sábado, 18 de junho de 2011

What never ends


Quando a gente começa uma história, seja qual for, o primeiro dia costuma ser sempre o ontem para nós. Principalmente se a história for tão rica, verdadeira, inesquecível. Foi assim que uma fase da vida começou pra mim, na época um garoto cheio de medos, esperanças, e muita sede de conhecer melhor o que já gostava: a língua inglesa.

Por favor, não estou fazendo apologia ao inglês, desmerecendo o português, minha língua-mãe. Apenas estou aqui para tentar escrever sobre um pedaço da minha e de muitas outras vidas que nunca vai terminar, apesar de ter um fim.

O que um moleque, de 14 anos, inseguro demais para acreditar que entraria naquele admirável mundo novo, poderia esperar dos anos que seguiriam? Depois de entrar com os dois pés direitos, muita coisa boa. E o tempo foi passando, e os níveis foram passando, e os resultados cada vez mais interessantes... Tudo o que aquelas aulas não me faziam sentir era cansaço. Em momentos onde eu poderia deixar de lado, eu segui, e só segui por um único motivo: eu precisava de uma terapia.

Uma fuga, 4 horas na semana onde falar de vestibular não era permitido, e rir era o jeito de esquecer.  E como ri! A seriedade da vida ficava da porta pra fora, e as salas se tornavam um universo paralelo muito louco, uma espécie de regressão. Lá sempre foi um lugar de ser criança.

Piadinhas bestas, situações patéticas, até mesmo tragicomédias, tudo isso fazia bem, mesmo para um menino que ia crescendo. 14, 15, 16... Entrei estudante do 2º ano, da Escola Estadual Benjamin Constant, passei pelo convênio do Colégio Ideal, me tornei universitário na UEPA, e a última etapa merece um destaque. 21 de janeiro de 2011, sexta-feira, e as únicas duas horas que eu passei sem lembrar do listão, que sairia um pouco depois e que mudaria tudo, tudo, eu passei lá. Engraçado perceber que o “rito de passagem”, da UEPA para a UFPA, de um curso universitário para o meu grande sonho, eu passei lá.

Pessoas? Muitas. Professores, amigos de verdade, romances e tudo o que deu pra aproveitar dos laços construídos. Pessoas cresceram, chegaram, passaram e ficaram, como boas lembranças, como amizades e como símbolos de uma juventude duradoura. Desde a primeira turma, até a última, alguma coisa sempre ficava, nem que fosse uma idiotice qualquer.

E nós aprendemos inglês também.

Um menino que hoje, depois de 9 semestres, sei lá quantas provas e incomensuráveis recordações de tardes, o primeiro dia se torna ontem. Hoje foi o último, e o saldo desse tempo todo foi além do que idealizamos como positivo. Mais do que graduado, eu saio aprendiz. A porta do mercado de trabalho abriu uma brecha pra mim, e o que veio depois fez aquele garoto de 14 anos do começo se tornar o homem de 19, com barba na cara, conhecimento no cérebro, e muita saudade no peito.

E saudade é o atestado mais fiel de eternidade. Eterno enquanto durou, e eternidade apenas é formalidade do tempo, quando não há infinito. Não há limites. Não há final.




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Esse post (totalmente espontâneo) é dedicado ao lugar onde eu aprendi mais do que uma língua estrangeira. Um lugar onde eu aprendi a respeitar as pessoas, onde eu cresci junto com a vida, e onde o tempo sempre foi contra quem queria aproveitar o que de bom havia por lá. Obrigado aos professores atenciosos, incentivadores, parceiros. Obrigado aos amigos, companheiros nas horas boas e nas muito boas. Obrigado à direção, por confiar em mim uma oportunidade tão desejada. Obrigado, por terem deixado os últimos 4 anos e meio da minha caminhada um pouco mais awesome! Everything was.


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