sábado, 29 de janeiro de 2011

Tragédia do Real Class

Sábado, 29 de janeiro de 2011.

Belém assiste a uma das maiores tragédias da construção civil do Pará. O edifício Real Class, com 34 andares construídos e previsto para ser entregue no final do ano, desaba na a Av. Três de Maio, entre Magalhães Barata e José Malcher, em uma tarde de chuva forte na capital paraense. Duas casas vizinhas foram atingidas, carros e a fiação elétrica foram destruídos, e algumas pessoas ficam feridas. Um prédio residencial vizinho foi rapidamente evacuado, pois ameaça desabar também. Casas próximas foram interditadas e o fornecimento de energia elétrica foi interrompido em três bairros. Abaixo, uma reportagem completa sobre o sábado que abalou os paraenses.

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24 horas: trabalhos em área do desabamento não irão parar

De Portal ORM (http://www.orm.com.br/)
Fotos: HAROLDO QUEIROZ


De acordo com o Corpo de Bombeiros, há cinco operários desaparecidos. Eles estão sendo procurados e inclusive foi feita uma operação para entrar em contato com as famílias, de imediato. De acordo com a Secretaria de Comunicação do Pará, o Corpo de Bombeiros já trabalha em turnos de 24 horas para dar prosseguimento a operação.


Duas equipes estão divididas em frentes específicas. 'Uma faz a remoção dos escombros e outra vai por trás do prédio, com cães farejadores, para tentar encontrar possíveis sobreviventes', afirmou o secretário de Comunicação, Ney Messias. A Sesan trabalha no local com 15 caçambas, quatro pás mecânicas, dois carros muncks, dois hidrojatos, um caminhão pipa e guinchos.

O fornecimento de energia na área foi interrompido por motivos de segurança. Apesar do corte de energia, um gerador garante a iluminação necessária e as buscas continuarão ininterruptamente.



A área foi totalmente isolada por técnicos da Defesa Civil Estadual e Municipal. Os moradores de casas e prédios próximos ao local do acidente foram remanejados, pois o risco de desabamento na área é grande. Eles foram para casas de parentes, onde devem passar a noite. O Governo do Estado montou um posto de cadastrar famílias que não tenham onde dormir e precisem de um abrigo.

Moradores da área afirmam que o prédio já havia sido denunciado por irregularidades na obra. Sobre isso, o governador Simão Jatene declarou que vai determinar à área de defesa do governo do Estado o levantamento de informações sobre as denúncias.

Outro lado - Em nota, a Real Class Construção e Incorporação SPE Ltda, responsável pela obra, lamentou o ocorrido e afirmou que vai investigar as causas do acidente. A empresa também informou que continuará acompanhando o caso e aguarda os laudos periciais.


Atendimentos - Quatro pessoas foram atendidas no PSM da 14 de Março, feridas após o desabamento, mas segundo a Secretaria Municipal de Sáude, nenhuma é vítima direta do acidente.

Raimundo Nonato Pantoja, de 54 anos, que morava na redondeza do prédio, foi atendido, avaliado pelo neurologista, por traumatologista, mas não possuía nenhum trauma grave e foi liberado em seguida. Maria Nilta Lemos de Oliveira, 52 anos, passava pelo local no horário do acidente e foi pisoteada.


Ela foi avaliada e aguarda alta médica, mas também não possui nenhum trauma grave. Arlene Araújo Costa, 74 anos, mora nas redondezas e passou mal com o susto. Foi atendida e liberada em seguida. Maria José da Cruz Pereira, 74 anos, sofreu um corte superficial na testa, mas foi embora do hospital antes da avaliação do neurologista.

Três Unidades de Suporte Avançado - ambulâncias do tipo UTI - e quatro Unidades de Suporte Básico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram encaminhadas ao local para realizar os primeiros atendimentos aos possíveis sobreviventes do desabamento. Trinta profissionais de resgate entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e motoristas atuam no local.

Ao todo, 200 funcionários da Prefeitura de Belém estão trabalhando em regime de plantão na área da tragédia. Sesan, Sesma, Seurb, Semma, Guarda Municipal, Funpapa, CTBel, Defesa Civil e AmaBelém participam dos trabalhos.

Trânsito - Pelo menos até a próxima terça-feira (1º) o tráfego de veículos permanecerá fechado nas avenidas José Malcher e Magalhães Barata, no perímetro entre a 14 de Abril e Alcindo Cacela. O itinerário do transporte coletivo, que circulavam na José Malcher, foi desviado para a rota Antonio Baena-Antonio Barreto-Alcindo Cacela-José Malcher. Enquanto que, o tráfego de veículos da Magalhães Barata está sendo feito pela Gentil.

Carros removidos - A Companhia de Transportes de Belém informa ainda que os veículos estacionados próximos ao local do desabamento foram removidos para a Castelo Branco e 9 de Janeiro. Apenas, dois automóveis - que estavam danificados, foram encaminhados para o pátio da CTBel, a fim de garantir a segurança dos veículos.

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A Tragédia do Real Class foi destaque também na imprensa nacional, com cobertura de diversas emissoras de tv, rádio e mídia impressa no local, além de ser citado em sites internacionais, como a BBC. Relevante também foi a participação dos tuiteiros que, em tempo real, divulgavam notícias e faziam pedidos para a população. E a cobertura local do ocorrido foi fantástica, independente e eficaz, na dissolução das muitas dúvidas que surgiam, e na prestação de serviço à população.

O povo paraense se solidariza com os familiares, aflitos por notícias, e ora para que nenhuma outra tragédia como essa venha a vitimar inocentes. O tempo vai passar, e a perícia apontará as reais causas dessa catástrofe que já está gravada na memória de todos os belenenses. Que haja competência, seriedade e, acima de tudo, JUSTIÇA, na apuração dos fatos, na carência aos atingidos, e na punição aos possíveis culpados. É cedo ainda, nada pode ser comprovado. Mas a certeza é que um edifício de mais de 30 andares não cai por nada. Aguardemos o desenrolar dessa história. Atentamente.

Que Nossa Senhora de Nazaré proteja a todos os que lutam por vidas soterradas no meio de tanta desolação e pavor!


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