sábado, 30 de abril de 2011

Hiato


E
screver. O sublime ato da criação, onde os melhores personagens vivem as histórias mais inusitadas, ou a realidade se torna mais leve ou pesada, sem deixar de ser real. Campo dos sonhos, também. Inventar, voar nos pensamentos, delírios delirantes da imaginação, aquela que nunca para de funcionar. Será mesmo?

Inspirações. Tudo no planeta serve de ponto de partida para um livro, uma história, uma crônica, mas a condição principal de um bom escrito não é o que o motiva, e sim o que é motivado. No caso, o autor. E por mais produtivo que ele seja, o escritor não está imune da pausa natural, que todos nós, artistas ou não, precisamos e vivemos. É praxe. Eis que chega o momento da vida onde as coisas param. Porque outras tomaram o seu tempo, ou porque a mente precisa descansar.

Eu não disse que a mente para de funcionar. Pois não para. Máquina com gerador infinito, nosso cérebro nos abençoa com idéias a cada segundo. Seja isso bom ou ruim. Me refiro ao momento, ao contexto atribulado, que te sublima, que te afasta do prazer de escrever. Cansaço, dia cheio, problemas. As palavras escasseiam, a fonte dá sinais de que está fraca, quase seca, e você acaba pensando que nada mais te traz de volta às letras. Se você chegou, como eu, a esse ponto, amigo, reaja.

Não encare a vida como um vazio, o vazio que você, provavelmente se tornou ultimamente. Vazio, de tão cheio. De tudo. Muita informação te deixa desinformado, a água em excesso afoga, muito para não te deixar fazer nada. Não se esqueça das pessoas, lembre dos amores, valorize o pouco que te deixa animado, disposto, vivo. Pode ser que você viva o melhor momento da sua vida, e mesmo assim você sinta que algo ainda falta, por mais que não falte. Confuso, né? Eu sei.

Mas, para sorte de todos os embaralhados de plantão, fica o clichê adaptado: nunca é tarde para que sintamos o recomeço, a primeira palavra escrita, reescrita. O ânimo de um escritor vem do que ele guarda de mais precioso: o talento. E esse, pessoal, não depende de nada. Pode passar o tempo que for, mas ele fica ali, guardado, espera quieto, até o momento em que algo lhe traz à tona novamente. E quem tem talento não precisa de pressa. As letras aparecem, e lá estamos nós, escritores, voltando ao lugar que nunca abandonamos. As páginas de uma história que ajudamos a escrever, todos os dias. 


Um comentário:

Mah Jardim disse...

"O ânimo de um escritor vem do que ele guarda de mais precioso: o talento."
Eu acrescentaria "paixão" para fazer par com o "talento".
Muito bom o texto,parabéns :D