segunda-feira, 11 de julho de 2011

(Sem título)



E quando a gente quer dizer algo, palavras que precisam ser ditas, e simplesmente a voz não sai? Toda coragem ensaiada some, perante o eterno improviso da vida, impiedoso com quem continua refém do roteiro. Traídos pelo desconhecido. Um vazio retumbante, e de repente o silêncio ecoa, como a única saída para a encruzilhada em que você se encontra. Não se espante! Há momentos em que nos tornamos vítimas do silêncio involuntariamente.

E quanto nós podemos dizer sem falar...  As palavras podem se tornar meros coadjuvantes, quase irrelevantes, se o rosto se molda ao seu discurso, e os olhos fazem de tudo para que o outro saiba o que você quer dizer, como que suplicando: “por favor, me entenda! Não me faça falar!!!”.

Pupilas brilhantes e lágrimas que explicam mais do que sintagmas organizados. O rubor da timidez, comum, bastante comum. Se você é tímido, tome cuidado para não ultrapassar a fronteira da covardia. A raiva colorada, a tensão, o nervosismo. Tudo o que a testa atesta, e a boca sem a boca precisar se abrir.

Pessoas que se entendem pelo olhar. Um simples gesto, silencioso afeto, certeira certeza. Linda proeza é conhecer alguém tão profundamente, que os sons são detalhes, quando se trata de entender o outro. A distância de alguns metros faz os olhos serem a única janela para que o pretendente tente enxergar as intenções, apaixonadas ou não, de alguém. A conquista nos cílios que se encontram, no clichê mais infalível, ao invés do primeiro “oi”.

Atitudes. Um comportamento justifica qualquer frase pronta, e não há quem nunca tenha perdido o direito de falar, quando ousou fazer. As flores de um buquê, a chave do carro novo, o presente de aniversário... Nada substitui o abraço apertado, o beijo de amor, a saudade que extravasa os limites corporais, espirituais, sentimentais, orais. Sentir, ao invés de dizer o que sente. Apenas sentir. Como eu já disse, às vezes a voz simplesmente não sai, nada podemos fazer para evitar. Precisamos sempre tentar evitar o silêncio?

Um escritor, para conseguir descrever um lindo pôr-do-sol, a brisa da manhã, a chuva da tarde, em palavras, ou é muito talentoso, ou não existe. Não existe palavra mais bonita e mais suficiente do que as memórias sensoriais. Ainda bem que o nosso maior poder é o de sentir, antes de falar ou escrever. Experiências tácitas, muitas nem merecem ser reduzidas a meia dúzia de filhos do alfabeto. Palavras podem diminuir seus próprios significados. Quando a emoção não pode ser descrita, não tente.

Dizemos muitas coisas sem falar sequer uma sílaba, e nem nos damos conta disso. Seja um “sim”, um “não”, até mesmo um “talvez”, com um simples aperto de mão, uma simples recusa, um desvio de olhar... Palavras. São lindas, podem encantar, fazer pensar, resolver brigas e nunca, nunca perderão a sua vital importância para a humanidade. Entretanto, são dispensáveis, em momentos da vida quando expressões fazem o papel das cordas vocais. Às vezes, o silêncio soa mais alto do que qualquer palavra.

IMAGEM:http://4.bp.blogspot.com/_n6AnocC7QY0/Scmdk9-VJZI/AAAAAAAAAbc/QKetj2DJ3k4/s400/sem_palavras%5B4%5D111.JPG

Um comentário:

Mayra Leal disse...

Égua do texto :O
Foi o texto mais lindo e completo que já postastes aqui. Me identifiquei demais, demais mesmo,tá perfeito. Parabéns!