sábado, 29 de outubro de 2011

Paradise




O belo nos parece quando o ego apetece. Conforto para os olhos, para a alma, a perfeição utópica que só existe para nós tem várias faces, diferentes sabores, perfumes e toques de prazer. Sim, meu caro! Tudo é ponto de vista neste mundo-cão, ninguém é são, ninguém não é. O sol pode apenas queimar a sua pele, e render um livro para quem o recebe melhor. Uma lágrima é alegria ou tristeza, para a inconstância humana.

Lugares. Qual é o melhor para você? O seu refúgio, seu paraíso, real ou imaginário, onde imaginar parece pouco, perto da liberdade intensa, que vem como brinde às nossas pretensões de adolescente. Um lugar onde seu suco de uva volta a ser água com gás, e a terra não dá micose nem coceiras. Um lugar onde o céu está sempre mais perto, tão perto, a ponto de as nuvens ficarem ao alcance das mãos, e as estrelas como alças para uma escalada rumo à felicidade.

É onde as pessoas não são mais do que pessoas. Onde não devem ser. A realidade é cruel, transforma uma vida em responsabilidade, em cobrança, quando essa vida poderia ser apenas uma linda companhia, um sem propósito motivo de amor e dependência. No paraíso, as nossas vontades não arredam as alheias dos seus lugares, e o livre arbítrio finalmente se torna livre.

O tempo passa como uma brisa marota, passeando pelo rosto, pelos traços, pelas vãs filosofias do saber popular, do que as enciclopédias não nos ensinam. O Manual da Vida não vale para quem escolheu passear pelo mundo que criou. O devaneio está para a realidade como a água para o óleo. Os dois se tocam, se parecem, mas nunca se misturam. Neste paraíso, seja de brigadeiro ou de alface, a grama se come, as paredes somem, os desejos viram ordens.

Neste pedaço de sonho e fantasia, os desejos são verdade. Problemas? Não! Que fiquem aqui, reservados aos inocentes, vitimados pela mortalidade física. O castigo de quem não sonha é, simplesmente, o nunca ter. O paraíso em si já é uma vontade, e nele, ninguém chora por falta de nós. Nem nós mesmos. Lá eu posso viver o que sinto, sentir o que quero, querer o que não tenho. Lá eu posso caminhar de mãos dadas com o conhecido, ainda desconhecido ao meu coração.

Quem vai saber onde está o seu paraíso? Quem tem o mapa? O que diabos é o paraíso? Que me perdoem os que acreditam em vida após a morte, mas o meu paraíso é criação da minha própria vida, reflexo invertido do que sou, do que dizem que sou. Quem sonha com seu pedaço de ilusão nunca estará sozinho. Se perde, e que se perca, no mundo proibido, cujo caminho só conhece quem o constrói, e cuja chave só ele possui. Ou a joga da janela, para nunca mais sair da prisão de marfim, que está sempre à nossa espera. 


Foto: Gustavo Ferreira (nov/2008)

Um comentário:

Raíssa Bahia disse...

A alegria de viver é ter a certeza de que o paraíso é bem mais do que se espera!