sábado, 11 de junho de 2011

Comum de dois




Alice e Edgar se conheceram há uns três ou quatro meses, quando entraram na faculdade. No começo o contato era aquele típico de quase todos os calouros: duas palavras por dia, no máximo. Até que os dois começaram a viver as mesmas experiências, conviver nos mesmos espaços, e o contato evoluiu, e evoluiu, e evoluiu... De nada, virou amizade. E de amizade, virou paixão.

Fábio e Renato sempre foram vizinhos, e como tinham quase a mesma idade, cresceram muito próximos. E não apenas a idade era o ponto de intersecção entre os dois. O gosto musical, os desgostos gastronômicos e as confidências de dois meninos inocentemente ligados, tudo isso floresceu em ambos simultaneamente, como uma bela relação, que perpassava qualquer nomenclatura.

Helena e Pedro são os pais de uma família em que tudo deu certo. Têm dois filhos maravilhosos, herdeiros de uma educação classuda, e se orgulham de vinte e cinco primaveras passadas juntos, com poucos espinhos pelo caminho. Era só falar em felicidade que lá estavam eles. Lembrem-se: eu falei que os dois estão juntos há VINTE E CINCO anos. Eu conheço casais que não agüentaram vinte e quatro horas.

Três casais, três histórias, três mundos. O sentimento é um só, e mesmo assim pode se expressar por tantos e tantos meios, incompreensíveis, inexplicáveis, e todos os outros adjetivos grandiloqüentes que a gente usa pra qualificar o amor, a paixão e essas coisas bonitas. São poucas as situações em que os usamos com tanta propriedade. Ou com tanta eficiência.

O início, ah, o início! Tudo está à flor da pele, os hormônios principalmente. O que pode ser perigoso, pois o limite entre um futuro duradouro e o fogo de palha muitas vezes não resiste ao ímpeto de jovens corações (ou corpos) quando se encontram. Sai de baixo! Agora, quando um casal consegue passar ileso pelos três meses de empolgação, típicos do primeiro contato, as chances de ir longe se potencializam. Supondo que, nesses três meses, os dois lados tenham adquirido umas coisas FUN-DA-MEN-TAIS em qualquer relação, como o controle do ciúme e a compreensão, por exemplo. Alice e Edgar devem ter aprendido. Vai saber!

E quem disse que o amor escolhe sexo? Quem disse que escolhemos o amor? Um namoro ainda, infelizmente, resumido por muitos a um ato de coragem, por superar as barreiras históricas de uma sociedade que não nos cabe mais. É amor, cara! Acima de tudo, mais do que corajosos, Fábio e Renato são dois humanos que se amam, se respeitam e se admiram, não por destruírem rótulos, mas pelas pessoas que são. Pode ser ele com ele, ela com ela, ele com ela, não importa. A ordem dos fatores não altera o resultado, que nesse caso é a união incondicional.

União que o tempo não desgasta. Vocês se imaginam com a mesma pessoa, construindo uma vida, uma VIDA, nos próximos todos os dias que ainda te restam, com uma pessoa só? Aquela que te arrebatou há muitos carnavais, e que ainda te acorda com café na cama? Eu sei que na sua cabeça pode ser meio estranho pensar nisso, é natural. Culpa sua. E minha, e de todo mundo. Hoje tudo passa tão mais rápido que nós, que um casal como Helena e Pedro são dignos de palmas (mesmo caso do Fábio e do Renato. Não deveriam, mas são a exceção). Enfim, mais de duas décadas de uma relação sadia, cúmplice, verdadeira. Pois nenhuma mentira sustentaria por tanto tempo as quatro pernas do amor.

Namorados sim. Independente do tempo, dos personagens, das circunstâncias, o que fica disso tudo, pra um dia tão diferente como hoje, é que a capacidade de namorar não tem prazo de validade, nem lugar pra acontecer. Quando dois querem, ninguém segura. Então, trate de querer! Vai que alguém por aí resolve embarcar na idéia, junto com você? O que não pode é deixar de viver porque alguém pode achar “errado” ou “estranho”. Ora, amar é estranho. Mas é bom demais, vamo combinar!!!


IMAGEM: http://1.bp.blogspot.com/_c1lUgq6h7sk/TMvJny3QkpI/AAAAAAAAAkw/uJf5VW6x5p8/s1600/amor.jpg

2 comentários:

Robson H. disse...

Pow Seu, curti a versatilidade, escrever sobre homossexuais é algo que muitos evitaria por puro
preconceito, o sr. foi pretensioso e escreveu
muito bem...curti o texto...parabéns de novo!

Several Issues disse...

Nossa... adorei... sem palavras, muito bom, como tudo o que vc escreve, amigo!
Ass. Igor Alencar