terça-feira, 7 de junho de 2011

O que eu chamo de família




Foi-se o tempo em que família era apenas pai, mãe, irmão, irmã. Aqueles com quem se almoçava aos domingos, que viviam na mesma casa, dividiam a mesma sala, conversavam sobre as mesmas coisas. A maioria dos dicionários define o vocábulo “família” como um grupo de descendentes, constituído basicamente por um pai, uma mãe e um filho. Muito diferente do que hoje a palavra simboliza.

Com essa mania moderna e comodista de estereotipar todas as coisas, acabamos banalizando. Pouco é tudo para chamarmos de família. Sem pais, sem filhos, nem irmãos. Basta existir algo que una mais de duas pessoas e pronto, mais uma está formada. É engraçado ver uma “instituição” surgir apenas por um gosto musical comum, algo que pode ser tão efêmero, passageiro. Famílias que duram meses, anos, estações. Relações de afeto unilaterais, por mais bonito que seja parecer que todos se amam. Nem se conhecem. Nada de viverem na mesma casa, nada de beijos na testa. Apenas parecem.

É preciso mais para ganharmos irmãos. Amigos. Convivência firme, amizade sublime, e aí sim, por quê não dizer que construímos outra família? Sem laços de sangue, com laços de afeto, que muitas vezes são mais fortes do que quaisquer glóbulos, plaquetas e afins. Nas veias corre a mesma vontade de ajudar, a mesma determinação, o espírito de união. A força de mãos que levantam, as palavras que aconselham, os olhos que choram as mesmas tristezas, os dentes que brilham pela mesma vitória.

Sentir-se em casa, mesmo longe. Diga-me com quem andas... Relações que beiram a união genética, famílias por opção. A única que não escolhemos é a que nos trouxe até aqui, a esse mundo, a essa luz. Um abraço de pai, o beijo da mãe, a família que nos escolhe desde sempre. Construir uma vida, um caráter, nos une como o aço fundido pelo calor de um amor incondicional. Família, no mais lindo e autêntico sentido da palavra. Isso sim!

Quem não quer ter uma pra si? Trocar de papel, deixar de ser filho, a filha, e se tornar o pai, a mãe. Renovar o ciclo, perpetuar o sobrenome, chamar uma família de SUA, com toda a propriedade do mundo. Muito além da banda preferida, do time do coração, das frivolidades que hoje são o bastante para irmandades nascerem...

Falta aquele detalhe, a espinha dorsal que segura toda família de verdade: amor. E isso não é via de mão única, não deve ser. Reciprocidade de afeto, respeito e carinho é o motor de qualquer comunidade, para que ganhe a honra, tão arranhada, de ser chamada de família. Que essa espinha nunca se quebre, nem perca a sua importância. Família é algo grande demais para ser tão pequeno.


IMAGEM: http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/04/a_familia.jpg

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