sábado, 10 de dezembro de 2011

Recauchutagem


Mudança. Alguns tremem só de ouvir esta palavra. Outros aguardam por ela ansiosamente, como quem dela precisa para viver. Sim, às vezes é muito complicado querer outra coisa, quando o que lhe enche as mãos é tão gratificante, tão especial. O certo pelo duvidoso assusta. Acreditar no fim de tudo, mais ainda. O fato é: inevitavelmente, tudo muda. E o legal disso tudo é que, quase sempre, somos nós mesmos que decidimos o quê e quando isso irá acontecer.

Você nasce pequenino, cresce, ganha pelos, secreção, hormônios, isso é biológico. Fisicamente, só se nos mutilarmos (e eu incluo as cirurgias plásticas na categoria de mutilação) deliberadamente, para que haja alterações. Cabeça, meus caros, é por nossa conta. A nossa vida também. Grande é aquele que aceita sua condição volátil, pois sofre o menos possível quando precisa passar adiante.

O próximo passo, ah, o próximo passo! Como é complicado sair de um chão firme, rumo ao desconhecido. Dá um certo medo, até para os mais desbravadores. Curiosos, eternamente, nômades de espírito, incontroláveis por muito tempo. Tudo é novo para eles. Mudar é premissa, não necessidade. Guardadas as (não raras) exceções de quem exagera neste joguinho, e cansa rápido demais da brincadeira, a maioria entende que a vida é uma oficina.

Somos as máquinas. Envelhecemos, e precisamos de uma revisão, com o prazo que você mesmo estipula. Como identificar esse prazo? Basta se olhar no espelho, e responder a simples pergunta: “tá bom assim?”. Qualquer manifestação, como um franzir de testa, é sinal de que, ao menos, já se deve tentar mover uns pauzinhos, trocar o óleo, mexer na lataria, fazer um check up. Recauchutar.

Parados não podemos ficar. Inoperância, excesso de esperança. Se Gandhi disse que nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo, acreditem, ele tem razão. O que custa arriscar, buscar mais do que se tem? Pode custar uma amizade aqui, um amor acolá, mas quem sabe procurar, nunca ficará sozinho. O que você quer está ali, sempre está. O mais difícil não é achar. É o correr atrás.

Não consegue mudar? Acontece. O passado, e até mesmo o presente, podem te acorrentar a mesmice de uma rotina degradante. Os medos, as dúvidas, as pessoas de um hoje, por mais chato, por pior que ele seja, ainda têm o poder de empatar a evolução natural. Mas aí sempre chove, uma onda passa e leva, te leva, ao próximo porto. Naquela hora de pegar a estrada, muitos levam uma mala cheia de recordações, cheia de sua própria vida. O problema é quando a mala é pesada demais, até para a força do seu ímpeto.


Um comentário:

Bruno Eleres disse...

Interessante. Concordo com quase tudo o que foi dito, ainda que acredite que muitas mentes sejam biologicamente limitadas x_x Mas foi escrito de uma forma tão interessante que isto sequer importa de fato.

Passo para deixar link para o meu blog, no qual posto alguns de meus contos. =~

www.memorias-desnudas.blogspot.com