segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Meu mal querer




Ah, o amor! Ele fascina, envolve, quando você vê, ele já viu você, seguiu você e, num passe de mágicas, capturou você para um mundo maravilhoso, cheio de carinhos e afeto, uma vontade louca de nunca mais largar. Sentimentos que revigoram, deixam tudo mais azul, menos escuro, e que, inexplicavelmente, faz dos olhos grandes poços de brilho e cetim. Ah, como é bom ter um grande amor!

Eu sei. Depois dessa verdadeira ode, alguém pode se perguntar : o que diabos esse título tem a ver com um texto tão romântico?

E quem disse que esse texto será romântico?

Acho que, sinceramente, estamos repetitivos demais, quando falamos, escrevemos, idealizamos. Não falo apenas do amor, mas nós, escritores, poetas, jovens românticos, acabamos desgastando a imagem das coisas boas, de tanto que as expomos. Por ser mais fácil, ou mais bonitinho de ler, tanto faz. A verdade é uma só: poucas vezes se fala do lado negro da vida. A não ser em ocasiões especiais e em críticas políticas. Elogiamos a amizade, mas por quê não botamos os inimigos em primeiro plano, sem necessariamente estar falando mal deles? Por quê não falamos bem de falar mal?

A importância de preservar idéias ruins é tão grande quanto o contrário. De algum jeito. Pois, se não fosse desse jeito, um conceito entranhado em nossas mentes simplesmente deixaria de ter sentido. Aquilo que chamam de maniqueísmo! Sim, o certo e o errado, o bem e o mal... Se as coisas são colocadas para nós – e por nós – nesses termos, vamos tentar juntar isso com outra máxima do universo, que a natureza nos ensinou. O equilíbrio.

Mas nós teimamos em deixá-lo de lado, privilegiando o altruísmo, a bondade, a paciência, e blá, blá, blá... Lembrem-se que o derrotado é quem torna as vitórias mais importantes, e que tudo depende, justamente, da face podre que tem. Assim como precisamos amar alguém, nós precisamos odiar alguém. É fato. É equilíbrio. O pneu furou? Ora, trocar pneus pode ser um aprendizado muitíssimo útil. Seu time perdeu? Pode ter sido para ajudar outro. Quem te inveja não te faz mal, até que você permita. Nunca enxote seus inimigos! Eles são mais úteis do que você imagina.

Idealizando um mundo onde não haja crueldade, corrupção e infidelidade não leva ninguém a lugar nenhum, além de suas próprias bolhas de chiclete, que a realidade faz questão de estourar, na primeira chance. E quem vive dentro dela cai. Simples. Nós devemos conhecer o que nos faz mal, e saber que deve haver em cada um de nós um quartinho, pronto para receber esses visitantes indesejados.

Você mesmo! É, você aí, que está chocado com tamanha ofensiva pró-maldade! Eu não quero te assustar, mas... Você é mau. Todos somos. O que torna um mais perigoso que o outro é apenas o que nós deixamos prevalecer. Se, ao escolher a gaveta que devemos abrir, nós decidimos pela errada, que seja. Pior será para quem olhar e, com medo nos olhos, exclamar: “Nossa! Que pessoa terrível!”. Por favor, vamos deixar a hipocrisia de lado e vamos enxergar a humanidade como ela é! E ela é má! Não existe céu de brigadeiro, nem vampiro bonzinho, nem Papai Noel. Não existe perfeição.

E quem pensar que eu estou defendendo que devemos largar o bem, nos rebelarmos e sairmos quebrando tudo por aí, já que ser mau é legal, apenas um aviso: ACORDEM! Eu não disse que ser bacana é abominável. Muito pelo contrário. Eu defendo e luto por uma sociedade mais compreensiva, mais humana e segura para todos. Mas com uma diferença em relação a você...

Eu vivo no Planeta Terra, e sei muito bem as regras desse jogo. As pessoas mentem, os computadores travam e, infelizmente, as músicas nem sempre são boas. Fazer o quê? É fácil. Entenda. Entenda que tudo tem dois lados, entenda que as pessoas devem ter quem detestar, devem saber perder, devem conhecer o outro lado do muro. Assim fica mais fácil de valorizar o que é bom de verdade.

IMAGEM: http://1.bp.blogspot.com/_qrCvfDkQuKc/SUwETVD1JEI/AAAAAAAAAIM/vd6yyxDKg88/s400/amor_odio.jpg

Um comentário:

Robson H. disse...

Muito bom! Sinceramente, nunca tinha parado pra pensar sobre isso...quem sabe um dia eu escrevo alguma história com essa temática...só espero conseguir fugir do óbvio tão bem quanto o sr.
Valew irmão.