quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Tim tim




Essas festas da high society... Todos se preparam com semanas de antecedência, esperando mais uma “noite do ano” na cidade. Ser convidado é honra, fazer parte é luxo. Quem gostaria de perder um evento de tamanho garbo, com gente bonita e elegante. Com seus ternos e vestidos alugados, os presentes trazem no linguajar um refino admirável, e capricham na finesse. Salve simpatia!

Chegam ao salão de recepções como se estivessem no Kodak Theatre. Seguranças por todo o lado, cerimonialistas, boa noite, boa noite. Câmeras, fotos, vídeos, seus primeiros passos registrados para sempre. Afinal, você é um dos poucos homenageados com o convite, com a chance de estar lá. Você é a elite. Sinta o gosto, seja leve e sorria. Não pergunte nada. Apenas sorria.

A aniversariante lhe aguarda, ao lado da família, orgulhosa pela grande festa. Quem disse que ela precisa saber quem você é? O inverso também se aplica. Ora, de quantos dali você realmente se lembra? Não interessa. Fale com todo mundo, seja polido, finja ser popular, faça o outro pensar o mesmo. Aliás, nada mais apropriado para uma ocasião como essas do que parecer qualquer coisa.

Requinte é isso! Aqueles mesmos quitutes regados a muito refrigerante de segunda e molho rosé. Como dispensar o camarão empanado, o rissole de carne e aqueles canapés azedinhos. Confesso que dá vontade de levar muitos para casa, e que até acho fazer parte do jogo levá-los. Na bolsa da mãe, nos bolsos do paletó, um rega-bofes de primeira. Bebidas variadas, tios variados.

A música é um caso a parte. Festa jovem,com hits anacrônicos, de cinco anos atrás. Parece que você voltou uns cinco anos no tempo, e voltou a curtir músicas do tempo em que você era jovem. Mas todos dançam, curtem, se jogam na pista de dança. Inclusive seus pais. ABBA, Bee Gees e Gloria Gaynor fazem a festa dos mais velhos, enquanto os seus rebentos exercitam seus dotes de sedução pré-adolescente na boate, obviamente longe de papai e mamãe, que nem devem estar ligando tanto assim para eles.

O tempo passa, a valsa termina. Os meninos, os padrinhos, a chuva de emoções engarrafadas de quem vê mais do mesmo. Mas depois das homenagens mil, cafonices e máscaras são deixadas sobre a mesa. Sirvam-se! Damas da alta sociedade se transformam em leoas famintas, enquanto os homens constroem prédios de filé e fagia nos pratos rasos da infâmia. Comem, se empapuçam com tanta fartura. Falta verdade na compostura artificial de quem só quer se fartar com tanta comida boa.

E depois de tanto agito, entrando pela madrugada, cercada de estrelas, flashes e encenações, é hora de ir. Depois de sentir o aroma entorpecente da burguesia elitista, tão perto e tão longe, você volta para sua casa, como se nada tivesse acontecido. Na segunda-feira, você devolve as roupas alugadas, olhará as fotos da festa com certa nostalgia, e só. Na terça-feira, você já esqueceu. E tudo volta a ser a sua vida de antes. Um brinde à realidade!


IMAGEM: http://4.bp.blogspot.com/-DVsEUlxmKtY/TqsFZkfdcxI/AAAAAAAAAbQ/ToZjG4k4BIc/s400/champagne-espumantes-festas-bebida.jpg

Nenhum comentário: