quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Quem desce pro play?



Como as coisas são engraçadas. É muito fácil sair contando piadinhas por aí, gozando da cara das pessoas, fazendo comentários idiotas em cima de comentários idiotas, e ainda achar que está alcançando o ápice da popularidade. Claro, afinal de contas, o piadista, o engraçadinho, sempre pensa que esse é o melhor caminho para se tornar o “legal”, o “descolado” da turma. Mal sabe ele que esse caminho, na verdade, pode ser o atalho mais rápido para a babaquice.

E esse não é o mais engraçado. Grande parte destes seres, quando recebem o troco, ou seja, quando deixam de ser os gozadores, e passam a ser vítimas, não aceitam. “Imaginem só, se eu, que apelido todo mundo, vou aceitar que tirem com a minha cara! Faça-me o favor!”... É, o jogo vira. Quem apontava o dedo, hoje é alvo. E agora? Será que eles realmente sabem brincar?

Legal. Vamos, então, tirar essas brincadeirinhas do campo das idiotices. Ou nos colocar nele. É absolutamente normal, terapêutico, diria, tirar uma onda com seus amigos. Quem não faz, ou quem nunca o fez? Faz parte do chamado bom humor. Quem o tem, economiza tempo, rugas e muita disposição em desgastes sem um pingo de motivo. Olhar a vida com graça, aproveitar o sorriso que Deus pôs em seu rosto, é obrigação, é motivação.

Mesmo besta, uma pessoa pode manter o respeito entre os demais. Há quem viva disso. Porém, há uma coisa que, para alguns, não é respeitada. LIMITE. O coitado não recebe um pingo de carinho, consideração, é só ignorado. Uma piadinha leva a outra, mas até quando o sabor desse chiclete perdura, na boca de quem masca, ou melhor, de quem fala?

Lá voltamos ao pecado dos mais comuns de todos: o excesso. Se eu te faço rir, causo certa repercussão no Twitter, minha vaidade não me deixa parar. Não, se ela for maior que o bom senso. E muitos não estão preparados pra admitir que não sabem parar. Mais do que nonsense, esse indivíduo se torna o bobão, o inconveniente e, por tabela, acaba frustrando-se em seu principal objetivo: ser popular.

Não tanto. Afinal, popularidade nem sempre é sinônimo de algo bom. E é justamente a falta de simancol o que faz do engraçadinho um tanto quanto mal-humorado, quando alvo. É aquela história de brincar e saber brincar. Não são a mesma coisa. Até porque, pensando com cuidado, esse tipo de gracinha, chula, ofensiva, não tem nada de engraçado.

Rir é bom, e rir de nós mesmos é uma dádiva. Com tanta sujeira por aí, nossos olhos provam que ainda são capazes de se abrir para o que existe de bom, nem que isso seja apenas um jeito diferente de ver o igual. Mais do mesmo, talvez, dependa de nós para deixar de ser. Agora, o seu quadrado só vai até onde começa o quadrado do vizinho. Cuidado, se você não pensou que, um dia, pode ser você o protagonista da piada dele. Vai que você não gosta do sabor da pimenta, que, nos outros, é refresco.

IMAGEM: http://narizpalhaco.zip.net/images/DSC04529.JPG

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