terça-feira, 30 de agosto de 2011

The final steps


Good evening.

Today is, officially, our last day as Aslan students. Today we, guys, graduates, will give our last steps in here, as we did for long semesters. Tonight we go back home, happy to feel that, finally, our course is over. But, beyond it all, we’ll return home and erase in our “to do” lists one more goal achieved, one more step done.

Now that we are almost all native, having mastered the English language as we have in Portuguese, any foreigner can come to us, talking wrapped, and we’ll return loud and clear, isn’t it? Of course NOT. Nobody knows everything. Not even us. Believe it or not.

Now, let’s do a mental exercise, trying to explain, to describe, what it all was for us.

How to describe the first day? It doesn’t matter if you entered here at Baby Class, or after a leveling test, or even after that test… Scholarship Contest. Do you remember? Me too. How to describe the first classes, that shaking hands, that nervousness of the first presentation to the group, when you got scared just to say your name?

How to describe waking up early on mornings, the afternoons after lunch and the nights that we spent on this course? We lost funny weekends, we didn’t enjoy one party here, another party there, and we did it all not to miss an English class. Just not to miss the laugher with our classmates, friends, teachers. Just not to skip the chance to learn.

How to describe the teachers? Some were serious, really focused on the content. Others were funny, a lil’ bit crazy, going on trips with our student’s craziness. Icons of beauty, walking charming and elegant through the halls (Marcelo, I’m not talking about you). True sacred monsters of this institution, which unfortunately couldn’t be teachers of us all. Professionals, above it all.

How to describe the friendships that were born here? Many of them ended up here, it’s natural. Levels passing by, and people too. Others resist until now, since the beginning. Tired of school, of boredom, of monotony, Aslan always was a good place to meet people, to establish links, and make friends at social networks such as Orkut, Twitter, Facebook…  And in life.

How to describe such gratitude?

Finally, how to describe it all? Look what we’ve done. Look where we are, guys! Far. So far. Farther than many people, than what we imagined when we entered here for the first time. Today, friends, we’ll give our last steps in here, because now, that world, which put us here one day wants us back. Bigger and better.

Thank you so much.

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Boa noite.

Hoje, oficialmente, é o nosso último dia como alunos do Aslan. Hoje todos nós, formandos, daremos nossos últimos passos aqui dentro, como fizemos por longos semestres. Esta noite, nós voltaremos para nossas casas, felizes por sentir que, finalmente, o curso acabou. Mas, além disso, voltaremos pra casa e riscaremos da nossa lista mais uma meta alcançada, mais um passo dado.

Agora que nós todos somos quase nativos, dominamos a língua inglesa como a portuguesa, pode vir qualquer gringo falando enrolado conosco, que vamos desenvolver em alto e bom som, não é? Claro que não. Ninguém sabe tudo. Nem nós. Acreditem se quiserem.

Agora, vamos fazer um exercício mental, para tentar explicar, descrever, o que tudo isso foi para nós.
Como descrever o primeiro dia? Não interessa quem entrou no Baby Class, ou após nivelamento, ou até mesmo após aquela prova... Concurso de Bolsas. Lembram? Eu também. Como descrever as primeiras aulas, aquelas mãos tremendo, aquele nervosismo da primeira apresentação à classe, onde até dizer o nome dava medo?

Como descrever as manhãs acordando cedo, as tardes após o almoço, as noites, que a gente botava à disposição deste curso? Perdemos fins de semana de diversão, deixamos de aproveitar uma festa aqui, outra acolá, só para não perder a aula de inglês. Só para não perder a chance de rir com os colegas, amigos, professores... Só para não perder a chance de aprender.

Como descrever os professores? Uns mais sérios, concentrados no conteúdo. Outros mais animadinhos, um pouco malucos, na verdade, que embarcavam nas nossas viagens de aluno. Ícones de beleza, que desfilaram charme e elegância por esses corredores (Marcelo, eu não estou falando de você). Verdadeiros monstros sagrados desta instituição, que infelizmente não puderam ser professores de todos nós. Profissionais, acima de tudo.

Como descrever as amizades que nasceram aqui? Muitas terminaram aqui mesmo, é natural. Os níveis vão passando, e pessoas também. Outras ficaram até hoje, desde o início. Cansados do colégio, do tédio, da monotonia, o Aslan sempre foi um bom lugar para conhecer pessoas, firmar laços e conseguir amigos em redes sociais como Orkut, no Facebook, no Twitter... E na vida. 

Como descrever tanta gratidão?

Finalmente, como descrever tudo isso aqui? Olhem o que nós fizemos. Olhem onde nós chegamos, amigos! Longe. Muito longe. Mais longe do que muita gente, mais longe do que nós imaginamos, quando entramos aqui pela primeira vez. Hoje, amigos, nós daremos os nossos últimos passos aqui dentro, porque agora, aquele mundo, que um dia nos matriculou aqui, está nos querendo de volta. Maiores e melhores.

Muito obrigado.


 *Discurso de formatura do curso de Inglês do Curso de Idiomas Aslan, realizada em 26 de agosto de 2011. Discurso proferido por Evandro Henrique e por mim, uma pequena parcela da gratidão e da alegria em estarmos cumprindo mais uma etapa em nossas vidas. 


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Jogo da Vida


JOGADORES: Apenas 1, ou seja, você.

INSTRUÇÕES: Coloque seu pino na posição inicial. Gire a roleta, e ande o número de casas correspondentes. Siga as instruções indicadas e tente chegar ao final.

COMECE O JOGO!

Sete. Seu pai lhe dá a primeira mesada. Receba 100 reais.

Um. Seu pai desiste da idéia. Devolva o que sobrou.

Oito. Você quebra aquele vaso caríssimo da sua mãe. Castigo!!!

Quatro. Você conhece uma menina no colégio, se apaixona, mas ela não te dá bola, e ainda faz questão de passar por você, se fazendo de difícil. Volte duas casas e tente esquecê-la.

Três. Vocês ficam. Uma rodada sem jogar, aproveite!

Seis. O tempo já passou, é hora do vestibular. Estude, fique cinco rodadas sem jogar.

Dois. “Alô papai, alô mamãe”, você passou, calouro. Avance uma casa, e ria dos seus amigos farristas. Avance.

Nove. É o amor!!! Uma namorada chega em sua vida, e te arrebata. Flutue até a próxima casa.

Um. Primeira D.R. Espere, deixe ela falar... Pelas próximas quatro rodadas. Ou cinco.

Cinco. A sua banda favorita vem até sua cidade... Mas o ingresso vai lhe custar um fígado. Peça emprestado, ou vá trabalhar. O show é amanhã.

Um. Você não conseguiu comprar o ingresso. Fique em casa, se lamentado pela internet.

Sete. Ih! Teve boatos que o professor vai passar uma prova muito difícil. Pare uma rodada para tentar se salvar.

Nove. Depois de tantos anos, finalmente, você está formado! Comemore com a família, com os amigos, avance mais uma casa, rumo ao mercado de trabalho.

Dois. Pronto! E agora? Cadê os classificados? Fique onde está por uma rodada, procurando emprego. E ache logo.

Quatro. Sim, você conseguiu seu emprego tão sonhado. Agora se vira, trata de trabalhar bastante, para avançar mais casas.

Dez. Muito esforço e, plim, um carro. Entre, sente-se confortavelmente, e prepare-se para bancar a gasolina e o IPVA.

Sete. Sabe a sua namorada? Quer casar. Acho melhor não discutir muito, sabe como é, né?! Seja rápido.

Um. Rápido demais. Recém casados, agora curtam a lua-de-mel dos sonhos... Dela. Fique três rodadas sem jogar.

Cinco. DIA DO PAGAMENTO.

Oito. Ferrou! Aquele seu amigo mala da faculdade acenou para você. Atravesse a rua, e aja como se nada tivesse acontecido... Ou seja falso, e fale com ele, na maior educação.

Dois. Que bonito, você será papai! Antes de chorar desesperadamente, comemore com sua esposa. Avance duas casas, até o restaurante. Depois, volte uma, até a loja de roupas infantis.

Nove. Nasceu!!! Agora comece a pensar na sua família. Nas contas da sua família. No trabalho que é ter uma família... Mas sorria! Ande uma casa, como consolo.

Um. Já pode começar a ver a beleza de ser pai. Ainda dá tempo, seu egoísta.

Quatro. O tempo passa.

Cinco. O tempo passa.

Seis. Bom, o tempo passou.

Sete. Os primeiros fios brancos já começam a aparecer, meu caro. Ou devo dizer “meu senhor”? Prepare-se para a aposentadoria.

Dois. O jogo está acabando. Mas antes, você foi pescar. Fique uma rodada curtindo com seus filhos... E netos.

Cinco. Gire a roleta novamente! Se você tirar número PAR, você irá para sua mansão, e passará o resto da vida rico e feliz, como um magnata. Se tirar número ÍMPAR, seu fim será trágico, solitário, em um asilo, sofrendo por não ter escolhido outro jogo para jogar.

Três. RÁ! PEGADINHA! Avance até seu final feliz. Abrace sua mulher, seus filhos, seus pais, e todos os seus queridos, olhe para trás, e veja por que casas você passou. Esqueça a roleta. A vida terminou, o jogo acabou.






terça-feira, 23 de agosto de 2011

Fome de quê?



Saciedade. Não, eu não escrevi errado. Esse texto fala sobre saciedade, a condição de estar satisfeito com algo. Na verdade, as palavras seguintes mais falarão sobre a falta de saciedade, de satisfação. Do que não temos, do que queremos, até mesmo do que não queremos querer, por preguiça ou auto-sabotagem. Nessa arte, somos craques. Pra falar a verdade, nunca estamos cheios, empanturrados, menos ainda. Eu ainda sinto fome. E você?

Ainda preciso de algo, pra encher o espaço entre meus dentes. Fome de conhecer, lugares e pessoas, como usar a cafeteira e as teorias de Walter Benjamin. Fome de conhecimento. Por favor, não apenas o acadêmico, muito menos o restrito. Quero apenas saber. É pedir demais? Quero pedir mais. Receber em conseqüências, o troco do preço pago pela felicidade que tanto busco.  Perder amigos para ganhar outros, fazer alguém sorrir, mesmo que outros chorem. Eu tenho fome de aprender.

Aprender que o mundo é cheio de gregos e troianos, de remistas e bicolores, petistas e tucanos. Não, que eu nunca passe perto de tentar demagogia barata, ou pacifismo idiota. Mas minha barriga ronca, clamando pela compreensão de algo que incomoda, os dentes e a alma. Por dar demais a alguém, outro ficará sem. Desprezo até a morte os que interpretarem a frase com malícia de criança. Tenho fome de maturidade.

Ora, quando o homem não sente vontade de comer? E a mulher? Antropofagia, mesmo. Ter fome de gente, de comer, de mastigar, de sentir os gostos de cada um. Provar os desejos, até conhecer ao máximo. Ou o suficiente, pura proteção. A fome dos outros pode incomodar. Sugar a atenção, saciar o outro. Um dia consigo controlar meu estômago, ansioso pelo prato do dia. Cardápio livre, de acordo com o nosso querer.

Quero querer. Ainda bem. Querer bem. Sou um eterno insatisfeito, busco alimento, caço, faço, mas ainda insatisfeito. Sentimento, amor, amizade, isso ainda me falta, sempre falta. Sem depressão, apenas constatação. É bom faltar. Temos que guardar espaço, por menor que seja, para novos pratos que a vida te serve. Ah, mas e a congestão? Prepare-se. Há certos temperos que, quando carregados, estragam qualquer refeição.

Muita mentira, muita verdade, muito pecado, muita castidade. Se encher, vomite, suje, devolva à terra o que ela te deu demais. O excesso estraga, mata, destrói o paladar. O único excesso que você não pode deixar de ter, é de fome. Ser insaciável é o melhor alimento. E você? Tem fome de quê?

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sábado, 20 de agosto de 2011

Pela madrugada




São duas e meia da manhã.

Já é sábado.

Eu não consigo dormir.

Acordo e penso, viajo em meus delírios de adolescente. Viajo em um mundo que eu criei, só para fugir da melancolia do mundo que criaram para mim. Como é lindo o meu mundo, meu de fato. Lindo, triste, perfeito do seu jeito. Penso na noite que eu não vivo, que os limites do meu medo não me deixam degustar.

O que eu queria era curtir intensamente, como um homem menino, como um sem destino, jogado à sua própria vontade. Vontades, com “s” maiúsculo. O som dos sons da rua, as luzes, o neon das estrelas, os artifícios do mais puro prazer sensorial. Meus sentidos em um caminho sem sentido, onde nada é o que parece.

A dança das multidões, estar com todos e com ninguém mais, na calada noite preta, eterna escuridão, pincelada com toques divinamente profanos, com o brilho que os meus olhos refletem.  Eu penso nos meus sonhos mais entorpecentes de alegria, recheados de surpresas armadas, de luxúria e penitência. O que é isso, a não ser a própria vida, uma faca de dois gumes, um sorriso encharcado por lágrimas de pena e culpa?

Nada é de graça, muito menos a alegria. Efêmera. Cruel. Traiçoeira. É madrugada, e eu ainda tenho a consciência no lugar. Como eu queria perdê-la, por algumas horas! Eu só queria me perder, pegar as chaves de casa, e embarcar nos meus devaneios de última hora. Em vez dos meus sonhos, meu corpo resolveu me fazer viver por meio de palavras.

Quem ler este texto, talvez não entenda, de primeira, o que eu quero dizer. Justificável, já que eu mesmo não vejo, com clareza, o que meus dedos digitam, e o que minha mente quer. Ah, o controle incontestável das paixões, dos amores e desamores. Tudo o que a rua me reserva, e que meus escrúpulos, talvez meu caráter, não me deixe viver. O sono ainda não vem. Por enquanto, eu imagino acordado, como em um livro de Nelson Rodrigues, a mistura sacana e mortal de romper limites.

Eu sei que esse sábado não me reserva nada além da melancolia rotineira de um pacato cidadão. Pacato. Infeliz pacato, que disfarça seus desagrados com um sorriso burocrático, de quem prefere acreditar em besteiras, como educação, amor, eternidade. Nada é eterno, só o desejo fútil e inútil de o ser. Eu ainda quero ser. Sou hipócrita, por escolha dos astros, por passividade minha, e para o bem de todos.

São três da manhã.

Ainda é sábado.

Eu só quero dormir. E sonhar. E viver.


IMAGEM: http://portugues.torange.biz/photo/1/13/As-luzes-da-noite-com-o-cora%C3%A7%C3%A3o-1236343182_24.jpg

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Quem desce pro play?



Como as coisas são engraçadas. É muito fácil sair contando piadinhas por aí, gozando da cara das pessoas, fazendo comentários idiotas em cima de comentários idiotas, e ainda achar que está alcançando o ápice da popularidade. Claro, afinal de contas, o piadista, o engraçadinho, sempre pensa que esse é o melhor caminho para se tornar o “legal”, o “descolado” da turma. Mal sabe ele que esse caminho, na verdade, pode ser o atalho mais rápido para a babaquice.

E esse não é o mais engraçado. Grande parte destes seres, quando recebem o troco, ou seja, quando deixam de ser os gozadores, e passam a ser vítimas, não aceitam. “Imaginem só, se eu, que apelido todo mundo, vou aceitar que tirem com a minha cara! Faça-me o favor!”... É, o jogo vira. Quem apontava o dedo, hoje é alvo. E agora? Será que eles realmente sabem brincar?

Legal. Vamos, então, tirar essas brincadeirinhas do campo das idiotices. Ou nos colocar nele. É absolutamente normal, terapêutico, diria, tirar uma onda com seus amigos. Quem não faz, ou quem nunca o fez? Faz parte do chamado bom humor. Quem o tem, economiza tempo, rugas e muita disposição em desgastes sem um pingo de motivo. Olhar a vida com graça, aproveitar o sorriso que Deus pôs em seu rosto, é obrigação, é motivação.

Mesmo besta, uma pessoa pode manter o respeito entre os demais. Há quem viva disso. Porém, há uma coisa que, para alguns, não é respeitada. LIMITE. O coitado não recebe um pingo de carinho, consideração, é só ignorado. Uma piadinha leva a outra, mas até quando o sabor desse chiclete perdura, na boca de quem masca, ou melhor, de quem fala?

Lá voltamos ao pecado dos mais comuns de todos: o excesso. Se eu te faço rir, causo certa repercussão no Twitter, minha vaidade não me deixa parar. Não, se ela for maior que o bom senso. E muitos não estão preparados pra admitir que não sabem parar. Mais do que nonsense, esse indivíduo se torna o bobão, o inconveniente e, por tabela, acaba frustrando-se em seu principal objetivo: ser popular.

Não tanto. Afinal, popularidade nem sempre é sinônimo de algo bom. E é justamente a falta de simancol o que faz do engraçadinho um tanto quanto mal-humorado, quando alvo. É aquela história de brincar e saber brincar. Não são a mesma coisa. Até porque, pensando com cuidado, esse tipo de gracinha, chula, ofensiva, não tem nada de engraçado.

Rir é bom, e rir de nós mesmos é uma dádiva. Com tanta sujeira por aí, nossos olhos provam que ainda são capazes de se abrir para o que existe de bom, nem que isso seja apenas um jeito diferente de ver o igual. Mais do mesmo, talvez, dependa de nós para deixar de ser. Agora, o seu quadrado só vai até onde começa o quadrado do vizinho. Cuidado, se você não pensou que, um dia, pode ser você o protagonista da piada dele. Vai que você não gosta do sabor da pimenta, que, nos outros, é refresco.

IMAGEM: http://narizpalhaco.zip.net/images/DSC04529.JPG

domingo, 14 de agosto de 2011

O homem da minha vida


Ele me recebeu, ainda feio, com cara de joelho, e me amou desde antes, muito antes de me ver.

Ele não vomitou, muito menos desmaiou.

Ele me carregou no colo, me jogou pro alto, e me fez brincar de voar. Voei.

Ele trocou minhas fraldas.

Ele não conseguiu me fazer andar de bicicleta, mas com ele eu fui mais longe.

Ele acreditou.

Ele me ensinou o valor das coisas, desde uma camisa até um forte abraço.

Ele me estendeu a mão, quando eu caí.

Ele me segurou, do jeito dele, quando eu precisei de forças.

Ele respeitou minhas decisões, e me fez respeitar as deles. Sem medo. Respeito.

Ele me fez escolher paixões. Certas, como o Paysandu. Temporárias, como o Flamengo.

Ele aceitou as gozações, não poucas, quando o São Paulo vencia. E me fez agüentar o troco.

Ele brincou, e soube brincar.

Ele nunca foi de falar.

Ele nunca foi de se calar.

Ele me deu suporte, carinho, correção, lição. Ões.

Ele me disse “sim”, sorrindo, para fazer minhas vontades mais superficiais.

Ele me disse “não”, sério, quando não havia outra resposta.

Ele esteve nos momentos simples, de almoços de família, dos domingos em volta da mesa.

Ele esteve, simplesmente, nos melhores momentos da minha vida.

Ele compartilhou minhas lágrimas. Eu chorar não é o impressionante. Ele chorar comigo, pelo mesmo motivo, duas vezes, isso sim.

Ele chorou a minha alegria.

Ele foi o meu querido, meu velho, meu amigo.

Ele amou minha família, de um jeito, que nenhuma palavra explica.

Ele trabalhou, sustentou, nos criou. Minha mãe, meu irmão e eu somos gratos. Seremos sempre.

Ele errou, também, como todos. Tentando acertar, nos erros ele me ensinou o Modo de Não Fazer.

Ele tentou.

Mas sabem o que ele faz de melhor?

Ele existe.

Ele é o exemplo.

Ele é o apoio.

Ele é o orgulho.

Ele é, em meio às suas imperfeições, o mais perfeito.

Ele é o super-herói, do menino que ainda não cresceu.

Ele é o amor incondicional.

Ele é o homem da minha vida.

Ele é meu PAI.




sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Brilho eterno



Grandes lembranças, pequenos gestos, a sinceridade das lágrimas e o brilho de um sorriso. Quem nunca pediu a Deus que seus olhos se tornassem câmeras fotográficas, que registrassem a exatidão de um momento único, daqueles merecedores de um quadro, estampando as paredes mais firmes dos sonhos mais reais? Algo que vemos, mas pensamos que a memória não basta para perpetuar.

Ledo engano. Ao abrir os olhos para cada novo dia, uma infinidade de formas e tons invade nossa imaginação, e a realidade se confunde com a infinita criação da mente humana. Confuso? Basta olhar um menino brincando com seu pai no parque da esquina, e a regressão é imediata. Nos colocamos ali, como meninos felizes ou pais orgulhosos, mas nos colocamos ali. O jogo alucinante de misturar o ver e o relembrar. Recordar.

Nossa história em imagens, muitas vezes mais nítidas no coração do que em qualquer papel, por mais fino que seja. Memórias que não amarelam, não rasgam, não molham. A não ser por lágrimas de saudade, por aquilo que não mais voltará. O brilho da fotografia é sempre menor do que o brilho do olhar.

O que os olhos não vêem, o coração não sente. Será? Tem quem acredite nessa. Há coisas que não precisam ser registradas por nenhuma lente, além da do coração (também chamam de paranóia). Porém, ser testemunha ocular do mundo sempre dá mais sentido ao que chamamos de realidade.

Realidade que pode ser dura demais, dolorosa demais. Enxergar o sofrimento no rosto de alguém, a catástrofe cotidiana, o drama, os dramas humanos deixam marcas que não gostaríamos de ter. Precisamos tê-las. Saber que nem todos os cenários da vida são belos nos faz valorizar o que é puramente bonito.

E nem precisa ser nada de fantástico, nababesco ou faraônico. Pode ser o primeiro passo de um bebê, um gol de placa, um céu estrelado. A natureza se encarrega de nos oferecer de graça, diariamente, o que de tão pequeno acabamos deixando passar. Abrir os olhos é necessidade, e usá-los como máquinas fotográficas, ou melhor, como janelas para o mundo é questão de saber. Pra quê papel, se as retinas salvam lembranças muito mais vivas? 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Meu mal querer




Ah, o amor! Ele fascina, envolve, quando você vê, ele já viu você, seguiu você e, num passe de mágicas, capturou você para um mundo maravilhoso, cheio de carinhos e afeto, uma vontade louca de nunca mais largar. Sentimentos que revigoram, deixam tudo mais azul, menos escuro, e que, inexplicavelmente, faz dos olhos grandes poços de brilho e cetim. Ah, como é bom ter um grande amor!

Eu sei. Depois dessa verdadeira ode, alguém pode se perguntar : o que diabos esse título tem a ver com um texto tão romântico?

E quem disse que esse texto será romântico?

Acho que, sinceramente, estamos repetitivos demais, quando falamos, escrevemos, idealizamos. Não falo apenas do amor, mas nós, escritores, poetas, jovens românticos, acabamos desgastando a imagem das coisas boas, de tanto que as expomos. Por ser mais fácil, ou mais bonitinho de ler, tanto faz. A verdade é uma só: poucas vezes se fala do lado negro da vida. A não ser em ocasiões especiais e em críticas políticas. Elogiamos a amizade, mas por quê não botamos os inimigos em primeiro plano, sem necessariamente estar falando mal deles? Por quê não falamos bem de falar mal?

A importância de preservar idéias ruins é tão grande quanto o contrário. De algum jeito. Pois, se não fosse desse jeito, um conceito entranhado em nossas mentes simplesmente deixaria de ter sentido. Aquilo que chamam de maniqueísmo! Sim, o certo e o errado, o bem e o mal... Se as coisas são colocadas para nós – e por nós – nesses termos, vamos tentar juntar isso com outra máxima do universo, que a natureza nos ensinou. O equilíbrio.

Mas nós teimamos em deixá-lo de lado, privilegiando o altruísmo, a bondade, a paciência, e blá, blá, blá... Lembrem-se que o derrotado é quem torna as vitórias mais importantes, e que tudo depende, justamente, da face podre que tem. Assim como precisamos amar alguém, nós precisamos odiar alguém. É fato. É equilíbrio. O pneu furou? Ora, trocar pneus pode ser um aprendizado muitíssimo útil. Seu time perdeu? Pode ter sido para ajudar outro. Quem te inveja não te faz mal, até que você permita. Nunca enxote seus inimigos! Eles são mais úteis do que você imagina.

Idealizando um mundo onde não haja crueldade, corrupção e infidelidade não leva ninguém a lugar nenhum, além de suas próprias bolhas de chiclete, que a realidade faz questão de estourar, na primeira chance. E quem vive dentro dela cai. Simples. Nós devemos conhecer o que nos faz mal, e saber que deve haver em cada um de nós um quartinho, pronto para receber esses visitantes indesejados.

Você mesmo! É, você aí, que está chocado com tamanha ofensiva pró-maldade! Eu não quero te assustar, mas... Você é mau. Todos somos. O que torna um mais perigoso que o outro é apenas o que nós deixamos prevalecer. Se, ao escolher a gaveta que devemos abrir, nós decidimos pela errada, que seja. Pior será para quem olhar e, com medo nos olhos, exclamar: “Nossa! Que pessoa terrível!”. Por favor, vamos deixar a hipocrisia de lado e vamos enxergar a humanidade como ela é! E ela é má! Não existe céu de brigadeiro, nem vampiro bonzinho, nem Papai Noel. Não existe perfeição.

E quem pensar que eu estou defendendo que devemos largar o bem, nos rebelarmos e sairmos quebrando tudo por aí, já que ser mau é legal, apenas um aviso: ACORDEM! Eu não disse que ser bacana é abominável. Muito pelo contrário. Eu defendo e luto por uma sociedade mais compreensiva, mais humana e segura para todos. Mas com uma diferença em relação a você...

Eu vivo no Planeta Terra, e sei muito bem as regras desse jogo. As pessoas mentem, os computadores travam e, infelizmente, as músicas nem sempre são boas. Fazer o quê? É fácil. Entenda. Entenda que tudo tem dois lados, entenda que as pessoas devem ter quem detestar, devem saber perder, devem conhecer o outro lado do muro. Assim fica mais fácil de valorizar o que é bom de verdade.

IMAGEM: http://1.bp.blogspot.com/_qrCvfDkQuKc/SUwETVD1JEI/AAAAAAAAAIM/vd6yyxDKg88/s400/amor_odio.jpg

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Construção


Qual palavra seria o melhor sinônimo para relacionamento? Com certeza, 90% das pessoas que ouvem esta pergunta soltam a resposta mais batida de todas: “amor”. E talvez elas não estejam completamente equivocadas. Não estão. O sentimento é bonito, é unânime, é necessário. O alicerce de qualquer casal é o amor, e disso eu não duvido. Agora, deve haver algo sobre a base, para ser sustentado não apenas pelo amor. Aí a gente pode listar um dicionário inteiro...



Companheirismo. Estar perto o máximo que ambas as paciências suportarem. Não, os dois não precisam se tornar irmãos siameses, basta que eles aproveitem as oportunidades, algumas vezes raras, de se encontrar. Aproveitar como se fosse a última. Compartilhar momentos, amigos, prazeres, vícios. Manter sempre viva a vontade inerente, quase vital, de querer estar junto, nem que seja para jogar conversa fora. O mais simples toque pode salvar um dia.



Demonstração. Ah, talvez um dos mais complicados, e pelo motivo mais banal: somos diferentes. Ora bolas, se não fossemos, não seríamos indivíduos, e sim mimetismo entediante. Fazer o outro entender que o fato de não ligarmos todos os dias, o dia todo, não é displicência, e sim um traço congênito, pode ser mais difícil do que imaginamos. Nada que não possa ser mudado. Quando notamos que pode ser nocivo, ainda temos sorte. Não foi tarde demais. Poderia.



Adequação. Os opostos se atraem, mas uma pessoa tem mais inteligência do que um ímã. Saber quando mudar, principalmente por que mudar é vital para qualquer relação ir longe. Antes que nada mais possa ser feito, muita coisa pode. Pequenos vícios que se tornam o veneno, destilado involuntariamente por você, contra seu próprio corpo. Contra seu próprio coração.



Respeito. A distância nunca pode ser desculpa para nenhum desvio de conduta. A liberdade, em um relacionamento, tem que ser espontânea, de ambos os lados. A liberdade, em um relacionamento, deve prender. E o respeito é um exercício diário de caráter, de honestidade e, acima de tudo, de confiança. É hipócrita todo aquele que enche a boca para dizer que crê 100% em alguém. Não precisa. Basta que um acredite no outro o máximo que alguém pode acreditar em outra pessoa. E confiar no outro é, simplesmente, confiar em si mesmo.



Tesão. Em todos os sentidos da palavra. A chama que nunca deve apagar. Como eu já disse aqui, a vontade de estar perto, de dividir o prazer e a dor, o sorriso e as lágrimas, sem nenhum motivo aparente. Apenas pelo fato de olhar nos olhos do amado e poder dizer, ao vivo, um “eu te amo”. Nenhuma mídia social, nenhum aparelho, nenhum invento do homem ainda foi capaz de superar a graça da presença. Sexo é bom, mas não é tudo. Amor é bom, mas não é tudo.



Uma palavra não é tudo. Aliás, talvez uma seja. Essa palavra é CONSTRUÇÃO. O que é um casal, se não uma dupla de operários dispostos a erguer um prédio, lindo e forte? Cada tijolo tem seu papel. Não se iluda, pensando que só amar é o suficiente. Para ter sentido, a base deve ter algo sustentado por ela. E este algo nada mais é do que o próprio sentimento, que não tem um nome, nem definição. Mais do que ser o cimento, devemos ser escoras, os dois, desse prédio. Aqui ou ali, sempre haverá uma rachadura para ser consertada. O que não pode é uma das escoras perder o fôlego. Se o prédio ruir, os escombros serão vocês. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Segundo domingo de sempre


Foto: Gustavo Ferreira


Eu sei que muitos irão questionar, mesmo que não assumam, o porquê deste texto, se ainda estamos em Agosto. Eu também sei que parece um pouco anacrônico escrever sobre isso, se a maior parte das pessoas ainda vivem outro momento, e talvez não se importem tanto. Afinal de contas, estamos ainda distantes de outubro. Porém, além destas já citadas, eu também sei outras coisas...

Eu sei que não precisa ser outubro, muito menos ser domingo, para que lágrimas venham aos olhos ao ouvir uma canção, ao fazer uma oração, ao ouvir o nome Dela, que olha por nós, seu povo da Amazônia, e zela pela nossa terra e por nossas vidas. Vidas que carecem tanto de atenção, de carinho, um carinho que muitos se esquecem de exercitar, nos demais meses do ano. Um carinho que deveria vir dos que mandam, em cada casa erguida, em cada rua asfaltada, em cada posto de saúde. A dignidade de um povo, que se perde a cada falha, a cada omissão.

Eu sei que o fascínio que sua casa, seu altar, em Nazaré, não é casual. É sem igual. Os traços que dispensam conhecimentos arquitetônicos, encantam por se tocarem, formando a redoma, tão forte quanto a vontade de protegê-la. Patrimônio nosso, o Santuário de uma só emoção, de um só povo, fiel, seguidor. Sem ingressos, sem cerimônias, as cerimônias abrem as portas ao turista mais curioso e ao belenense menos surpreso, da mesma forma. E surpreende da mesma forma.

Eu sei que o tacacá não se vende apenas em outubro. É bebida do ano inteiro, faça sol ou faça mais sol ainda. Belém, cidade sem estações. Menos naquele segundo domingo, quando bandeiras indicam que ali a corda se une, unindo dois milhões de romeiros, de guerreiros. Estações que levam, sob o calor da Amazônia, a Santinha de volta para casa. Quantos vão, diariamente, por estas ruas, sem saber se voltarão no dia seguinte? Quantos nela se apóiam, ao ver seus caminhos bifurcando, enrolando, findando?

Eu sei que as cores do Círio na cessam de nos presentear após a procissão. Presentes. Estão presentes no açaí, fruto sagrado desta gente. No verde das mangueiras, que nos vestem com a sombra acalentadora de um abraço. No vermelho da nossa bandeira, o vermelho do sangue de quem faz este estado avançar, suando a camisa, vestindo a camisa com honestidade e paixão. No amarelo alaranjado do pôr-do-sol, refletido nas águas barrentas que nos cercam e banham. Presentes.

E eu também sei que idolatrar imagens é errado, para alguns, segundo a Bíblia. Não me venham dar aulas de religião, aqueles que se achem ultrajados. Sou fiel, sou devoto, não pelo que o homem achou, ou construiu. Nem pelo simbolismo das fitinhas, das velas e da Berlinda. Sou fiel pelo conforto, pelo amparo, pelo respeito, pela fé que deposito em algo que não se explica. Algo que o paraense enxerga nos olhos Dela, e que nenhuma teoria seria capaz de substituir. Algo que, seja pelos sons, pelas imagens, pela memória, sempre nos faz viver um segundo domingo. Ontem, hoje, sempre.