sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

H2O

Numa noite qualquer, você me vem, serena. Me molha. Me inunda no lindo lago do amor, amante, à mil. Teus olhos, distantes, quando cruzam os meus, deixam um piscar maroto, convite sacana, para curtir o que nunca houve. Sem pressa, teu abraço me envolve. Com pressa, tua boca bebe minha saliva. Água doce, picante, fervendo de ternura, saudade e desejo.

Numa manhã qualquer, você me tem, entregue. Minhas roupas, por onde andam? Sua razão, será que foi junto? No fim das contas, nesta piscina, sobramos apenas nós dois. Água que não sossega, marolas que viram ondas, encobrindo-nos, escondendo-nos. De longe, mais perto. Como um encontro de dois rios, uma mistura pacífica, esperada. Sinergia. Minhas mãos, teus lábios, nosso suor, tudo em função de uma chama. 

Num dia qualquer, você me vê, saudosa. O tempo se encarrega de botar tudo em seu lugar. Ao meu lado, a vida, meu porto seguro. Ao seu lado, sua vida, sua rotina. A cada volta, olhando para trás, voltaremos a perder o ar, transpirar, suplicar por água, como outrora. Para bebermos do nosso líquido, outro ciclo precisa se completar. Quanto tempo vai durar? Eu não sei. O tempo se encarrega de botar tudo em seu lugar.

Numa noite qualquer, você me vem, de novo. Quando adormeci em meus sonhos, invade-os, sem licença, com desejo. Meu corpo volta a querer tuas curvas, minhas mãos gritam por tua pele, e começa tudo outra vez. Tua água, tua língua, me redescobrem, cantam e dançam sobre mim os teus cabelos, na sincronia perfeita dos imperfeitos. Banho. Naquele mesmo lugar de sempre, envolto em nuvens brancas, interpretamos estrelas. Brilhamos no escuro. Vestimos a ilusão com pura seda, embebida no néctar que só nós conhecemos. Doce mel. Doce água nossa.


IMAGEM: http://lh4.ggpht.com/_WSNt22MyQj0/TFymsuFpCkI/AAAAAAAAAEw/TRagxonrzYE/m%C3%A3on'agua%5B2%5D.jpg



Um comentário:

Thaís disse...

Que coisa linda!