sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A árvore


Desencaixo, abro sacolas, arrumo a sala, monto minha árvore. Dezembro, hora de repensar na decoração da casa e no ano que acabou. Será que fomos crianças comportadas, que merecemos os presentes que pedimos? Será que Papai Noel vai ver nossas meias na janela? O que será que eu fiz? Por via das dúvidas, deixa eu criar meu mundo de plástico, cores e fantasia natalina, para meus olhos levarem um pouco de paz ao meu espírito. Sempre funciona.

Então, eu começo a enfeitar a minha pequena árvore de Natal. Nela, eu penduro um relógio, pra nunca esquecer que o tempo não pára, ou pra pedir que ele corra devagar nos momentos felizes que virão. Os minutos mais difíceis, que eu aprenda com eles, mesmo sendo dolorosos. As horas alegres, que eu compartilhe com aqueles que me querem bem. Que eu conte meus dias a partir de um sorriso, que o despertador não se atrase, não me atrase, e que eu saiba usar esse tempo a meu favor.

Eu também penduro uma clave de sol, para que a trilha sonora dos próximos meses seja a mais bela possível. Sejam gritos de exaltação, sejam soluços de um choro incontido, até mesmo o silêncio. As batidas de um coração, o acelerar de uma emoção, as notas de uma sinfonia que eu só posso compor para alguém ouvir. Nem que seja apenas eu. Que a minha voz ecoe quando necessário, que eu me cale na hora certa.

Na minha árvore, fotos da família, de amigos, de ídolos. Os três podem ser um só. Fotos, pra eu nunca esquecer de quem me dá apoio, carinho, vida. Mesmo os que me criticam, que eu saiba recebê-los, guardando o que puder de bom. Olhar nos olhos das pessoas mais queridas, ver nestes olhos uma solução, uma chance, ou apenas um abrigo. Fotos para saber que, a qualquer hora, eu posso precisar deles. E que eles também saibam que podem precisar de mim. Imagens que me façam olhar para trás e sorrir, por não estar desamparado.

Ah, quase me esqueço. Faltam espelhos. Espelhos, para que eu saiba quem sou, para que eu possa tirar um minuto que seja, só para olhar nos meus próprios olhos. Eu tenho que saber meus limites, tenho que saber quem sou. De preferência, nunca esquecer disso. Quero ver a gana no meu rosto, quero ter suor escorrendo pela minha testa, quero ver o sangue das minhas veias, pulsando, funcionando. Se um dia, por algum motivo, eu pensar que sou outro, que eu volte e me olhe novamente.  Espelhos que reflitam meus desejos em mim.

Para terminar, luzes. Muitas luzes, de estrelas incandescentes, que me cerquem, me guiem. Luzes para mais uma caminhada. Luzes que brilhem em meus olhos, luzes fortes, de cada mão estendida, de cada abraço sincero, de cada beijo de amor. Um ano iluminado, nos estudos, na carreira, na família. Um ano iluminado, ao seu tempo, com a sua trilha, suas lembranças, seus reflexos e reflexões. Um ano de luz.

IMAGEM: http://scienceblogs.com.br/100nexos/files/2011/08/arvore_natal_universo.jpg

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Com este texto, eu desejo a todos os leitores do Etc um Natal mais do que iluminado. Que suas árvores simbolizem seus desejos de prosperidade, de sucesso, de um futuro sempre melhor do que o presente. É essa a nossa maior dádiva: nunca deixar de acreditar. Feliz Natal a todos vocês!




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