sábado, 30 de julho de 2011

Passado Presente - Final


ÚLTIMO CAPÍTULO
Fim

“Juliana encontra Breno em sua casa de praia, em Angra, e decide contar toda a verdade sobre o que aconteceu no seu passado. No início, Breno duvida, maltrata a ex-amada, pois não concebe a idéia de nunca ficar sabendo de nada, e não poder lhe ajudar a superar o trauma. Porém, o amor fala mais alto e, ao fim da discussão, os dois se declaram como nunca antes durante a novela, se abraçam e se beijam, selando o perdão e, consequentemente, o famigerado ‘final feliz’ para o casal”.

Era o que estava escrito no script da última cena da novela. A reconciliação de Breno e Juliana poderia ser a chance de Marina se explicar, de Gabriel perdoar, e do povo respirar aliviado. A tensão daquela gravação era absurda, todos os poucos técnicos, atores e diretores presentes no estúdio sabiam o que estava acontecendo entre o casal real, e a possibilidade irônica de presenciar um falso perdão não tirava ninguém dali, nem por decreto presidencial.

Na cabeça da mocinha, uma interpretação de mentira, carregada de verdade. Na cabeça do herói, nada além de um amargo desamor. Os dois mal se olhavam no set, tamanha vergonha de Marina, tamanha raiva de Gabriel. Mas ainda faltava um requinte de crueldade naquela cena eletrizante: César apareceu de surpresa no estúdio, pronto para assistir o fim majestoso de mais uma criação sua. Ele não esperava, ninguém esperava, que tudo fosse tão diferente.

Tudo pronto. Silêncio no estúdio. Gravando!

Quando Gabriel esquece o personagem, atropela Breno, e despeja toda sua ira em palavras fortes, grosseiras, sinceras demais, todos se assustam. César nada consegue fazer, imóvel fica. O diretor tenta parar a gravação. Neste momento, um elemento de cena não-programado se torna peça fundamental para este desfecho dramático. Uma arma.

Ameaçando qualquer um que se metesse no caminho, o totalmente transtornado Gabriel Vilhena empunhou um revólver carregado, com munição igualmente fatal ao que tinha em seu coração. Ali, agora, eram só ele e Marina, frente a frente. A tensão no olhar de ambos indicava o fim trágico.

Porém, como se não bastasse o risco que todos ali corriam, uma pessoa invade o set, transtornada, aos prantos, implorando para ter sua vida de volta. Era Diana. No auge de seu desespero, gritava para Gabriel, justificando que, agora, não havia mais ninguém entre os dois, e a família poderia voltar a existir. Neste momento, os olhos de Diana se voltaram, vermelhos, a Marina. E num acesso de ódio e morbidez, apontou outra arma contra a atriz.

Ato reflexo. A prova maior de que era amor o que Gabriel sentia por Marina foi a primeira bala disparada. Gabriel matou a ex-mulher, para salvar aquela que lhe traiu. Existe razão? Talvez sim. Melhor não ter, pois a história não pede explicações para os mais inexplicáveis instintos humanos. O corpo no chão, o sangue nas mãos de Marina, tentando salvá-la...

Naquele momento , Gabriel sabia que não tinha mais saída. Era a última parada. A polícia já deveria estar a caminho, todos os técnicos haviam ido embora do estúdio. Apenas César ficou, para ver o Grand Finale da sua segunda obra. A novela já havia terminado. Ali estavam os personagens da trama que ele construiu para destruir duas vidas de verdade.

Nem César, nem ninguém acreditavam no que aconteceu depois. O último tiro, o fim de tudo. Até hoje não saberemos se Gabriel disparou por acidente, ou com intenção de matar Marina. O que importa é que matou. Não havia mais casal, não havia mais novela, não havia mais segunda chance. César, inconformado, ainda tentou acabar com Gabriel. Mas a polícia chegou, levou o ator, e tudo terminou ali.

Com o corpo em seus braços, César chorou. Não foi esse o final escrito em sua cabeça. Sua ficção se misturou com a realidade, que ele não poderia controlar, mas tentou brincar de Deus, mexendo caminhos inalteráveis. Não foi mera coincidência. O escândalo talvez deixe o autor afastado por algum tempo, talvez para sempre, talvez até a poeira baixar. De qualquer forma, César Dumont conseguiu, de novo, escrever mais um campeão de audiência.



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Um comentário:

Renan Mendes disse...

ADOORO FINAIS TRÁGICOS E INESPERADOS!
Ah, amigo, parabéns pela história. Muito boa!