quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Os outros




Olha lá, gente! Isso, olhem! Guardem todas as suas palavras, seus julgamentos todos para os dois. O mais novo casal da escola. Como eles são bonitos, como eles combinam. Que lindos! Uma vida perfeita, sem nenhum problema, afinal de contas, apenas eu sofro, e todo mundo sabe. Eu fiz questão de esconder?

É, gente, vejam isso! O destino é irônico demais. Eu erro, enfio os pés pelas mãos, viro o assunto do momento, quero me enterrar no chão, ou melhor, quero mostrar que estou bem, e justamente agora parece que eu ganhei da vida uma chance de sair dos holofotes. Tudo o que eu quero, preservar minha imagem da visão sentenciosa dos outros, já que não consigo salvar minha reputação de mim mesmo.

Olhem pra eles dois agora! Felizes, feitos um para o outro. Infelizes! Não, eles não podiam, eles não tinham o direito de pisar em mim, como se eu merecesse ser punida pelas burradas que cometi. Mas, já que agora eles são O Casal, nada mais justo do que ganharem a atenção exclusiva da imprensa marrom que cerca a minha vida.

Não olhem mais pra mim! Sei que é sádico pensar nisso, e também pode ser divertido demais. Cutucar o passado alheio dói tão menos, se dói, do que fazer isso com a gente mesmo. Não custa nada colocar lenha, acender a fogueira e queimar a grama verde do vizinho. Eu não consigo acertar com quem devo, não sei lidar com meus próprios sentimentos? Então me deixem brincar um pouquinho, vai.

Comentem, falem, espalhem isso! São eles que devem ter discrição. Eu não ganho nada com isso, só perco. A chance de ter um assunto na roda de amigos, que não seja você, é bem mais instigante. Perder minutos preciosos falando do outro, tentando destruir a estabilidade que tanto invejo, que não consigo criar, destilar o veneno reverso da minha infantilidade, tudo isso me alimenta.

Não é legal olhar pra eles? Diz a verdade, será que há passatempo mais divertido do que espalhar a intriga, jogar no ventilador o que nem existe, trazer pessoas e sentimentos a um ringue imaginário de puro entretenimento gratuito? Showzinhos na internet, indiretas bem diretas, tudo isso e mais confetes, isso aqui tá calmo demais com os outros. Chega de ser o centro, o que eu quero mesmo é ver o circo pegando fogo! Só deixa eu sair antes, pra assistir de camarote.


IMAGEM: http://3.bp.blogspot.com/_2LKysbC-sE0/TGlANo39KFI/AAAAAAAAA6k/xQ56ryQmVDE/s400/fotoN_fofoca02.jpg

2 comentários:

Robson H. disse...

Temática interessante Seu. Eu-lírico feminino...curti! ^^

Tikita Santos disse...

Tu tens a incrível capacidade de externalizar teus sentimentos através dos textos. Parabéns Gus.