sexta-feira, 15 de abril de 2011

O crime do milênio - FINAL


Quando a polícia chegou à casa de Álvaro, a empregada disse que o chefe tinha acabado de sair de casa, dizendo que ia fazer uma viagem longa, levando muita bagagem. Essa era a prova que faltava para justificar o roubo da empresa. Álvaro era foragido, e a polícia começou a perseguição. Quando o empresário percebeu, acelerou seu carro, levando os policiais na sua cola. Ele não parava.

A imprensa, essa hora, já sabia, e acompanhava atentamente. Um fugitivo nas ruas da metrópole do Brasil. Até que Álvaro ficou encurralado por uma blitz na estrada de saída da cidade. O cerco tinha se fechado. Ele ainda tentou fugir correndo, mas foi em vão. Todas as armas estavam apontadas para ele, não havia saída. Não havia como escapar. Foi ele. É ele. Suas atitudes responderam a pergunta que intrigou a cidade. Álvaro matou Ricardo Barreto.

Porém ainda faltavam respostas. Por quê? Desde que conheceu Ricardo, Álvaro viu que o amigo era sempre o queridinho da turma, o destaque da faculdade, o mais bem sucedido no trabalho, na família. Entretanto, não foi esse o principal motivo. A noite do crime foi mais longa do que nós imaginamos.

Na tarde antes da festa no Sunrise, Catarina procurou Álvaro para contar que Vicente continuava a chantageando, exigindo que ela se separasse de Ricardo e de Álvaro, para ficar com ela, do jeito que sempre desejou. Álvaro já estava farto, queria acabar com tudo de vez, e contou do plano de matar Vicente. Catarina, atônita, não aceitou, ficou com medo, não queria ser culpada pela morte de ninguém.

Mas Catarina tinha algo mais a contar para o amante. Adriano era seu filho. Ao saber disso, Álvaro enlouqueceu de ódio, os dois brigaram feio, ele não aceitava ser passado para trás por mais de 20 anos. Foi imperdoável, Álvaro deu um tapa na cara de Catarina, a expulsou com violência do quarto de hotel onde sempre se encontravam. Álvaro Drummond estava tomado pela ira, mas acima de tudo, estava inconformado por ver seu maior rival criar o filho que ele nunca teve, a única chance de construir uma família lhe foi tirada por Ricardo. O mesmo Ricardo que já tinha levado Catarina, na juventude.

Então, quando a noite chegou, no salão do Sunrise, ele cumpriu sua vingança doentia. Aproveitou o apagar das luzes, se posicionou bem escondido, e disparou dois tiros certeiros contra o maior inimigo.  Estava feito. Ninguém desconfiaria dele, era óbvio. Por isso Álvaro acusou Nando, o filho mais novo, de ter roubado a empresa, se aproveitando da fama de rebelde do jovem.

E Vicente? E Letícia? Qual a relação entre os crimes e o assassinato de Ricardo? Era simples. Letícia, ao descobrir que Álvaro era o pai biológico de Adriano, foi até sua casa, para descontar sua raiva. O empresário e ela discutiram, Letícia se exaltou, e acabou revelando que iria contar para Vicente naquela mesma noite, e que não demoraria para que sua carreira estivesse arruinada, como a família dela já estava. Um escândalo era tudo o que Álvaro não queria.

Não havia outra escolha, a não ser apagar as ameaças. Horas depois, o assassino invadiu o apartamento de Vicente, esperou os dois dormirem e, sem pena, acabou com tudo a golpes de faca. A partir daí, Álvaro já estava envolvido demais, sujo demais, logo seria o principal suspeito. Por isso decidiu fugir. Mas foi encurralado. Confessou. Mesmo assim, não aceitaria perder para a polícia. A arma que empunhava foi o tiro de misericórdia. Suicídio. Em frente a todos, o assassino se tornou vítima. De sua ambição desmedida, de sua inveja maldita. Álvaro Drummond matou e morreu por vingança.





LEIA PARTE 1
LEIA PARTE 2
LEIA PARTE 3
LEIA PARTE 4



Nenhum comentário: