sexta-feira, 3 de junho de 2011

O meu bolo




Eu me lembro muito bem do dia do meu aniversário de 7 anos. Naquele tempo as festas pareciam tão mais animadas! Eram balões, doces, amiguinhos, mais doces, minha mãe de ombreiras, mais doces ainda... Mas o que eu queria mesmo era comer o bolo (até porque isso seria a constatação de que o “parabéns” já teria passado, e a minha timidez nunca me deixou gostar dessa hora). Eis que chegou, e então todo aquele ritual massacrante começou. Se hoje a minha vontade é de sumir embaixo da mesa, imagina há tanto tempo atrás.

E depois de tudo, na hora de apagar a velinha (quando “apagar a velinha” ainda não tinha o tom de piada que só a experiência traz), minha mãe ou alguém me disse que eu deveria fazer um pedido. Um pedido. Bom, como pensar e ter fome não combinam, não consegui dizer nada que fosse além do enorme clichê:

- Eu quero ser feliz!!!

Naquele momento, “ser feliz” era apenas poder, finalmente, devorar aquele bolo com uma foto dos Power Rangers. Como é simples ser criança” Até os desejos mais inatingíveis por completo acabam sendo besteiras fantasiosas, de uma linda insignificância que, para nós, adultos, não significa nada. Mas o tempo vai passando, e a vida vai nos mostrando que a felicidade pode ser bem mais do que um pedaço de bolo. Mesmo que o prazer da degustação seja o mesmo.

A gente vai aprendendo que a felicidade nem sempre está tão próxima de nós, esperando que a gente a abocanhe com gosto. Lutar por ela é essencial, valoriza, abrilhanta a conquista. Passar direto, com notas boas, elogios dos professores, diplomas de boa conduta, tudo isso que chamam por aqui de bajulação, eu sempre encarei como vitórias. Lisonja, gratidão, e o que mais vier de brinde. Mas felicidade não é só isso. Um abraço sincero (e nós sabemos, no fundo, quando um abraço é sincero) pode valer um dia.

A dádiva de estar em família, e a clareza de pensamento para entender que toda família tem espinhos, são sinais de que estamos no caminho certo. Criticando ou não alguém, seja amigo, irmão, parente ou agregado, vale mais que tudo isso a consciência para compreender as diferenças. Felicidade interior. Sentimentos. Ah, o primeiro beijo! A primeira namoradinha, o primeiro amor platônico. Na hora dói, mas só o lembrar da pessoa reconforta o coração. Quando somos crianças, ainda não entendemos o que o coração pode fazer com a gente. Pelo menos não TUDO.

E o tempo foi passando, passando, até que algumas experiências nos fazem chegar bem perto do significado de felicidade, na pureza do meu pedido ao apagar as velinhas do meu bolo. Quando se tem um talento nas mãos, e se consegue expor, pretensiosamente ou não, e a resposta vem, positivamente, é como se estivéssemos cumprindo uma função para nós mesmos. A função de sorrir ao ver que somos capazes. Todos somos capazes, até quando não acreditamos tanto nisso.

Exemplo? Eu tenho um. Passar no vestibular. Evitarei ser clichê, quem me conhece um pouquinho sabe o quanto isso valeu pra mim, e com certeza vale para todos. E tudo isto que eu escrevi nada mais é do que o relato de uma criança, que cresceu e ainda se surpreende com  o rumo que a vida vai tomando. Quem poderia imaginar que, há 12 anos atrás, aquele menino ingênuo, tímido e faminto, pensaria que felicidade poderia ser tanta coisa? Na verdade não é. Hoje, antes de apagar minhas 19 velinhas, o que eu posso pedir?  Não me atreveria a exagerar, nem sequer a pedir mais coisas. Acho que aquele meu pedido de moleque ainda ecoa lá em cima, e talvez seja por isso que a minha felicidade, o meu bolo, esteja durando tanto tempo.



*Este post é dedicado àqueles doentes mentais, que me deram de presente mais do que eu poderia esperar. É meu agradecimento a cada um de vocês, que fizeram do meu aniversário o MELHOR de todos! Da simplicidade do estar lá, até a ralação do planejar, é bom demais saber o quanto se é querido. Saibam vocês que a recíproca e mais que verdadeira! Obrigado, FAMÍLIA COMUNICAÇÃO!!! 




Um comentário:

Caio Oliveira disse...

Primeiro post que eu li até o fim, e me emocionei (pasmem!). Tu merece muito mais Tiago!