fazer mais do que aguardar minha vez, vez que não veio até hoje. Logo eu, tão diferente. Logo nós dois, acidentes, dois acasos de um mesmo sentimento. Como nasceu? Ninguém sabe, nem precisa saber. Talvez nem eu conheça a razão de tanta liberdade.

Por que esperar? Por que, se tudo pode ser mais fácil? Emoção? Demais pro meu gosto. Sedução? Que tipo? Sou direto, ao menos quero ser, e você me vem assim, cheio de agrados e palavras bonitas, me ouvindo em toda canção, me vendo em todo olhar, me querendo em cada sonho... Quanta audácia invadir meu espaço tão restrito, tão fechado! Quem você pensa que é? Quem você é?

Pode ser meu paraíso, pode ser um pecado. Presença ou ausência, presente ou futuro. Minha certeza incerta, que me destrói ao pensar que já passei do ponto de retorno. Ao mesmo tempo, me constrói de uma maneira... Desprevenido, esse era eu quando o tempo nos juntou. Tempo, tempo, tempo. Ele é a solução e o empecilho, a colheita e a praga dessa plantação tão nova e tão forte.

Não quero tempo, nem espaço, nem nada além de você. Sei que você só existe se o mundo ao seu redor te sustentar, e esse mundo é maior demais, maior que nós. Esse é o problema. Eu sei demais sobre nós, mesmo nem te conhecendo. Não te conheço ainda. Como eu posso confiar em um estranho? Como eu posso esperar por um alguém perfeitamente canastrão, que me ilude e me confunde com rosas e risos? Como eu posso me questionar tanto, sendo que eu sei o que nós dois queremos?

Procuro segurança, ou um pouquinho de prazer. Procuro exclamação, não mais interrogações. Ironicamente, é o que você é. Não me importo, eu não preciso estar aqui, não preciso te obedecer. Não, a minha vida é curta demais, é minha demais, eu não te quero. Chega, não vou te esperar...

Eu já estou esperando. Enquanto rabisco essas palavras na folha de trás do meu velho caderno, já penso em você, já quero você. De verdade, sem exageros ou rótulos, nem vigilância de terceiros. Talvez seja disso que eu precise: menos terceiros, mais um par. Se eu perder, que tenha perdido com classe, e tenha levado o melhor dessa história. O doce, o puro, a candura sórdida da ilusão que me alimentou por alguns instantes. Não sei se vai dar certo, nem sei o que vai dar. Mas até agora, enquanto nada prova o contrário, vale a pena esperar.

IMAGEM: http://kikocoelho.files.wordpress.com/2009/12/a-espera-baixa2.jpg

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