domingo, 11 de setembro de 2011

Em setembro


Em setembro eu vejo o quanto nós todos somos nada, o quanto as certezas que nos empunhavam deixam de ser verdades. O que é a verdade? Nada do que foi será... Em setembro a casa vira do avesso, o avesso de tantas vidas cruzadas, como eternas amigas. Ninguém reconhece ninguém, ninguém confia em ninguém. As dúvidas nos fazem pensar, pensar e mudar, mudar o pensar. O que move o mundo, em setembro, são as lembranças. Memória viva, que ainda sangra, que ainda dói, pois são o espelho, o resquício do que fomos e fizemos um dia. As cicatrizes estão em nossas peles, como se fôssemos responsáveis de todas as desgraças por aí. E não somos? A culpa é inerente a nós, sentir esta culpa é ato de humildade, grandeza, perante o que restou de tudo. Réus e vítimas, culpados e inocentes, todos somos, se o sistema faz o que quer. Nós somos o próprio sistema. Quem pode nos defender de nós mesmos? Em setembro, tudo sai do seu lugar, tudo volta a machucar, o que parece deixa de ser. Compreensão, respeito, humanidade, história. O futuro, aquele amigo de infância, passa por nós, diferente demais do que um dia foi. Repetindo os mesmos erros, este setembro pode se repetir a qualquer hora, seja março, outubro ou fevereiro. Enquanto isso, nós voltamos a viver o que temos, do mesmo jeito que vivíamos antes daquele setembro: sem saber o que ainda vem pela frente.