quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Quando pesa




Um dia, meu pai me disse:

“Filho, vem cá. Eu to te vendo assim, pra baixo, sinto vontade de te consolar. Mas não com um afago no rosto, um abraço ou coisa assim, fugaz. Meu melhor consolo é o das palavras, confia em mim. 

Se isso for te deixar mais tranqüilo, você não é o único a carregar uma cruz. Só você sabe o quanto pesa, mas todos têm a sua. Muitos nem podem escolher, acabam suportando o peso injusto de um mundo, um mundo que não é seu. Infelizes, alguns cedem, alguns desistem. Ou pra correr atrás de outros sonhos, ou pra descansar.

Você escolheu sua mochila, e nela carrega só o resultado da sua própria vida, os seus próprios destinos e as suas aflições. São suas, só suas. Você imagina quantos queriam estar no seu lugar? Quantos gostariam de ter nas mãos as suas próprias obrigações?

As coisas não vão ficar mais fáceis, só por você acha que elas estão difíceis. Do nada, a bigorna se enche de ar? Não, meu filho. Parece que tudo o que você tem na agenda pesa mais do que o papel onde escreves, entretanto, largar de mão seria a solução?

Hoje é fardo, amanhã vira orgulho. Vai por mim, teu velho sabe quanto tempo esse amanhã demora pra chegar, e se o caminho é de luta, o fim será de glórias. Dá ouvidos a um cara que ganhou filho e família pra criar aos 17, e que nunca teve a chance de ouvir o que eu estou te dizendo de ninguém. Dá ouvidos a um cara que não teve escolha, mas soube fazer da sua obrigação uma vida feliz.

Aprende uma coisa: a gente só é o que quer ser. Se os teus objetivos são grandes, como são, é porque você é grande.

Agora fecha o livro, vai dormir. Amanhã o dia vai ser longo. Vai. Mas você é maior do que qualquer cansaço.

Boa noite, meu filho”.

Nesse dia, eu pensei em desistir... Acabei desistindo de pensar. Ainda bem.

IMAGEM: http://3.bp.blogspot.com/_EjjwdcGv_sY/TKhg37F4A8I/AAAAAAAAAEs/C04grrrscSo/s1600/cansado.jpg

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mais um campeão de audiência




É domingo, sete da noite, e enquanto escrevo este texto, certamente milhões de famílias do Brasil estão juntos, na sala ou no quarto, assistindo a um programa de auditório qualquer, dos vários que enchem a TV aberta no mesmo horário. Você, inclusive, deve estar ali, vibrando com o game do Baú, com o falatório global, ou até chorando copiosamente com algum sonho realizado na “TV de primeira”. De primeira?

Que a função da televisão é o entretenimento, não precisa ser nenhum estudioso pra saber. Agora, quem foi que disse que entretenimento precisa ser sinônimo de alienação? Ora, o sistema. Famigerado, o sistema envolve, dá ao povo o necessário para que ele vire uma massa, bem homogênea: os mesmos corantes, muita farinha, e haja fermento. A massa cresce, a mídia se farta, num ciclo sem fim. Opa! Isso aí já é cinema!

No império da televisão, somos mais que súditos. Somos os fomentadores. Sem nós, eles não saem do traço. O problema é que a relação de dependência é bilateral. O público precisa de algo para acreditar, geralmente algo criado pela mídia, que represente um ideal de vida, uma expectativa, talvez uma nova realidade. Ou seja, as pessoas precisam fugir de suas misérias através de mentiras. Ou será que alguém ainda acredita que o pai sumido do convidado não está esperando atrás do palco, pronto pra “surpreender” o país?

Como fazer o Ibope se render? Em um palco, reúna 300 jovens, de preferência mulheres bonitas ou caravanas. Coloque uma figura carismática, de sotaque paulistano, para apresentar. Ah, não esqueça de deixar longe a inibição, qualquer mico é um pico de audiência. Faça o telespectador chorar, espetacularize, não importa se o convidado sofre. Faça o povo sofrer! Isso é tão lindo! Mas, se não der, pode colocar um barraco. Também rende muitos comentários, talvez até entre nos TT’s.

Violência sempre rende. Nos telejornais, mais do que a verdade. Aliás, qual verdade? A do canal X, do Y ou do Z? O público não decide nada, mesmo quando decide. É bom sentir que tem o poder nas mãos, não é? Soberania? Longe disso. Quanto mais “livres”, mais presos ao maquinário ideológico que vai te fazer pensar que seu voto fez a Cida ser campeã do BBB.

Nas novelas, mais do mesmo. Os mesmos atores, as mesmas histórias, até os nomes se parecem. Coincidência? Nos últimos anos, quantas vezes as palavras “vida”, “amor” e “coração” se repetem? Joga uma trilha sonora daquelas, e pode carregar na dose de Ana Carolina. Pronto!

O que falta? Pegue o controle, assista, não pisque, assista, sorria, chore, assista... Depois, quando sair de casa, fale e aja como o mocinho de Malhação. Volte para sua casa e assista mais, mais, mais... Não esqueçam que somos nós que movemos a máquina, somos nós, e apenas a nossa vontade, que sustentamos a televisão brasileira. Uma caixinha de sonhos, onde tudo acontece. Tudo mesmo! Valei-me, Santa Clara!


 IMAGEM: http://noticias.r7.com/blogs/fabio-ramalho/files/2010/09/midia-e-crise.jpg

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A carne




Maldita carne vermelha, nossa matriz e perdição. Esta que pulsa, bombeia e atrai, magnética involuntária do corpo em dois. Ou mais. Sempre quer mais, esta bendita fruta divina, esculpida por mãos divinas, com traços cruéis, violentos de tão comuns. Esqueleto cabide, mostruário, sustento. Maldita carne.

Carne que treme, no momento inesperado, na fração mais aguardada, no furor de uma paixão. Sentimento vivo, forte, rubro, escondido, mal disfarçado em pele, órgão. O nervosismo dos pesadelos ou o êxtase dos sonhos, tudo vibra, tudo é motor. Músculos contraídos e dilatados, movimento. Movimentos, andanças, tropeços, vida.

Carne que exala, sons e suor, sabores do corpo. Uma alquimia barata de toques e adereços, um conjunto de luz, olhar e sorriso, em meio a curvas ou retas. Carne molhada, vidas secas de luxúria, secas de viço, sedenta. Vitrine de espelhos, medos e esperanças, tudo ali, tudo aqui. Carne fraca.

Carne que chama. Pedaço de céu ou inferno, paraíso, perdição. Quando quente, arde nos olhos e na ponta dos dedos, arrepia. Pelos eretos, suspiros fustigados, como se a alma lhe fosse roubada, para depois entrar com violência. Somos todos reféns de um feitiço inexplicável, pois nossas janelas nunca se fecham.

Carne que engana. Faz mentir, faz mudar opiniões, cria interesses, até mentiras. Convencimento barato, pela chance de provar, pelo simples ter. Se veste de invenções para hipnotizar. Presas fáceis. Bobagens por um beijo, hipocrisias por um toque. Movidos pela paixão, por pior que seja, predadores jogam a isca, para conseguirem a caça fresca, com sangue fresco. Alimento.

Bendita carne vermelha, nossa matriz e perdição. 


IMAGEM: http://obagastronomia.com.br/wp-content/uploads/2011/01/DSC08756.jpg

domingo, 15 de janeiro de 2012

Sem querer




Sem querer, um olhar distante, um sorriso indiferente, um beijo sem toque. Grande ironia, montagem de um futuro sem chão, a ponto de ser levado pela correnteza, como apenas mais uma folha seca que cai da árvore, um dia frondosa, de um amor. Amor que cumpriu seu ciclo (im)perfeito. Nasceu, cresceu, se reproduziu, morreu.

Nasceu como água de chuva, que se acumula por um tempo, mas só é notado quando começa a ficar evidente demais. Nos tempos de faculdade, da maneira mais clichê possível. Quem nunca disse um “esses dois aí ainda vão acabar casando”? Ele era o rei, tinha os olhos do mundo voltados para o seu umbigo, rebelde, estrela. Ela, doce e forte, do tipo que evita devolver desaforos se afastando da babaquice alheia.

Cresceu. Cresceram juntos, aprenderam um com o outro, se tornaram mais fortes, mais humanos. Apaixonados por Direito, seguiram a mesma carreira, em uma vida que não se dividia em duas, o egoísmo não tinha espaço em meio a tanta necessidade mútua, a tanto querer bem. Um namoro que rompeu os limites de qualquer escrito ou lei de Deus. Noivos, casados, felizes. Os meses passavam

Reproduziram. Uma linda menina, Marina, com “a beleza do pai e o gênio da mãe”, como eles mesmos se divertiam em dizer. A luz da casa, a peça que faltava nesta família. Marina era a própria família. Eles já viviam reféns do tempo, poderoso instaurador do caos, com a mesma força que pacifica, tira tudo do lugar. Marina chegou como a salvação, o elo soldado da corrente, a escora. Nove anos de casamento, uma filha, muitas histórias, as mais recentes umedecidas demais. Folhas que se rasgam.

Morreu. Tudo aquilo plantado com afinco, a quatro mãos, secou e caiu. Um buquê, flores mortas. A beleza deu lugar ao marasmo e, de repente, alguém olha e vê o que, há um certo tempo, era a praga da lavoura. Rotina, talvez. A saudade se diluía na volta para casa, as últimas mensagens no celular não eram mais as declarações bobas de sempre. Todas as possibilidades eram plausíveis, menos a do fim. Adivinha só qual delas a vida escolheu pra esse casal?

Sem querer, um olhar aconchegante, um sorriso involuntário, mil beijos com tesão. A vida recomeçou pros dois, como manda o figurino destes novos tempos. Os lados se separaram, agora novas árvores serão plantadas, mais folhas nascerão, mais dois ciclos terão início. Novos amores que vão nascer, crescer, se reproduzir e... Pra quê pensar na morte, enquanto tudo recomeça, enquanto esse gosto de vida está fresco em nosso paladar? Sem querer, eles só querem reocupar seus pensamentos, suas vidas, suas almas.

IMAGEM: Google

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

No Bar do Parque





Ando por aqui, sob a chuva fina que precede um dilúvio, uma cidade que corre parada. Um corredor de mangueiras frutíferas e, de certa forma, perigosas, ao lado de uma grande avenida. Aqui, jovens, senhores e meninas cor de açaí brincam de desfilar, no bucolismo urbano dessa metrópole verde e acinzentada. Ali, no frenesi da Presidente Vargas, carros e ônibus caminham a passos curtos, infinitos, de um progresso que chegou sem chegar.

Paro por aqui, sento e peço uma cerveja. Míticas mesas do Bar do Parque, onde a boemia belenense sempre esteve em casa. Uma casa pequena, grande em tradição, gigante em histórias. Aqui, ainda sob a chuva fina, eu olho os prédios, encobertos por colossos de folha e seiva. Engrenagem para tudo isso girar e girar. Modernidade clássica, comércio quente, movimento.

Atrás de mim, a Paz. O Teatro magistral, palco de fotos amareladas, cenário por dentro e por fora. Turistas de além-rio olham para cima, como quem admira o céu. Nada, são só as colunas de entrada do templo das artes e da cultura. Belém é um templo. Carimbó, Siriá, açaí. Cosmopolita, Belém é bela, floresce entre rios, singrada pelo vento e pelo corte profundo nas folhas de seu passado.

Daqui eu vejo a pobreza em frente ao luxo. Daqui eu vejo a sujeira, arranhando a pintura parauara. Riqueza pobre, crescimento estancado nas feridas de uma cidade comum. Comum nas mazelas, nos desníveis, na miséria. Marcas, talvez o preço do desenvolvimento. Na cidade de vencedores e vencidos, quem ganha o quê? Ganha quem manda, nem sempre com talento e respeito.

Respeite quem puder! Aqui, no Bar do Parque, eu vejo a vida correr nessa metrópole amazônida, de um jeito só nosso. Aqui, ou em qualquer outro ali, minhas retinas guardarão a imagem do meu berço, minha raiz, meu sangue roxo. Nenhum chopp será mais gelado do que esse, nenhuma música soará harmoniosa quanto a música daqui. Nenhum outro pôr-do-sol como esse, nenhuma chuva como essa... Hora de ir, que Ela tá ficando forte.



IMAGEM: Sérgio Bastos (http://sergiobastos.files.wordpress.com/2009/03/bardoparque.jpg?w=450)


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Doze


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“Fim? É isso mesmo que devo esperar em 2012?! Há tanta coisa a ser feita... ainda não me formei, não casei nem tive meus filhos e ainda não fui ao show do Red Hot Chili Peppers! O mundo não pode simplesmente acabar, não é justo com nós, jovens, que não vivemos nem metade daquilo que sonhamos. Nesse ano me permitirei mais, direi mais eu te amo, desculpa e foda-se (porque ninguém é de ferro). E assim viverei esse ano, na esperança que não acabe a minha vida antes que possa realmente começar.”

Dinazilda Silva,20.

“’A amizade é quando dois corpos dividem a mesma alma" ou assim uma vez me ensinaram. Mas esta eu acho que é uma definição meio vaga. Não sei se quero um amigo que tenha a mesma alma que eu. Quero um amigo que me brigue, que seja sincero, que me avise quando eu estiver errado, que esteja lá para mim e que tenha a sua própria personalidade. É por isto que amamos nossos amigos. Amamos por que eles são ousados e irmão. São criativos e diferentes. Se são de verdade, são para sempre. E admita: o que seria da gente sem essa família que podemos escolher?”

Ana Carolina Souza, 21.

“Quem sabe a paz faça parte do fim, quem sabe o que mais buscamos esteja justamente no lugar que mais tememos chegar, quem sabe seja tudo um sonho e vamos acordar em um novo tempo, em uma nova vida e ela vai estar lá. Ou quem sabe seja só ilusão. De qualquer maneira, nós a esperamos. Sim, quem sabe neste novo ano ela nos presenteie com sua alva presença em cada ato, em cada palavra, em cada abraço.”

Thaís Siqueira, 21.

“Como sugeriu Paulinho Moska na música O Último Dia, em 2012 eu espero reunir meus amigos na minha sala - que torço para que nunca esteja vazia.  Aos amigos que não moram mais por perto, espero que os raros e rápidos encontros sejam ainda mais divertidos e memoráveis e que eu nunca me esqueça dos amigos que há anos fazem do meu mundo um lugar melhor. Que os novos encontros sejam em 2012 tão bons ou ainda melhores que em 2011, cheio de pessoas com brilho próprio, com vontade de viver e de me fazer rir. Porque se o mundo realmente acabar em 2012, quero ter a certeza de que encontrei quem eu gostaria, sem ter saudade do que eu nunca tive.”

Mariana Almeida, 22.

“Mais um ano bate em nossas portas, e com ele além da mudança no calendário, também se renovam nossas expectativas para tudo o que almejamos. E por mais difícil que tenha sido o ano anterior, não deixamos de ter fé. Não deixamos de acreditar que coisas boas virão e que elas conseguirão apagar as más que passaram. Mas se por algum motivo perdestes tuas esperanças, renove-as, pois talvez essa seja tua última oportunidade de fazer um pedido.”

Amanda Campelo, 17.

“Pensamos que a família é apenas aquele grupo de pessoas com o qual temos alguma relação de parentesco, mas não, ainda existem alguns seres que também são nossa família. Aquelas pessoas que estudam conosco também são. Aquelas que começamos cumprimentando com ‘oi’, depois com ‘olá, colega’, e ‘fala, amigo’, até chegarmos ao mais alto grau e dissermos ‘Bom dia, Filho da p*ta’ (Não estou usando palavrão, pois não estou em casa e devo ter bons modos...) esses malucos que amamos, também são ‘parentes’. Pensei que esse ano não acharia pessoas assim, mas achei. Que bom. Hoje, não me imagino mais sem eles. Esses 4 anos (que já são 3) vão passar muito rápido e temos que aproveitar os nossos amigos, ou seja, a nossa nova família.

Carlos Fernando Pinheiro, 18.

“366 quilômetros rumo a algum lugar distante. Haverá tantas pedras no caminho, que mais parecerá uma construção civil. Mas é isso que este longo percurso é, uma construção. Esta que permite erros, risos, acertos, comemorações. Um metro de cada vez, um centímetro fazendo a diferença. Apertos de mãos, mágoas deixadas para trás. Pensando não mais no que passou, e sim no que virá. Pensando alto, pensando longe. Não tendo esperanças de que um dia a vida será boa, mas confirmando que todos os milímetros andados até aqui valeram cada gota de lágrima e de suor. E em um futuro próximo ou distante, tanto faz, chegando ao tão sonhado destino. Destino inventado e feliz, acima de tudo.”

Camila Miranda, 17.

“Vai acabar, né? Temos 366 dias e o dever de fazer com que eles sejam os melhores de nossas vidas. 2012 chegou, mas não como todos os outros anos que vieram e se foram, ele é especial por ser o último. Então, nada de guardar rancores e mágoas, eles ocupam muito espaço no coração e fazem com que o amor fique do lado de fora. Nada de guardar lembranças tristes, elas ocupam muito espaço na memória e ofuscam o brilho que a alegria traz. A palavra de ordem em 2012 é diversão! Seja como for, com quem for, onde for, o que importa, de fato, é estar bem e feliz com você e com os outros. Eu tô pronta pra começar, e você?”

Raíssa Bahia, 20.


 “Eles dizem que vai acabar. Mas eu não me importo com o fim. Eu me preocupo mais com o que não vou ter, com o que vai me fazer falta. Quero que tudo vá para um mesmo lugar, no fim – se é que vamos pra algum lugar depois dessa vida. Eu quero poder ter medo de sentir saudades do que é meu, do que me pertence. Eu me apego de tal forma que dói ver partir, não ter mais. E se realmente acabar, a saudade vai ser o pior sentimento de todos, mesmo que eu não vá sentir mais nada depois que tudo isso acabar.”

Renan Mendes, 18.

“É o último ano, segundo dizem. Sim, desta vez não haverá sucessores. Assustado? Não fique. Um dia veríamos o fim mesmo. Ao invés de se preocupar, concentre suas energias em fazer algo realmente válido: Amar. Sim, esse é o momento perfeito para abrir mão de seus temores e opiniões tolas sobre o amor e, enfim, conhecê-lo. Se você já o conhece, estreite seus laços com ele. Ame mais, seja amado. Não ligue para o que vão dizer, apenas ame. Afinal, o que você tem a perder? Se este for de fato o último dos anos, terás o orgulho de dizer que amou enquanto havia tempo. E se não for, poderás amar sem se preocupar com o tempo. Ame, pois a vida pode ser breve, mas o amor é eterno.”

Robson Heleno, 21.

“E agora? O que vai ser de mim? Que lutei a vida inteira por esse sonho que será interrompido antes mesmo que eu possa aproveitá-lo. Depois de tanto fraquejar e não desistir, depois de vencer todas aquelas batalhas, ter de abrir mão de tudo o que mais desejei. Não é certo! O que me reconforta é saber que o fim está próximo, não só para mim. Egoísmo né? Eu sei, eu sou assim. Vendo por esse lado parece tudo mais correto, mais justo...”

Rhuanne Pereira, 20.

“Há muitos desesperados por aí, gritando como loucos e revelando segredos de uma vida inteira, por achar que esta é a última linha da última página da História. Há muitos indignados, perplexos com a idéia de que tudo vai terminar sem suas pobres listas de obrigações estarem riscadas por completo. Chamam de injustiça o fato de o tempo não ter esperado por eles. Ora, essa tal justiça não existe, nunca existiu. Tudo não passa de pontos de vista, ou, se preferirem, egoísmo. O que é certo ou errado, pra mim, sou eu quem busco. Sempre foi assim. Vai ser até o fim.”

Gustavo Ferreira, 19.

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Que os Maias estejam errados, mas vai que eles acertaram... Para estas doze pessoas, doze meses mais para viver, mudar, sentir, fazer... Como no ano passado, o Etc abre seus trabalhos em 2012 com palavras de amigos leitores (inclusive eu mesmo), uma forma de agradecer seus comentários, suas divulgações e suas simples visitas a um dos meus textos. 2012 começou e, seja lá quando terminar, esse blog vai seguir firme e forte, até o fim. Do ano ou do mundo.