sábado, 8 de janeiro de 2011

Mistura e fala

N
esse momento você está lendo este post no meu blog, e ao mesmo tempo está tuitando, divulgando meu site, fazendo um backup no seu pc ou simplesmente mandando scraps legais para seus amigos pela internet.
Eu inicio esse texto constatando o que está mais do que óbvio, para mim e para todos nós: a língua portuguesa é extremamente cosmopolita. Sim, fica clara a intensidade desse fenômeno que invade cada vez mais o nosso cotidiano lingüístico e que acabam se fixando em nosso vocabulário. Com os adventos tecnológicos das últimas décadas, o que surgiram de palavras derivadas ou até mesmo copiadas do inglês não foi pouca coisa. Verbos novos, como deletar e tuitar – que foi incluído na mais nova versão do dicionário mais famoso do país – que antes dos nossos pais ninguém saberia classificar. Além destas, outras palavras reforçam o estrangeirismo inerente ao português. Por exemplo, pra quê dizer “bateria de exames” se eu posso, em menos tempo, dizer a mesma coisa, usando um termo mais simples, que ninguém precisa ser poliglota pra entender? Então, seja bem-vindo, check up! Não sei vocês, mas eu não costumo fazer teste de direção se eu consigo fazer um test drive.
Aliás, muitas palavras, de tão banais que são, acabam se aportuguesando. E nem percebemos. Grande parte dos esportes com bola tem nomes gringos, que nós adaptamos, alguns até com uma pitada de falta de criatividade. Os EUA são os mestres do basketball, mas andaram sofrendo da seleção argentina, ouro olímpico no baloncesto. Aqui virou basquete mesmo. Mas não é apenas do Tio Sam que pegamos emprestadas algumas expressões. Mulheres, se vocês estiverem passando batom e disserem isso enquanto o fazem, com biquinho, parabéns! Vocês estão falando francês. Complementando ainda mais a maquiagem, com batom vocês ficam mais chiques... Opa, mais dois.
Polêmica, a questão dos estrangeirismos gera muitas dúvidas e divide opiniões. Afinal de contas, ele é ou não é nocivo à nossa querida e Última Flor do Lácio? Há quem diga que sim, pois significa a supremacia ou imposição de uma cultura sobre a outra – como se no Brasil isso fizesse alguma diferença hoje. Particularmente eu acho que isto não é nada mais do que o inevitável processo de evolução das línguas, que acompanha os passos da sociedade, pelo óbvio fato de a língua ser um objeto SOCIAL. Portanto, se nosso comportamento muda, se nossas interações mudam, a língua pode, deve se adequar sim ao que é por nós imposto.
Não, eu não acho que devemos sair por aí falando em inglês, gritando “UHU”. Eu apenas defendo a tese que bota a língua portuguesa como um patrimônio que em momento algum será sequer ameaçado por quaisquer outros idiomas. Se falamos mouse, que alguém encontre outra definição EM PORTUGUÊS e eu a direi, talvez, com o tempo. Não é nenhuma “descaracterização da língua portuguesa”, como alega Aldo Rebelo, deputado que propôs um projeto de lei que vetasse o uso de estrangeirismos. A questão é a irreversibilidade do processo.
Nem sempre os estrangeirismos seguem à risca o que querem dizer. Em São Paulo, vamos ao shopping, enquanto em Beverly Hills se vai ao mall. Quem em São Paulo ou no Brasil diz que vai ao mall? E quem usa lápis e caneta pra escrever em seu notebook? Eu uso o teclado...
Mas ainda não é uma questão fechada, o processo não é. Então, o que nos cabe é seguir usando o que nos é conveniente no momento, estrangeiro ou não, mas que vise a compreensão. Se eu não encontro significados na minha língua, que procure um melhor em outra, que mal faz? Eu preciso dizer que estou publicando um texto na minha página na Rede Mundial de Computadores, esperando que meus leitores divulguem no Gorjeio ou mandando recados através de redes sociais quaisquer? Não, se eu disser que postei no blog. Whatever!

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