quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Flashback

A
na e Pedro são um casal que já passou por muitas e ótimas nessa vida, desde que se conheceram, lá nos velhos tempos de universidade, quando não pensaram em diversão, farra e outras divertidas bobagens de adolescente não acostumado com a maioridade, e juntos resolveram ficar. Fácil nunca é, mesmo porque, se fosse, esse texto nem existiria. Enfim, um dia desses os dois, recém-casados, em um dos cômodos da casa que não precisa ser citado, após fazer algo que não precisa ser citado mesmo, resolveram fazer uma Sessão Nostalgia de suas vidas, que eram uma só há mais de dez anos. Cada coisa surgiu desse baú tão cheio...
Os dois relembraram de cada nomes, dos planos que faziam no começo, entre filhos e pianos, inclusive invadindo um o espaço do outro... Mas os espaços de cada um já tinham se tornado um único quadrado, e eles nem se deram conta. Lembraram dos momentos divertidos, que foram muitos, por sinal. Das risadas por almoços queimados, das chuvas que molharam os desprevenidos, das besteiras que um ouvia do outro. Como soavam bem. Ainda soam, mas isso não vem ao caso.
Mas, das lembranças pitorescas, as mais presentes sempre tiveram um nome só, independente de gênero, tempo e quantidade: pretendentes. Os dois até perderam a conta de quantos eram, para ambos a horta sempre foi bastante fértil, com muita chuva. Chuvas demais. Ela, um anjo, cheia de qualidades que até Freud duvidaria. Não, não é deboche! Ana era – e sempre foi – uma pedra preciosa. Talvez por isso muitos garimpeiros tentaram conquistá-la. Coitadinha, tinha a irritante mania de atrair quem não queria, e se surpreendia quando conseguia ver o que a torcida do Flamengo já tinha visto séculos antes. Tão boa, porém tão boa. Sua enorme generosidade nem sempre foi encarada pelos maus olhos como apenas generosidade. Ana sofria com isso.
Já Pedro, como todo e qualquer macho, sempre gostou de atenção! Ele ri até hoje, do que achava super maneiro na juventude. Claro, um ser humano envaidecido ganha, de longe, de qualquer pavão vistoso e brilhante. Quanto mais um garoto. E foram muitas, convenhamos. Mas havia uma peculiaridade que o destacava nessa história toda: enquanto por Ana muitos passaram, uma em Pedro teimava em ficar. Teimava com gosto, com fogo, como um ímã mesmo. Sem o menor pudor, esse ímã grudava, grudava, grudava. A força magnetilouca dessa pessoa era tão grande, que precisava ser vista por todos, como se aquilo fosse a comprovação de que ela era brasileira e, por isso, desistir jamais! Até hoje fica a dúvida: qual dos dois ela queria mesmo incomodar? Seria Pedro, com seu charme a lá Clooney? Seria Ana, a Donatela de uma Flora cada dia mais obcecada? Vai saber.
De repente, uma gargalhada. Ana não conseguiu se conter, e sorriu alto. Sorriu, por ter “vencido a batalha”, desmagnetizando qualquer rival, e depois de tudo e de todos, ali estava, feliz, com o coração que sempre lhe trouxe para perto? Não. Ela é maior do que isso. E soube, por mais que negasse, ela sempre soube que esse dia um dia chegaria, o dia da Sessão Nostalgia, apenas mais um dos divertidíssimos balanços da caminhada. Pedro, um rapaz que viveu muitas coisas, muitas pessoas, ria, pois sabia desde o começo que A pessoa estava com ele, e ele com ela.
Bom, mas como todo casal novinho, logo após essa alegria pelo passado cheio de histórias para contar e recontar que os dois construíram, o romantismo voltou a ser o depois. O agora, meus amigos, era alguma coisa em algum lugar que eu não preciso nem revelar. Mas vou! Essa coisa alguma era simplesmente amor. E o lugar? O coração. Onde mais?

2 comentários:

Ana Olivia disse...

Preciso dizer, UAU!
adorei a história e meio que me identifiquei com ela. Parabens pelo escrito! Parabens mesmo!
Espero novas histórias tao boas ou melhores que esta!
enorme bijo!

Carolina Pinheiro disse...

essa história faz um filme huehue,parabéns \o