quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Cartas de Brasília


Oi, mãe!

Antes de mais nada, deixa eu dizer que eu tô bem, fica tranqüila. Eu sei que eu deveria ter dado mais notícias, e que eu demorei um pouco mais do que o combinado pra voltar, mas é que tanta coisa aconteceu nessas férias. A senhora tá sentada? Acho melhor sentar. Do jeito que a senhora é, nem sei se vai conseguir ler essa carta até o fim.

Pra começar, Brasília é uma cidade linda, mãe! Poxa, acho que foi a melhor viagem da minha vida, obrigado mesmo. Aquelas ruas sem nome, a Esplanada, a casa do Presidente, tudo muito bacana. Ainda não conheci a Catedral, e eu sei que é pecado não ir até a igreja. Mas lhe prometo que não volto pra casa sem passar lá antes.

Agora, mais legal do que esses prédios bacanas, só isso aqui a noite. Eu e minha guitarra já fizemos muitos amigos por aqui, e rápido. A senhora conhece minha simpatia, vai! Do jeito que falo, falo, falo... Enfim, eu me encontrei nos bares de Brasília, pelas ruas. É, mãe! Pelas ruas. Mas eu tomo banho, troco de roupa, nem deixei meu cabelo crescer... Muito. Acho que a senhora e o papai ainda me reconheceriam.

Nem bebi demais nesse tempo, nem usei drogas. Prefiro economizar a mesada que o papai ainda me manda. Ouvi dizer que ele cortaria minha grana. É verdade? Se for, não mostra essa carta pra ele, por favor. Segredo nosso, pode ser?

Agora eu acho que tem uma coisinha que a senhora não vai gostar muito de saber. Eu também me envolvi com muitas garotas por aqui, daquelas viciadas em Legião e em caras de olhos verdes. Tenho culpa de ser tão bonito e talentoso? Ó, eu uso camisinha, tranqüilo, relaxa. Só esqueci uma vez... Agora a doida apareceu grávida, dizendo que o filho é meu. Mas não é, pô! Naquele dia eu nem tava tão inspirado assim...
 
Olha, agora eu vou sair. A galera da banda tá me esperando pro show, logo mais. É, agora eu tenho uma banda. Faz sucesso, a gente tem até fãs. Eu disse que iria fazer sucesso um dia!!! Depois eu lhe mando uma foto minha, mais recente, pra matar sua saudade. Só não repara, não! Eu já não uso mais topete. Nem gel no cabelo.

Manda um abraço no velho, e diz que eu vou voltar. Ele já esperou 11 meses, o que custa esperar mais uns 3 ou 4? 


Foto: Agência Estado

Um comentário:

HENRIQUE GAMA disse...

super legal esse texto tenho parentes em Brasilia e tem algumas parte do texto que retrata a vida deles que passaram por lá gostei muito .. vlw.