sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Brilho eterno



Grandes lembranças, pequenos gestos, a sinceridade das lágrimas e o brilho de um sorriso. Quem nunca pediu a Deus que seus olhos se tornassem câmeras fotográficas, que registrassem a exatidão de um momento único, daqueles merecedores de um quadro, estampando as paredes mais firmes dos sonhos mais reais? Algo que vemos, mas pensamos que a memória não basta para perpetuar.

Ledo engano. Ao abrir os olhos para cada novo dia, uma infinidade de formas e tons invade nossa imaginação, e a realidade se confunde com a infinita criação da mente humana. Confuso? Basta olhar um menino brincando com seu pai no parque da esquina, e a regressão é imediata. Nos colocamos ali, como meninos felizes ou pais orgulhosos, mas nos colocamos ali. O jogo alucinante de misturar o ver e o relembrar. Recordar.

Nossa história em imagens, muitas vezes mais nítidas no coração do que em qualquer papel, por mais fino que seja. Memórias que não amarelam, não rasgam, não molham. A não ser por lágrimas de saudade, por aquilo que não mais voltará. O brilho da fotografia é sempre menor do que o brilho do olhar.

O que os olhos não vêem, o coração não sente. Será? Tem quem acredite nessa. Há coisas que não precisam ser registradas por nenhuma lente, além da do coração (também chamam de paranóia). Porém, ser testemunha ocular do mundo sempre dá mais sentido ao que chamamos de realidade.

Realidade que pode ser dura demais, dolorosa demais. Enxergar o sofrimento no rosto de alguém, a catástrofe cotidiana, o drama, os dramas humanos deixam marcas que não gostaríamos de ter. Precisamos tê-las. Saber que nem todos os cenários da vida são belos nos faz valorizar o que é puramente bonito.

E nem precisa ser nada de fantástico, nababesco ou faraônico. Pode ser o primeiro passo de um bebê, um gol de placa, um céu estrelado. A natureza se encarrega de nos oferecer de graça, diariamente, o que de tão pequeno acabamos deixando passar. Abrir os olhos é necessidade, e usá-los como máquinas fotográficas, ou melhor, como janelas para o mundo é questão de saber. Pra quê papel, se as retinas salvam lembranças muito mais vivas? 

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