quarta-feira, 13 de abril de 2011

O crime do milênio - parte III


Nando não seria capaz de arquitetar um plano destes sozinho, precisaria de alguém mais competente para isso. Logo Nando, que nunca se interessou pelos negócios da família. Isolado da família, era ignorado pela mãe, que nunca confiou nele, mas seus irmãos nunca desistiram dele. Adriano e Letícia tentaram muito colocar juízo na cabeça do jovem Nando, mas ele nunca ouviu, nunca quis ser manipulado. Seu maior medo era ser teleguiado pela irmã, Letícia, o braço direito de Ricardo, a sucessora na cadeira da presidência do Grupo. Como mais velha, sempre a mais responsável, a pessoa em quem seu pai mais confiava.

Enquanto as investigações prosseguiam, Catarina, a viúva, apresentava um comportamento estranho, contrário para o que se esperava de uma mulher que sofreu e chorou a morte do marido. Parecia mais jovem, mais feliz, comprava roupas caríssimas, vivia em festas da alta sociedade paulistana. Passou à condição de suspeita. A polícia começou a procurar algo que ligasse Catarina ao assassinato de seu marido, e acabou encontrando o que seria a chave para um novo caminho para as investigações.

Segundo os registros telefônicos da matriarca dos Barreto, foi descoberto que, no dia do crime, Catarina recebeu uma ligação demorada e muito suspeita. Era Vicente, que supostamente estava na Argentina. Entretanto, a chamada tinha sido realizada do telefone da residência de Vicente, em São Paulo. Acuada, Catarina então confessou que recebeu uma ligação do empresário, e disse que ele a ameaçava, constantemente. Ameaçava contar um segredo de mais de 20 anos, que destruiria a sua família. Catarina tinha um amante.

Mas quem era esse amante? Será que ele teria alguma relação com o crime? E Catarina? Agora ocupava o topo da lista de suspeitos. A viúva não revelou o nome dele ao delegado, mas a  notícia abalou as estruturas de sua família. Os filhos não acreditavam no que descobriram, não sabiam como reagir. Mas ninguém sentiu tanto com essa revelação do que Adriano, o filho preferido. A decepção foi enorme, ele não aceitava ser filho de uma mulher que os traiu a vida inteira. Revoltado, após uma briga terrível com a mãe, Adriano saiu de casa, desgovernado. Sem rumo. Não deu notícias.

Enquanto isso, Vicente estava na mira da polícia, pois seu álibi tinha sido destruído. Ele mentiu, estava em São Paulo. Os investigadores foram atrás da verdade e descobriram que realmente Vicente mentiu. Estava na cidade, no dia da morte de Ricardo. Intimaram com urgência o empresário para depor sobre o que aconteceu, por quê ele mentiu para todos, dizendo que estava em Buenos Aires? O que ele estava fazendo na noite de 31 de dezembro de 2000? Entretanto, ele não teve chance.

Dois dias depois, chega a notícia: Vicente Moraes fora encontrado morto a facadas no seu flat, na noite anterior, em sua cama, ao lado de uma mulher, uma jovem. A jovem era Letícia, filha de seu maior rival.

Continua...



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