sábado, 4 de fevereiro de 2012


Tamanha, esguia, risonha. Teus olhos grandes, fundos, como que convidando seus súditos a pularem neste poço de prazer e serenidade. Tinta celeste, gris, da cor do mar bravio. Toda a força de uma mulher nos passos leves de uma menina. Tudo para, ela caminha, segue feliz. Tá tudo bem, o mundo pode ser mais feliz.

Homens ofuscados por compridos fios de cabelo claro, do jeito que o sol imaginou. Faz até inveja aos astros, a estrela maior vive na terra, chão quente e úmido, feito planta que cresce, cresce, entontece... Ah, quanta certeza! Suas palavras se tornam travesseiros, raízes fincadas em sonhos pueris, onde cada menino se diverte e reconhece: tá tudo bem, aqui eu estou seguro.

Abram alas para a doce senhorita, que baila no ar, se espalha no vento, se perde em si. Retas curvilíneas que se cruzam em mim, me prendem, sem saída. Sem escolha. Uma boca esperta, sacana, que inocula o veneno mais prazeroso. Um horizonte sem fim, um eterno enigma. Desafio diário de conquistá-la, para ganhar, em troca, o seu sorriso. Tá tudo bem, eu me rendo!

Imagino o mundo sem ela. Vejo um vazio. O mundo é ela, menor do que sua matéria carnal, com intenso conteúdo. Prepare o coração! Ela é mágica! Pisca os olhos, as luzes entram em sincronia. Encara o vento, os cabelos desenham nas retinas uma perfeição que nem mesmo a própria perfeição é capaz de criar. Quebra pernas, invade, toma de assalto. Tá tudo bem, ela me faz bem.

Sentidos que se perdem ao vê-la. Profano sabor, divino prazer. Sinos, tocai! Música para ouvidos, olhos, corações... Notas que se juntam, formando a mais bela sinfonia. Um baile de beleza, pequena mostra do céu. Alva, brilha onipresente, onipotente. Diamante lapidado pelo tempo, nobre amigo, cruel vilão. Distantes, são mais unidos. Será que tá tudo bem? Tá. E o mais incrível disso tudo é que sempre pode ficar melhor. 


FOTO: Renan Mendes