segunda-feira, 11 de abril de 2011

O crime do milênio - parte I


31 de dezembro de 2000. Como tradição, a última noite do ano, neste caso, do milênio, seria celebrada na festa do empresário Ricardo Barreto, onde a elite paulistana se reunia para comemorar mais um ano de riqueza e esnobismo. Como sempre, muitos convidados, imprensa, famosos, quase-famosos e penetras, juntos e pretensiosamente contentes. Ricardo, um dos grandes do ramo de hotelaria nesse país, ostentava sua riqueza sempre com um reveillon histórico, na obra de sua vida, o Sunrise Plaza, maior hotel de São Paulo. Requinte era a palavra de ordem. Pelo menos parecia.

Ricardo era um homem muito admirado pelo seu sucesso, porém muito visado, pela mesma razão. Muitos, quase todos os presentes na grande festa estavam ali por nada mais do que um cheque gordo e uma foto ao seu lado nas colunas sociais do dia seguinte. Quer oportunidade melhor de auto-promoção do que o reveillon de Ricardo Barreto? Milionário, famoso, garantia de sucesso, tudo o que um “amigo” deve ter para conquistar os ávidos olhos das águias que sempre o rodearam. Mas a festa continuava impecável.

A cada flash, brotavam sorrisos. O tapete vermelho do Sunrise continuava cheio de estrelas que abrilhantavam a magia falsa dessa festa. Ricardo acompanhava orgulhoso por, mais uma vez, ser o centro das atenções de uma noite cheia de atenções. Sua esposa, Catarina, deslumbrante como sempre, desfilava um Valentino exclusivo, com o garbo de quem está onde está. Os seus filhos, três, de temperamentos bem diferentes, completavam a foto. Letícia, a primogênita, orgulho do pai, a certeza de um futuro seguro para os negócios. Adriano, o eterno jovem, que seguiu um caminho diferente, e hoje é um grande jornalista. O mais rebelde é Fernando, Nando, que não suporta a ideia de estar usando terno e gravata.

As horas passam, a festa continua, e a música continua. O ano está no fim, e vai começar a contagem regressiva. 10. Ricardo anuncia o início dos fogos. 9. Os convidados esperam. 8. Burburinho. 7. A família Barreto sorri para as câmeras. 6. As luzes, de repente, se apagam. 5. Tensão. 4. Um tiro. 3. Outro tiro. 2. As luzes se acendem. 1. Ricardo está ensanguentado, está morto. 0. 2001 começa, e a vida de Ricardo Barreto está no fim. Ironicamente, enquanto o corpo está estirado no salão, fogos estouram no céu. Comemorando o quê?

A família se desespera, o choro chocado dos filhos, mais flashes, mais gente que queira aproveitar a notícia. A morte de Ricardo Barreto não demorou a se tornar a manchete de todos os jornais. Mas ninguém poderia sair daquele hotel, tratava-se de um assassinato. A festa acabou, Ricardo acabou, mas a história está apenas começando.


Continua...


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