quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Construção


Qual palavra seria o melhor sinônimo para relacionamento? Com certeza, 90% das pessoas que ouvem esta pergunta soltam a resposta mais batida de todas: “amor”. E talvez elas não estejam completamente equivocadas. Não estão. O sentimento é bonito, é unânime, é necessário. O alicerce de qualquer casal é o amor, e disso eu não duvido. Agora, deve haver algo sobre a base, para ser sustentado não apenas pelo amor. Aí a gente pode listar um dicionário inteiro...



Companheirismo. Estar perto o máximo que ambas as paciências suportarem. Não, os dois não precisam se tornar irmãos siameses, basta que eles aproveitem as oportunidades, algumas vezes raras, de se encontrar. Aproveitar como se fosse a última. Compartilhar momentos, amigos, prazeres, vícios. Manter sempre viva a vontade inerente, quase vital, de querer estar junto, nem que seja para jogar conversa fora. O mais simples toque pode salvar um dia.



Demonstração. Ah, talvez um dos mais complicados, e pelo motivo mais banal: somos diferentes. Ora bolas, se não fossemos, não seríamos indivíduos, e sim mimetismo entediante. Fazer o outro entender que o fato de não ligarmos todos os dias, o dia todo, não é displicência, e sim um traço congênito, pode ser mais difícil do que imaginamos. Nada que não possa ser mudado. Quando notamos que pode ser nocivo, ainda temos sorte. Não foi tarde demais. Poderia.



Adequação. Os opostos se atraem, mas uma pessoa tem mais inteligência do que um ímã. Saber quando mudar, principalmente por que mudar é vital para qualquer relação ir longe. Antes que nada mais possa ser feito, muita coisa pode. Pequenos vícios que se tornam o veneno, destilado involuntariamente por você, contra seu próprio corpo. Contra seu próprio coração.



Respeito. A distância nunca pode ser desculpa para nenhum desvio de conduta. A liberdade, em um relacionamento, tem que ser espontânea, de ambos os lados. A liberdade, em um relacionamento, deve prender. E o respeito é um exercício diário de caráter, de honestidade e, acima de tudo, de confiança. É hipócrita todo aquele que enche a boca para dizer que crê 100% em alguém. Não precisa. Basta que um acredite no outro o máximo que alguém pode acreditar em outra pessoa. E confiar no outro é, simplesmente, confiar em si mesmo.



Tesão. Em todos os sentidos da palavra. A chama que nunca deve apagar. Como eu já disse aqui, a vontade de estar perto, de dividir o prazer e a dor, o sorriso e as lágrimas, sem nenhum motivo aparente. Apenas pelo fato de olhar nos olhos do amado e poder dizer, ao vivo, um “eu te amo”. Nenhuma mídia social, nenhum aparelho, nenhum invento do homem ainda foi capaz de superar a graça da presença. Sexo é bom, mas não é tudo. Amor é bom, mas não é tudo.



Uma palavra não é tudo. Aliás, talvez uma seja. Essa palavra é CONSTRUÇÃO. O que é um casal, se não uma dupla de operários dispostos a erguer um prédio, lindo e forte? Cada tijolo tem seu papel. Não se iluda, pensando que só amar é o suficiente. Para ter sentido, a base deve ter algo sustentado por ela. E este algo nada mais é do que o próprio sentimento, que não tem um nome, nem definição. Mais do que ser o cimento, devemos ser escoras, os dois, desse prédio. Aqui ou ali, sempre haverá uma rachadura para ser consertada. O que não pode é uma das escoras perder o fôlego. Se o prédio ruir, os escombros serão vocês. 

2 comentários:

. disse...

Que bacana esse texto Gustavo.
Lembrei de uma frase de Fernando Anitelle famosa que diz: "Os opostos se distraem, os dispostos se atraem"...
=]

Drika disse...

Perfeito! Disse tudo!