domingo, 29 de maio de 2011

Rodapés




Uma vez eu ouvi um amigo dizer que não iria comprar um livro, não lembro qual, porque era muito pequeno e custava caro. E hoje, ao relembrar disso, eu comecei a pensar se essa relação preçoXtamanho era mesmo válida. Três segundos depois eu vi que não. Além desse, são muitos os casos em que aquilo que parece insignificante, ao olhar, passa a ter um valor incomensurável. Já ouviram aquela frase, “tamanho não é documento”? É, guardadas as devidas interpretações, ela faz muito sentido.

Você deve concordar comigo. Afinal, uma camisa pólo vale três dígitos por causa de um jacarezinho de uma polegada, não é mesmo? É. Mas não é apenas desse tipo de importância que eu estou falando. É bem mais que isso. Não há salário que pague a satisfação de fazer aquilo que você sempre quis, não há rede social que substitua um abraço, não há celular de última geração que valha mais do que um simples “bom dia”. Sim, um aperto de mão pode não parecer nada, mas faz a diferença.

Por mais que ninguém admita, todo ser humano é, tacitamente, carente. Precisa ser notado, precisa de atenção. E nenhum orgulho consegue esconder a alegria de ouvir um simples “obrigado”, ou algo parecido. Se você deixa de fazer alguma coisa, por achar menor do que o mundo merece de você, eu vou te contar um segredo: nada é pequeno, desde que feito com boa vontade.

Medir a importância de algo pelo que você pode ver é, no mínimo, inconseqüência. O tamanho das coisas está na cabeça de quem não a quer conhecer. Se um passo simples não tira você do quarto, ao mesmo tempo pode levar você ao seu sonho, a uma caminhada linda, que nada mais é do que um conjunto de pequenos movimentos, tão ínfimos, e mesmo assim tão grandes. Depende apenas de quem deseja mesmo ver o além das embalagens.

E os melhores perfumes? Sim, nós nos surpreendemos com a força que tem pessoas tão pequeninas. Mais poderosas até do que um lutador de MMA, no auge dos seus músculos. É isso que ainda, infelizmente, acontece com as mulheres. Contra elas. Ainda tão inferiorizadas... Por isso essa sensação, absurdamente machista, de susto ao ver uma Dilma na presidência do Brasil. E uma imagenzinha, no alto dos seus 30 centímetros, que move dois milhões de pessoas, depositando seus futuros sobre ela? Tão pequena, tão grande.

Então, não seja tolo. Antes de julgar, experimente. Quantas alegrias não são vividas, quantos sorrisos não se abrem, por que não sabemos reconhecer o valor das pequenas coisas? Não precisamos viver assim. Nesse mundo tão megalomaníaco, minimize seus olhos, maximize o coração. Enxergue e considere cada abraço, cada beijo, cada ligação. Pode ser o último, e faz falta. Uma palavra, um pensamento, são capazes de mudar um dia. Às vezes, o mais importante não está no título. Está no rodapé.






Sabe o que aconteceu com o meu amigo, que não comprou o livro, por ser caro e pequeno? Tirou zero na prova de Literatura. Por quê? Das cinco questões da prova, quatro respostas estavam no livro.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

O pôr-do-sol



























Você já parou para pensar em quantas vezes você teve a chance de ver o sol se pôr nessa semana? No mês? No ano? Na sua vida? Se a resposta for “ah, eu não me lembro”, você estará enganando a si mesmo, mentindo. Nunca uma imagem tão bela passa despercebida, mesmo por nós, que já ligamos a memória no Automático, e só gravamos o que o mundo nos empurra diariamente: casos de violência, políticos corruptos, descrença na vida e nas pessoas, etc. Mal conseguimos fazer o que as 24 horas do dia nos impõem, quanto mais pararmos, no fim da tarde, para nos despedirmos de um astro que todos os dias estará ali, no mesmo lugar.

Mania idiota essa de achar que as coisas especiais estão, necessariamente, ligadas a raridades ou casos fortuitos. Esse reducionismo de nós mesmos acaba nos privando da indispensável dose diária de alegria, aquela que muitas vezes esquecemos na mesa de cabeceira, enquanto só lembramos de colocar na bolsa os moderadores de apetite. O ser humano esquece do trivial, de ser simples, de viver a simplicidade com a humildade de um menino que joga bola na rua, ou da menina que brinca com suas bonecas. Crescemos rápido demais.

E deixamos pelo caminho vários pequenos hábitos, tão importantes e tão banais. A importância fica de lado, infelizmente. Parece que as pessoas preferem se machucar, se jogar no olho do furacão, seja qual for o motivo, e pagar o alto preço por isso. Amarguras cotidianas, acumuladas, garrafas que se enchem e, ao menos impacto, se transformam em bombas atômicas de desaforos e desatinos. Decepções que não sabemos encarar, decisões mais difíceis do que realmente são... Nossos olhos também são vítimas freqüentes da nossa ignorância.

Sangue na primeira página. O espetáculo da tragédia humana, exposto para quem quiser ver. Deputados sem o pingo de vergonha, que roubam e saem pela porta da frente. Hipocrisia, falsidade, moralismo tosco, sem origem, nem final. Ideias tortas guiando um mundo sem leis. Tudo isso nos cerca, nos sufoca. Mas, será que nós temos saída, nem que seja um espacinho curto, onde entre ar suficiente para nos manter vivo por mais um dia?

Olhe para cima, caro amigo. No fim do expediente, no fim de uma tarde tensa, tente olhar para cima. Arrume tempo para esquecer o tempo, e pensar apenas em não pensar. Ver. Contemplar. Aproveitar o que a natureza te dá TODOS OS DIAS, de graça, e que tem valor inestimável em qualquer moeda que o homem tenha manipulado um dia. Se, por acaso, você puder estar com alguém querido, ótimo. Se não, pouco importa. Ali será só você e ele, o sol, acenando e dizendo o seu “boa noite”. Pode não ser tão fácil, mas tente mesmo assim.

Não, por favor, não pense que este texto foi concebido como manual de auto-ajuda, ou algo do tipo. Se assim serviu, que seja. A minha idéia é apenas dividir com vocês uma experiência que pode ser sua, também. Em meio a tanta barbárie, tantas guerras, tanta perda de humanidade, não custaria gastar os mais longos minutos do seu dia olhando. Apenas olhando. Dê esse momento de presente à sua memória, tão maltratada. Se dê a chance de responder a pergunta que fiz no início deste texto. Não é preciso muita coisa. Apenas abra a sua janela. 

Foto: Gustavo Ferreira (JUL/2009)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

302




Lipe, um menino de 14 anos, único filho de um casal de médicos renomados na cidade, estudava na escola mais badalada, tinha o que todo menino, um dia, sonha em ter. Morava em uma mansão, templo da megalomania desvairada de seus pais, que se preocupavam mais em mostrar algo aos outros do que simplesmente enxergar. Uma mansão, tão grande quanto a solidão daquele menino, que cresceu nos cantos, que viveu à margem da vida. Dinheiro, fama, nada disso era o que ele precisava. Lipe só queria ser um menino como outro qualquer.

Bernardo, um menino de 14 anos, o mais velho de três irmãos, todos homens, seus parceiros de diversão, dos times de pelada, das primeiras piadinhas sobre virgindade. Não tinha pais, mortos há uma década, mas tinham muito conforto, já que era futuro herdeiro de um império do comércio. Morava em uma mansão, com piscina, sauna, campo de futebol e muita ostentação. Bonito, era o centro das atenções no seu colégio, o mais badalado da cidade, e não fazia o mínimo esforço para esboçar humildade. Não era de seu feitio. Dinheiro, fama, Bernardo tinha tudo o que precisava. Mas não bastava. Ele precisava aparecer, nem que para isso, outras pessoas fossem usadas de escada.
Sua vítima preferida era Lipe. Como o pequeno Lipe sofria, sempre com as mesmas piadas de Bernardo e sua “galera”. Era sempre o “gordinho”, o “estranho”, o “ET”... Bernardo não conseguia passar um dia sem humilhar alguém na escola, mas com Lipe era diferente. Ele era diferente, para ele Bernardo guardava os xingamentos mais elaborados, as gargalhadas mais intensas, as palavras mais cortantes. Diversão garantida para Bernardo, dor sem fim para Lipe.

O garoto não sofria apenas as agressões de Bernardo. Antes fosse. Toda a escola lhe olhava de cima a baixo, desprezando-o, impedindo-o de ter um amigo, como todos ali tinham. Lipe queria tanto sorrir, conversar, brincar como um garoto qualquer! Nos trabalhos, sempre solitário, a não ser que o professor “obrigasse” alguém a lhe fazer companhia. O caminho de casa era marcado por um sofrimento que, mesmo cotidiano, não deixava de doer.

E a quem Lipe podia recorrer, então? Não tinha amigos, nem colegas, nem família. Seus pais, ah, os seus nobres pais, sempre ocupados demais para perder tempo com probleminhas de colégio. Seus nobres pais, eternamente lustrando suas faces de mármore, tão frias quanto os seus corações, sempre deixados em segundo plano. Acostumados com isso, nunca assimilaram perfeitamente as alcunhas de pai e mãe. Talvez eles nunca tenham sido pai e mãe.

O tempo foi passando, e o que era violência verbal foi se transformando em truculência física. Tapas, socos, cusparadas, tudo isso se juntava ao monstruoso ritual diário que Bernardo submetia a Lipe. E ninguém percebia que tudo estava levando a situação por um caminho sem volta, sem fim. O bad boy do colégio ultrapassava todos os limites de caráter, e a pessoa mais inocente já notava que aquela postura não era mais apenas “coisa de jovem”. Era maldade.

Até que, nesta manhã, tudo o que aconteceu durante tanto tempo na vida destes dois rapazes veio à tona, da pior maneira. Era um dia comum, sala cheia, aula de Física... Mas faltava alguém. Justamente Lipe, justamente na aula de Física, a sua preferida. De repente, a porta se abre bruscamente, e os alunos da sala 302 conheceram um Felipe assustador, fechado, com o olhar de quem não olhava ninguém. E uma arma na mão, uma arma na outra. Tiros. Sangue. Mortes. Quem um dia esteve por baixo, hoje tem o poder, hoje manda. Finalmente o pequeno Lipe conseguiu o que tanto queria: respeito.

Porém, nada o deixou mais satisfeito naquele momento tão absurdo, do que os olhos de medo de Bernardo, que não correu, não fugiu, não conseguiu esconder o pavor de ter reconhecido o mal que fez a um assassino. Lipe e Bernardo, frente a frente, em lados opostos, em posições contrárias. Quem chorava, implorando por piedade, pedindo para ser deixado em paz, desta vez era Bernardo. Não houve tempo para perdão. Quatro tiros vingaram anos de violência. Com um sorriso nefasto e aliviado, Lipe vomitou as palavras que seu coração machucado sempre quis dizer:

“Justiça! Finalmente, justiça!”.

Foram as suas últimas palavras. Com as mãos que lhe vingaram, as mãos que lhe deram o descanso. Um tiro na própria cabeça, um fim. Dois jovens que se acabaram, vítimas de suas próprias vidas. Quem foi o verdadeiro culpado? Quem é a vítima? O menino Lipe, no fim, foi vítima do seu próprio martírio. O menino Bernardo, vítima de sua ignorância social. Quantos e Bernardos e quantos Lipes ainda precisam morrer, para percebermos que uma sociedade não existe sem respeito? Quantos ainda precisam sofrer gratuitamente, pelas mãos de quem não entende que as pessoas são – graças a Deus – diferentes?  

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domingo, 15 de maio de 2011


Fé na verdade do mundo, que ela possa existir, apesar do mar de hipocrisia e falsas promessas que se tornou o nosso habitat natural. A naturalidade que perdemos, talvez nunca tenha existido, mas dentro de cada um ela não pode se perder. Pois, se um dia isto vier a acontecer, nada seremos além de máquinas, com engrenagens no lugar do coração.

Fé no amanhã, e mais do que isso, fé no hoje. O tempo voa, escoa pelas mãos, e o comodismo de deixar para depois acaba criando monstros da preguiça. Monstros que disseminam a resignação maléfica, a covardia, o “baixar a cabeça”. Mas sem desistir de acreditar no dia seguinte, como a esperança de salvação. O que não pode é transformar o amanhã em única opção. Faça hoje. Acredite no presente.

Fé no futuro. Um país que cresce despreparado, política, economicamente. Nosso povo ainda não percebeu que o Brasil é mais importante do que parece, e enquanto a consciência não vier de nós, o protagonismo mundial do nosso país pode entrar para a história, como mais um “milagre econômico”. Depende somente de nós fazer diferente no futuro. Nossos caminhos somos nós que abrimos, nesta selva de pedra e desilusões.

Fé no respeito ao próximo, ao respeito às diferenças. Ser diferente é o único traço igual a todos nós. Tolerar não é a palavra, pois significa algo forçado, imposto, a única alternativa para que uma fachada se mantenha. O verbo é respeitar. A consciência de saber que seu vizinho é gay ou sua irmã é agnóstica, e que você não tem o direito de julgá-los por isso. Ninguém tem.

Fé no seu time do coração, que ele possa chegar ao topo, ou escapar da degola. Que todos possamos escapar da degola, a pressão do dia-a-dia, as cobranças de todos os lados. Temos que ser bons filhos, bons pais, alunos nota 10, funcionários do mês, abrindo mão da nossa própria vida, da nossa própria felicidade. Que ainda possamos ser os senhores de nossos próprios destinos.

Fé em uma televisão de qualidade, sem apelação nem exploração da tragédia humana, espetacularizada apenas por audiência. Internet pode ser mais do que uma ameaça, na cabeça de seus pais. Pode sim. Esperar que os conteúdos sejam mais educativos, menos criminosos e/ou idiotas é querer demais. O que se pode acreditar é em uma juventude mais seletiva, mais consciente. Ora, sonhar não faz mal a ninguém!

Fé nos sonhos. Que nunca percamos a capacidade de fazer planos, de ter objetivos, por mais oníricos que sejam. Que a gente viaje mesmo, na maionese, nas nuvens, nos céus de fertilidade. Quem pode viver sem sonhos? A dádiva maior do ser humano é a liberdade da imaginação. Tenho fé na perpetuação da beleza da vida, no prazer de querer mais e melhor. Toda obra nasce de uma idéia

Fé em nós mesmos.  Fé em uma vitória brilhante, mesmo em meio a um fracasso. Fé no “sim”, depois de um “não”. Fé que um dia tudo vai melhorar, quando sua vida enfrenta, passivamente, uma maré ruim. Acreditar no que diz Renato Russo: “Quem acredita sempre alcança”. O que é o homem, senão o fruto da confiança de uma entidade maior que nós? Seja em Deus, em deuses, em uma ideologia, ter fé é ter força, disposição, esperança. Ter fé na vida, o maior presente que podíamos receber. Ter fé na vida é, simplesmente, viver.



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domingo, 8 de maio de 2011

Linda Rosa


Posta em meu caminho para ser a luz, te vi antes de saber ver, linda Rosa, feliz, sorrindo para mim o sorriso mais sincero. Eu te vi soberana, plena, viçosa, com o rosto orvalhado pelas lágrimas brilhantes de um puro e honesto sentimento, que me inundou de vida. O choro que chorei, na verdade, era uma gargalhada disfarçada de primeira respiração. Meu peito não doía pelas primeiras dilatações, mas pelo excesso de gratidão, que eu ainda não sabia como expressar, a não ser com gritos. Gritos de exaltação.

Ah, mas eu fui acolhido em seu  seio, linda Rosa, e aquele calor me trazia mais do que conforto Me trazia segurança, certeza de que eu nunca, por maior e mais desgarrado que fosse, eu nunca sairia dali, e sempre o seu abraço seria o meu abraço. Mas eu tinha pernas, precisei aprender a usá-las. Mas nunca estive sozinho. Era como se, ao ensaiar os primeiros passos, eu tivesse como objetivo as suas pétalas, linda Rosa, e eu precisava, vitalmente, chegar a você. Sempre cheguei. Chego até hoje.

Quanto mais eu crescia, mais eu entendia que eu lhe devia muito mais do que eu poderia imaginar. Meio acanhado, você me fazia levantar a cabeça, sem esquecer de olhar a quem estava no mesmo chão que eu. Meio temeroso, era você que me dizia “vai”. Meio descrente, era a sua voz, em qualquer lugar que eu estivesse, que me dizia para apostar no futuro. E, não há dúvidas, você pode nunca me confessar, porém eu sinto que, de todas as portas que se abriram para mim até hoje, você tem a chave de metade delas, linda Rosa. No mínimo.

Eu caí muito, linda Rosa, você sabe disso. Quantas vezes eu reclamei, julguei mal, falhei? Quantas vezes você me repreendeu, e eu não compreendia? Era só para não deixar meu sorriso se esvair em decepções, em frustrações que, com o tempo e sua ajuda, fui aprendendo, são mais comuns do que eu pensava. Sua experiência vasta começou a me dar chão, base, serenidade. Valores como honestidade, personalidade, afeto... Com quem mais eu poderia aprender, se não fosse com você?

E como se não bastasse ser a minha passagem para a vida, ainda me destes companhias na caminhada. Só você, calculista, poderia prever de quem eu iria precisar para me acompanhar durante a vida. Fui o último, e tive sorte. Encontrei por aqui um homem que daria a vida por mim, assim como você. Encontrei um amigo, a quem chamam de irmão, um parceiro. Um berço lindo, perfeitamente imperfeito, como só você, linda Rosa, em sua sabedoria infinita, poderia me dar.

Sabe, eu hoje sou um homem de caráter, e devo muito disso a você. Toda a bondade que eu tenho no coração, a obstinação, a justiça, o dom de sonhar e de traçar objetivos, eu recebi de você, como um presente. Presente ainda menor, do que o primeiro, o de me trazer à luz do mundo. Eu guardo hoje, e sempre guardarei, a sua imagem como aquela que me fazia andar, há muitos anos. Lembra, mãe? Eu nunca esquecerei. Em qualquer momento, em qualquer lugar, será você a flor que brilhará mais forte no meu jardim. Minha flor soberana. Linda Ana. Linda Rosa.