domingo, 30 de janeiro de 2011

Puro êxtase

AVISO AOS LEITORES: O texto a seguir não é indicado para menores de 18 anos. Contém palavras pesadas e forte conotação libidinosa. Pode provocar reações imediatas e incontroláveis.







Eu avisei!







O
 encontro dos corpos, suados, exalando prazer e loucura, que juntos se tornam um só. O movimento que liberta o êxtase, e esquenta, estimula, estremece, excita. Aquele tesão que vem de qualquer lugar, jorrando feito um chafariz de alegria e loucura, na pessoa do seu desejo. Desejo. O fogo do prazer, a libido em chamas. Ah, o doce – e apimentado – sabor do sexo! Não há nada igual.
Água na boca. Poucas sensações são tão gratificantes para o ser humano quanto fazer sexo, e isso é cientificamente comprovado. As sensações provocadas antes, durante e depois do ato mudam o humor, o espírito, e levam as pessoas a um plano absolutamente diferente. O que justifica uma afirmação minha: não há sexo certinho. Quando eu falo “certinho”, quero dizer metódico. Pragmatismo e prazer não fazem sentido, muito menos no sexo. A pessoa menos “pecadora” que você conhece, acredite, se transforma completamente na hora H. Gente certinha não transa como é, porque não deve nunca ter experimentado e se lambuzado com tanta luxúria. As famosas quatro paredes mudam qualquer um.
Não necessariamente quatro paredes. Pode ser cinco, seis, nenhuma. A prática do sexo não exige nada além de dois ou mais indivíduos. O lugar passa a ser detalhe, quando a vontade é avassaladora. No carro, na escada, nas areias de Copacabana, no meio do mato, não importa. A aventura excita mais, o medo de ser pego melhora a pegada, e dizem por aí que hormônios diferentes são liberados cavalarmente, o que só aumenta o prazer.
Prazer esse que, necessariamente, não precisa estar apenas no fim. Desde as preliminares os arrepios preparam o clima para o que virá a seguir. E o antes é muito importante, pois é nesse momento que os estímulos são mais fortes, os primeiros, o alimento da vontade. Vontade de possuir, de ser possuído, de ser o outro por meio de seus corpos. Excitante! O passeio das mãos, dos lábios que se encontram e desencontram, desbravam o outro, procuram os alvos, ensaiam gemidos loucos. E convenhamos que este é o melhor momento para admirar o(a) parceiro(a). Com os olhos, com as mãos, com a boca, com calor. As curvas, os seios, os pelos que se entrelaçam rumo a algo bem melhor.
Aquela troca de calor, que a física nem se atreve a explicar neste momento, os beijos mais quentes do que o sol do meio-dia. O vai-e-vem da união, do encontro dos sexos, da consumação. Quanto mais se tocam, menos se querem distantes. A atração é fatal, dispara corações, prende a respiração. Não importa para onde os olhos o guiam, mas sempre a certeza de que algo vai surgir. Silêncio. Grito. Silêncio.
Sons. Trilha sonora da sedução. Palavras em francês, o clima perfeito. Mas sexo é gosto. Se um rock te leva às nuvens, que seja. Mais valem os sons do momento, aqueles que, sussurrantes, quase surdos, te dizem palavras torpes, com a mesma sede de quem busca o oásis no meio de um deserto. Como estas palavras se tornam leis, quando não há leis. O único mandamento é o prazer, a loucura, o novo. Aquela realidade que virará o sonho de várias noites, pelo menos até a próxima vez.
Se você que leu este texto – todo – e nunca se permitiu sentir o veneno que faz viver, a doida e santa sensação do sexo, que fique bem clara a minha posição de descrever. Se eu lhe estimulei a descobrir, isso fica a seu critério! Depende apenas de nós nos abrirmos a novas experiências, a confiar em alguém que sente o mesmo. Não quero ser romântico nem careta, mas fazer amor é exatamente tudo isso que eu escrevi, com apenas uma diferença: não se faz com qualquer um. Mas, em qualquer lugar, seja a cultura que for, sexo sempre será sexo. E ponto final.


Use camisinha!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Tragédia do Real Class

Sábado, 29 de janeiro de 2011.

Belém assiste a uma das maiores tragédias da construção civil do Pará. O edifício Real Class, com 34 andares construídos e previsto para ser entregue no final do ano, desaba na a Av. Três de Maio, entre Magalhães Barata e José Malcher, em uma tarde de chuva forte na capital paraense. Duas casas vizinhas foram atingidas, carros e a fiação elétrica foram destruídos, e algumas pessoas ficam feridas. Um prédio residencial vizinho foi rapidamente evacuado, pois ameaça desabar também. Casas próximas foram interditadas e o fornecimento de energia elétrica foi interrompido em três bairros. Abaixo, uma reportagem completa sobre o sábado que abalou os paraenses.

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24 horas: trabalhos em área do desabamento não irão parar

De Portal ORM (http://www.orm.com.br/)
Fotos: HAROLDO QUEIROZ


De acordo com o Corpo de Bombeiros, há cinco operários desaparecidos. Eles estão sendo procurados e inclusive foi feita uma operação para entrar em contato com as famílias, de imediato. De acordo com a Secretaria de Comunicação do Pará, o Corpo de Bombeiros já trabalha em turnos de 24 horas para dar prosseguimento a operação.


Duas equipes estão divididas em frentes específicas. 'Uma faz a remoção dos escombros e outra vai por trás do prédio, com cães farejadores, para tentar encontrar possíveis sobreviventes', afirmou o secretário de Comunicação, Ney Messias. A Sesan trabalha no local com 15 caçambas, quatro pás mecânicas, dois carros muncks, dois hidrojatos, um caminhão pipa e guinchos.

O fornecimento de energia na área foi interrompido por motivos de segurança. Apesar do corte de energia, um gerador garante a iluminação necessária e as buscas continuarão ininterruptamente.



A área foi totalmente isolada por técnicos da Defesa Civil Estadual e Municipal. Os moradores de casas e prédios próximos ao local do acidente foram remanejados, pois o risco de desabamento na área é grande. Eles foram para casas de parentes, onde devem passar a noite. O Governo do Estado montou um posto de cadastrar famílias que não tenham onde dormir e precisem de um abrigo.

Moradores da área afirmam que o prédio já havia sido denunciado por irregularidades na obra. Sobre isso, o governador Simão Jatene declarou que vai determinar à área de defesa do governo do Estado o levantamento de informações sobre as denúncias.

Outro lado - Em nota, a Real Class Construção e Incorporação SPE Ltda, responsável pela obra, lamentou o ocorrido e afirmou que vai investigar as causas do acidente. A empresa também informou que continuará acompanhando o caso e aguarda os laudos periciais.


Atendimentos - Quatro pessoas foram atendidas no PSM da 14 de Março, feridas após o desabamento, mas segundo a Secretaria Municipal de Sáude, nenhuma é vítima direta do acidente.

Raimundo Nonato Pantoja, de 54 anos, que morava na redondeza do prédio, foi atendido, avaliado pelo neurologista, por traumatologista, mas não possuía nenhum trauma grave e foi liberado em seguida. Maria Nilta Lemos de Oliveira, 52 anos, passava pelo local no horário do acidente e foi pisoteada.


Ela foi avaliada e aguarda alta médica, mas também não possui nenhum trauma grave. Arlene Araújo Costa, 74 anos, mora nas redondezas e passou mal com o susto. Foi atendida e liberada em seguida. Maria José da Cruz Pereira, 74 anos, sofreu um corte superficial na testa, mas foi embora do hospital antes da avaliação do neurologista.

Três Unidades de Suporte Avançado - ambulâncias do tipo UTI - e quatro Unidades de Suporte Básico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram encaminhadas ao local para realizar os primeiros atendimentos aos possíveis sobreviventes do desabamento. Trinta profissionais de resgate entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e motoristas atuam no local.

Ao todo, 200 funcionários da Prefeitura de Belém estão trabalhando em regime de plantão na área da tragédia. Sesan, Sesma, Seurb, Semma, Guarda Municipal, Funpapa, CTBel, Defesa Civil e AmaBelém participam dos trabalhos.

Trânsito - Pelo menos até a próxima terça-feira (1º) o tráfego de veículos permanecerá fechado nas avenidas José Malcher e Magalhães Barata, no perímetro entre a 14 de Abril e Alcindo Cacela. O itinerário do transporte coletivo, que circulavam na José Malcher, foi desviado para a rota Antonio Baena-Antonio Barreto-Alcindo Cacela-José Malcher. Enquanto que, o tráfego de veículos da Magalhães Barata está sendo feito pela Gentil.

Carros removidos - A Companhia de Transportes de Belém informa ainda que os veículos estacionados próximos ao local do desabamento foram removidos para a Castelo Branco e 9 de Janeiro. Apenas, dois automóveis - que estavam danificados, foram encaminhados para o pátio da CTBel, a fim de garantir a segurança dos veículos.

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A Tragédia do Real Class foi destaque também na imprensa nacional, com cobertura de diversas emissoras de tv, rádio e mídia impressa no local, além de ser citado em sites internacionais, como a BBC. Relevante também foi a participação dos tuiteiros que, em tempo real, divulgavam notícias e faziam pedidos para a população. E a cobertura local do ocorrido foi fantástica, independente e eficaz, na dissolução das muitas dúvidas que surgiam, e na prestação de serviço à população.

O povo paraense se solidariza com os familiares, aflitos por notícias, e ora para que nenhuma outra tragédia como essa venha a vitimar inocentes. O tempo vai passar, e a perícia apontará as reais causas dessa catástrofe que já está gravada na memória de todos os belenenses. Que haja competência, seriedade e, acima de tudo, JUSTIÇA, na apuração dos fatos, na carência aos atingidos, e na punição aos possíveis culpados. É cedo ainda, nada pode ser comprovado. Mas a certeza é que um edifício de mais de 30 andares não cai por nada. Aguardemos o desenrolar dessa história. Atentamente.

Que Nossa Senhora de Nazaré proteja a todos os que lutam por vidas soterradas no meio de tanta desolação e pavor!


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Epitáfio

V
ocê se lembra do nosso primeiro encontro, amor? Lembra de como nós éramos jovens, cheios de vida e planos, com uma estrada longa a ser percorrida? É, eu ainda lembro muito bem. Os teus olhos, feito faróis verdes, me indicando “siga”, e eu não pude fazer outra coisa, a não ser obedecê-los. Sentada em um banco de praça, o clichê mais romântico de um primeiro encontro, e você ali, como uma princesa, de rosto rosado de sol e doçura. Eu era apenas contemplador de tamanha obra de arte, esculpida por Deus em um de seus dias mais inspirados. Talvez Ele, logo após criar você, amor, finalmente descobriu o real sentido da palavra perfeição.
Cheguei tímido e, hoje te confesso, não estava pronto para falar nada. Eu, o homem, não tinha como puxar uma conversa, logo imaginei que nós dois não seriamos mais do que simples estátuas, paradas, inativas. Porém, para a minha surpresa, você falou. A maior e melhor surpresa da minha vida. Eu não esperava, nem procurava, alguém como você. Muito menos o que você me deu nos dias que vivemos após esse encontro. Foi lindo. Absolutamente tudo. Eu sorri meus melhores sorrisos, gritei mais alto que minha voz permitia, eu não conheci limites. Na vida e no amor.
Que imenso amor! Você me deu um sentido que jamais esperava ter, nem nos áureos tempos da minha caminhada. Você abriu meus olhos para o lado mais colorido do mundo, despertou sentimentos que o orgulho tinha feito adormecer em mim. Com você eu esqueci do tempo, que custava em passar. Sorte minha. Os momentos de sufoco nós dividimos. As alegrias, amor, mais ainda. Cada passeio, cada aventura em frente a nossa casinha, cada passo dado, uma luta, um conforto. Esperamos o momento certo para nos encontrarmos.
Em meus olhos o amor apontava para todos, eu era uma placa ambulante, onde se lia “EU AMO”, em letras garrafais. Sair de casa, meu bem, só se fosse com você. Eu não podia me dar o direito de não desfrutar um minuto sequer de sua presença. Vivemos sós, vivemos como um só, e ai de quem resolvesse nos contrariar. Houve muitos. O que a sociedade via com olhos de estranheza e rejeição, nós víamos com olhos de duas pessoas que reencontraram o lindo caminho da vida. E o melhor: juntos.
Hoje, meu amor, eu não estou aqui para chorar. Choraria se eu tivesse motivos, e eu sei muito bem que, em qualquer plano, nós estaremos juntos. O fim para nós nunca chegará, o infinito é pequeno demais para o amor que nutrimos um pelo outro, em tão pouco e cruel tempo. Você lembra do nosso primeiro encontro, amor? Minha memória não falhou, apesar da idade. Agora eu vejo que eu sempre estive certo. O seu sossego será o meu sossego. O mundo me mostrou alguém para viver os últimos anos da minha jornada, e eu tenho absoluta certeza de que foi recíproco. Mas ainda não acabou. Nunca acabará. Eu estou chegando, meu bem. Vou de carona com o tempo, que te levou da vida, mas que nunca te tirará de mim. 

De: Rodrigo Amarante
Por: Los Hermanos

domingo, 23 de janeiro de 2011

Minha vez

S
abe, eu estive pensando muito nesses dias. Pensei no quanto nós nos entendemos, no quanto é bom estar com você. Naqueles momentos que, propositalmente casuais, se transformam em tudo, em amor. Os minutos que viram meses, os limites que nos tiram do chão, o calor do medo, do erro, dos corpos. Quando nossos olhos se encontram, meu bem, o resto é apenas resto. Apenas nada. Eu estive pensando nos nossos encontros, no quanto eles revigoram, estimulam. É, eu pensei em como é bom estar com você.
Porém, amor, eu pensei mais. Pensei em mim. Como eu estou me destruindo! Esse mesmo segredo que me enche de vida, me corrói por dentro. Esta certa incerteza, presente entre nós desde o início, e que um dia foi o adubo da nossa relação, não me satisfaz como antes. Eu descobri que tenho necessidades, que eu faço planos, por mais que sejam escondidos. Escondidos como nós dois. Eu acho que agora eu começo, pela primeira vez, a pensar em mim.
Quando nos conhecemos, eu sempre soube do meu espaço, e sabia que ele estaria ali, dentro de você, independente de qualquer coisa. Jovens, nosso ímpeto ia muito além de qualquer papel assinado, quaisquer alianças. A nossa aliança era bem mais forte. Me bastava te ter nos momentos que, raros, se tornavam eternos. Alimentavam uma saudade imensa, e a próxima vez sempre seria melhor. Eu fui abrindo mão, sem perceber, sem querer ver, da minha própria vida. Você foi meu primeiro plano, meu sonho secreto, meu perigo mais valioso.
Eu sempre te esperei, eu sempre suportei. Os atrasos, os encontros cancelados, sempre pelo mesmo motivo, tudo isso eu engolia, com a justificativa de que, no dia seguinte, eu seria recompensado. Perdi a conta de quantas noites sem você eu perdi, pensando em você, em vocês. Eu me sentia pior do que ele, se descobrisse. Ah, amor! Como eu me torturei ao imaginar que os seus beijos não eram meus por inteiro. Você não era minha por inteiro. Então, eu resolvi ser um pouco mais meu, para o bem de nós dois.
Chega! Agora é a minha vez de dar as cartas. Me perdoe a indelicadeza, meu amor, mas eu só quero ser mais do que você precisa. Não deixe que eu pense que sou uma diversão, não deixe que eu subestime meu coração. Não, nem de longe estou reclamando, cuspindo no melhor prato da minha vida. O que temos ainda é precioso. Meu espaço no seu coração continua lá; ele só está ficando pequeno, para tanto sentimento. Não quero me afastar, muito menos te esquecer. Eu só quero sair dos bastidores da sua vida, e ser protagonista da sua história. Aumente o cartaz da nossa peça.
Eu não acho que isto é pedir demais, não. Demais é tudo aquilo que eu suportei, única e simplesmente por amor a você. Por acreditar em você. Eu acredito que um dia você vai me assumir como seu. Só peço que seja agora. Por mais gostoso, delirante, excitante que seja a sensação de pecado, de coisa errada, como crianças levadas que aprontam com medo de serem pegos, eu não me vejo mais assim. Eu cresci. Por isso, por tudo o que nós dois vivemos, eu te peço: me deixe ser a sua vida. Se vai perder a graça? Duvido muito. Temos muita lenha para queimar. Se vai ser melhor? Que o tempo diga. Se vão falar. Deixe! Encare, me encare, não pare. O mundo pode ser mais nosso, meu bem. Basta você querer.

De: Frejat/Leoni
Por: Leoni

sábado, 22 de janeiro de 2011

A suprema felicidade

2
1 de janeiro de 2011. Um dia que tinha tudo para ser uma sexta-feira comum. A não ser por um detalhe: um sonho estava em jogo. Um sonho que começou há muito tempo, exatos 18 anos, 7 meses e 18 dias. Nascia um jornalista por opção. Hoje, tanto tempo depois, tantas tentativas depois, tantos tropeços depois, um choque. Um estalo. Um nome lido. Um sorriso.
Quando o rádio falou, em alto e bom som, o que por noites eu tanto esperei... Voltei a ser um menino. O menino que deixava os desenhos de lado, para assistir telejornais, encantado com o que não entendia, mas sentia. O menino que chora, quando, incontrolavelmente, sente que o mundo sorriu para ele. Incontrolável. Chorei.
Descarreguei lágrimas de alegria. Mais um pouco. Lágrimas de quem sofreu insucessos, lágrimas cheias de auto-desconfiança, cheias de certezas erradas. Lágrimas que pesavam uma vida inteira. Nem os melhores sonhos se aproximaram da beleza de ser aprovado. Então, finalmente, às onze e meia da manhã, começava o dia mais feliz da minha vida. Alô alô, papai e mamãe puseram a vitrola pra tocar, soltaram foguetes... Passei no vestibular.
Venci. Venci de novo. Deus talvez tenha reservado para mim mais do que eu pudesse imaginar ou merecer. Da primeira vez a alegria foi incontável, única, claro. Mas dessa vez foi diferente. O choro foi diferente, os abraços, o orgulho. Tudo. Serei sempre grato à Universidade que me abrigou, me acolheu, e onde eu conheci pessoas, conheci mais as pessoas. Encontrei amigos de uma vida toda, encontrei a mim mesmo. Encontrei o amor. Na UEPA eu vivi, desde 2009, os melhores anos da minha vida. Porém, hoje foi diferente. Eu construí um caminho e, a partir de agora, a porta que faltava se abriu. Um mundo inteiro me espera, o meu mundo me espera.
Só isso já seria o bastante para fazer um dia inesquecível. Mas Deus estava de ótimo humor, e deu de presente a mim mais duas alegrias sem medida. Eu tive o privilégio de comemorar as vitórias dos meus dois melhores amigos, cujas lutas eu conheci, e cujo merecimento eu nunca discuti. Um, garoto iluminado, que eu tenho certeza que não consegue mensurar ainda o que virá depois de hoje. O outro, irmão de infância, um lutador que superou insucessos, soube esperar, e hoje comemora. Esperamos. Se as linhas são tortas, hoje eu não sei, mas que Deus sempre acerta no que escreve, disso eu não duvidarei jamais.
A voz embargada do meu pai, o choro da mãe, o abraço dos amigos, o beijo do grande amor. Cada pequeno gesto desse dia incrível vai ficar marcado. Nas memórias de quem o viveu, na memória de quem por isso almejou desde sempre. Se alguma vez eu disse que tudo passa, hoje eu vejo que me engano. Ao contrário de mim, dos meus amigos e dos milhares de extasiados e anestesiados calouros, nada do que eu tive o prazer de viver nesse 21 de janeiro, nada disso passará.
Pego o título de um filme de Jabor, pois é o que melhor explica o inexplicável. Meu coração se tornou pequeno, gigante. Realizações, sucesso, vitória. A partir de hoje, se alguém me perguntar se eu sei o que é ser feliz, com muito orgulho no peito, eu me sinto pleno e seguro para responder o que poucos podem: sim, eu SEI!


"Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer" - Gandhi


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Com esse texto, eu gostaria de parabenizar a todos que conseguiram esse êxito sem medidas, principalmente aos meus amigos, que sentiram o mesmo gosto da vitória. Robson, Marcos, Raoni, entre outros. Além disso, gostaria de agradecer a todos, indistintamente todos os meus parentes e amigos, que me apoiaram, confiaram em mim, mesmo quando nem eu confiava. Me deram força, esperança, conforto. Sustentaram o meu sonho, alimentaram minhas chances, mostrando um futuro. E hoje puderam comemorar comigo, presentes ou não, a minha aprovação. A vida está só começando.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Menos meio, menos um

O
 que eu sinto? Ah, eu sinto muito, eu não sinto nada. Não sei, não sou mais nada. Meus dias sem graça, meus sorrisos sem sentido. Eles nem existem mais. Só restou a saudade. A falta de tudo aquilo que eu soube, que eu fui, com você. Fomos dois, três, um só corpo, maiores que o universo, mais fortes que o tempo que, vingativo, resolveu podar nossas esperanças, nossas noites em claro pensando no que seria de nós dois amanhã.

Não há mais amanhã, desde o dia que nasceu menos azul em nossa vida. Aquele mesmo, quando você passou de presença a estrela, de corpo a espírito. De som a luz. Meus passos agora são vagos, eu viajo pelo ar, tentando te encontrar, mas de nada adianta. Você levou a minha casa, com minha vida dentro. Sem me dar a chave de volta. A chave que sempre foi sua. Foi na metade que você levou de mim. De mim.

Tudo bem, um dia eu tinha que entender o fim, você sempre me disse para eu me preparar. Eu nunca me preparei. Até hoje sinto o corte no meu peito, como da mesma vez em que te vi diferente. Sem sorrir para mim como sempre, sem correr ao meu encontro como sempre, sem elogiar meu café da manhã, sem me embebedar com seus beijos mais banais. Você não estava como sempre foi. Quando te toquei, senti o gelo de uma partida, chorei as lágrimas de sangue que meu peito chorava, fiz de tudo na esperança de você voltar pra mim. Não voltou. Não voltará.

Quando em mim suas mãos doces não mais tocaram, eu senti que faltava tato, faltava o sopro. Sopro de juventude, que aproveitamos ao máximo, por mais que muito ainda tenha ficado por fazer. Sopro de conforto, que seu cafuné me dava todo fim de tarde. Sopro de vida. Quando olho para as nossas fotos eu relembro o quanto foi bom termos um ao outro. O quanto foi bom sermos um do outro. Quantos pedaços espalhados pelo chão, quanta surpresa premeditada, quanta dor. Meus cacos me ferem quando eu tento voltar a caminhar.

Sem limites. Esse sou eu agora. Não me acalmo, não me conformo, me destruo, com a justificativa de que assim será mais fácil te reencontrar. Tolo. Você não merece me ver como estou, ferido, pálido, a mercê das circunstâncias. Não sei parar. De te amar eu nem quero tentar. Não me controlo, eu piro tentando esquecer de lembrar do que vi por último de nós. Como a última impressão me dói! Eu quero tanto, tanto, construir em mim uma foto bonita que encerre o nosso álbum com a beleza de todas as outras imagens.

Mas, no meio de tanta revolta sem forças de existir, eu quero que você esteja bem. Aí, neste lugar que só você conhece, e que eu espero ser digno de te abrigar. Ou aqui, dentro de mim, onde você construiu seu lugar, com a esperteza amadora de uma amante profissional. Já que não sou mais o meu lar, hoje eu vivo por esperar. Espero que você venha, que você volte, para fazer dos meus dias os mais serenos, das minhas noites as mais quentes. Para fazer da minha vida, seja vida ou não, um exercício perfeito de felicidade. Como sempre foi.



De: Adriana Calcanhotto
Por: Adriana Calcanhotto

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Um engano

A
 vida gosta de pregar peças em nós. Principalmente quando a peça é pregada noutra peça nossa, o tal do coração. Com um prego grande, que dilacera, faz sofrer. Eu, coitado, vítima da minha própria obsessão, dessa busca por um amor verdadeiro, sem ligar para as conseqüências dessa insanidade tão gostosa, acabei te encontrando. Foi lindo. Com a desculpa de te consolar, te conquistei. Ou foi você que lançou a flecha em mim? Você sofria, chorava, e em seus olhos eu podia ver o seu passado recente te remoendo, te destruindo. Não podia deixar você ali, assim, tão só. Decidir ser a sua companhia, mal sabendo que o preço seria alto a pagar.
Como um bom amante, te dei muito de mim, desde os pequenos sentimentos expressos em um simples “bom dia”, até as noites de prazer, que mais do que sexo, eram a consumação de um afeto tão grande... Talvez amor. Sim, amor! Eu nunca senti um amor tão intenso, nunca ninguém tinha arrebatado meus desejos mais profundos, meus sonhos mais secretos. Meus devaneios de futuro, meus planos, tudo era teu. Dividi contigo os melhores dias da minha vida, e só fazia tudo isso porque sentia de você um retorno, caloroso e fiel. Sinceridade. Eu conseguia ver no seu sorriso, o mais lindo que vi, uma verdade tão pura. Pura como não eras.
Mas agora, depois de ver seu armário vazio, cabides no chão, uma taça de vinho na mesa e uma carta sobre a cama, eu entendi o que realmente tinha acontecido nos, até então, melhores momentos do filme da minha vida:
“Meu bem, não posso mais. Seu amor por mim me fez acreditar mais nas pessoas, sua dedicação me deu de volta a segurança para encarar a vida, seu cuidado me tornou mais forte. Mas agora eu não posso mais. Te confesso que voltei ao meu antigo lar, ao meu antigo e eterno amor de verdade. Há dias eu tentei te contar, mas não consegui coragem para te ver chorar por mim. Por favor, se você conseguir, arrume um lugar, no meio dessa raiva que eu imagino que esteja sentindo por mim agora... Arrume um espaço para ouvir o que eu sempre quis te dizer na verdade: MUITO OBRIGADO! Vou ser eternamente grata por tudo o que você fez por mim, no pior momento da minha vida. Obrigado por ter sido meu amparo, minha cura.
Espero que sejas feliz.
Com carinho.”
Agora eu entendo o que fui pra você. Um enfermeiro. Sim, pois eu servi de enfermeiro para lhe remediar, para curar suas feridas, do corpo e do coração, para no fim receber nada mais do que um “obrigado”... E uma chave devolvida. Eu te dei bem mais do que remédios. Eu te dei a minha vida, a minha saúde, para te ver com sangue nas veias. Fiz de tudo para alimentar essa paixão que me tomou desde o primeiro instante.
Mas percebo que o primeiro instante foi, implicitamente, o primeiro erro. E foi meu. Eu te dei amor, quis te fazer o bem, e acabei, no final das contas, me causando um mal bem maior do que o teu passado. Aqui dentro dói, sangra, um desalinhado e solitário coração, que só quis amar. Eu te amei, e fiz a escolha errada. Agora o que me resta é ficar aqui, chorando, talvez pensando, certamente esperando, pela próxima aventura que o destino vai escrever pra mim. Agora eu sei, mais do que nunca, que a vida gosta de pregar peças. Em todos nós.


De: Mauro Diniz/Ratinho
Por: Zeca Pagodinho

sábado, 15 de janeiro de 2011

Zona Cultural + Objecto Quase - VITRINE ETC

COLETIVO ZONA CULTURAL

O cenário é a Praça dos Estivadores, localizada bem no centro da Capital Paraense. A noite é a de sexta feira, e o termo Zona... Bem... Com toda certeza você deve imaginar o que é juntar cultura e arte em um lugar. Quando percebe, uma boa zona está formada!

Fato é que, toda 2ª ou 3ª sexta feira de todo mês, um coletivo denominado Zona Cultural faz esta praça ganhar cores e sons. As atividades são as mais variadas possíveis: música, foto-varal, poesia, arte clown, etc. O coletivo formado por várias pessoas e representantes: Arraial do Pavulagem, Lauvaite Penoso, Radia Nossa Casa/Amapá, Filhos do Luar, Orube ArteEducação, entre outros. Assim se traz um tema bastante decorrente e válido para uma discussão que é a valorização e ativação dos espaços e praças em Belém e uma forma de contextualizar e reassociar o que se tem ficado a margem.
Arte e Cultura se posicionam assim como pontes fixas e efetivas para um trabalho que tem em sua finalidade uma mostra de produções e um caráter social ímpar. Ao longo dos últimos 4 meses essas atividades vêm  sendo efetuadas e registradas, e com isso conquistando público cativo e o agrado dos artistas.
A Zona, por ser este descarrilhar do cotidiano vivido, convida sempre o artista e o cidadão que tem algo a mostrar e a ouvir. Lembrando: o microfone é aberto, e a Zona está pronta!





SERVIÇO
Zona Cultural
End.: Praça dos Estivadores (em frente a Estação das Docas)
Data: 2ª ou 3ª sexta feira do mês
Horário: 19:30h
Contatos: 3261 4466 – Kate Titan
   Realização: Sindifisco DS Pará/Amapá

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OBJECTO QUASE



É uma banda de Rock Alternativo que teve início em Janeiro de 2009, porém com um nome diferente (Philia). Hoje, re-intitulada de “Objecto Quase”, a banda, que havia dado um tempo indeterminado, está de volta para conquistar seu espaço no cenário musical. Folk, Rock in Roll, Indie Rock e um pouco de MPB são gêneros de notável influência no resultado de cada composição, o que é reflexo do que ouvem rotineiramente os integrantes da Banda. 
 
 
SERVIÇO
 
 
 
 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Águas que levam

Chuvas, rios que caem, rios que sobem, muita lama, mortes, dor. Meu Deus, onde será que isso tudo vai parar? Isso, esse crescimento que sociólogos dizem ser inevitável, outros defendem que deve ser sustentável. Mas quem defende esse povo, que hoje chora, procura e não encontra pedaços de sua família, que não passam de estatísticas. Números, de uma tragédia que estamos cansados de ver estampando nossos telejornais, nossas vidas. Vidas que se perdem para as águas, revoltas, pois querem apenas correr, seguir seu caminho, e levam consigo os caminhos que ousaram cruzar o seu.
Outra pergunta, Senhor: onde isso começou? Começou e sempre começa, do mesmo jeito, mostrando que as cidades são cada vez menores, e empurram para os cantos aqueles que tem o mesmo direito à vida sob um teto, que todos devemos ter. Não, a culpa não é dos céus, que não cessam de mandar chuva onde já chove demais. O ciclo é esse, sempre foi, desde antes de nós, humanos, chegarmos aqui e habitarmos um habitat que a necessidade, a ganância e o progresso nos obrigaram a modificar.
Talvez a culpa seja nossa, que não sabemos cuidar e, ainda, subestimamos o poder dos deuses do vento, da chuva, do tempo. Talvez das autoridades, omissas, cegadas pelo descaso, ou até de mãos atadas com toda essa situação. Mas hoje não devemos achar responsáveis. Precisa-se de vidas. As vidas que estão sendo salvas pela coragem, pelo brio, pela humanidade de pessoas que nunca se viram, mas se unem por um único e nobilíssimo intento: salvar.
A emoção em meio à dor, o sorriso depois da catástrofe. É o que cada pessoa que vive e espera que um braço surja do meio dos escombros, que um suspiro não seja o último. Casas foram embora, famílias se perderam. Mas algo em nós e naqueles homens e mulheres se mantém impermeável. O coração. O povo brasileiro nunca deixou o outro na mão, ajuda como pode, como não pode, e não deixa de estender os braços para quem precisa. E nas serras do Rio, hoje, muita gente precisa e precisará.
Quem pode mandar na Mãe-Natureza? O que ainda não entenderam é que ninguém pode. Ela estava aqui antes de nós, deveríamos ser amigos dela, ou pelo menos bons vizinhos. Vizinhos como aqueles que sofrem da mesma dor de seus irmãos, mas não perdem a fé. Vizinhos como nós, de qualquer lugar do país, que torcemos para que Deus nos livre da fúria dos céus, e que ajudamos como podemos, nem que o que nós possamos fazer seja apenas orar.
Toda essa chuva vai passar. Água que hoje corre, levando vidas, planos, famílias, futuros, a água que leva uma hora vai parar. Os cariocas poderão respirar aliviados, o ano bom que todos pediram treze dias atrás ainda vai começar, e será em breve. Por enquanto, reféns do clima, do progresso, da falta de oportunidades, estes moradores terão sua segunda chance. A chance de recomeçar. As cidades irão se reerguer, não faltará ajuda, seja dinheiro, seja mão-de-obra, seja vontade. Tudo vai voltar ao normal. Essa chuva vai passar.

Foto: Marino Azevedo (GOVERNO DE ESTADO/RJ)



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Chove

São cinco da tarde, e Belém abre seus braços para a chuva que banha esta terra todo dia, o dia todo. Uma terra abençoada, que vive intensamente cada gota que precipita, inundando nosso olhar. Lágrimas. Suor. Emoção. Viver em Belém do Pará é simplesmente viver tudo o que há. Uma selva de pedra dentro da selva de folhas, onde os galhos são feitos de ferro e a água banha corações. Uma cidade verde. E amarela. E vermelha. Branca, preta.
Uma cidade de todos. Cosmopolita, é capaz de unir como ninguém todos os sons, todos os estilos. A cena roqueira é agitadíssima, empolgante, conhecida. Nossa MPP (Música Popular Paraense), que alguns chamam de melody, outros chamam de carimbó. O que é a nossa música? A resposta é, justamente, não ter resposta. O som que chove. Os sabores que chovem. É uma mistura das mais deliciosas, desde o verde forte da maniçoba e do calor amarelado de um bom tacacá, até o cupuaçu do sorvete, a graviola do suco. Por falar em suco... Você pode até não gostar, mas admita: aqui em Belém o roxo dos dentes cai dos açaizeiros. Cai feito manga, mesmo destruindo carros, faz a alegria de um verdadeiro papa-chibé.
Ainda chove em Belém. É tempo DELA, como nós dizemos por aqui. Tempo. Olhando para o Guajará, do Mangal, da Estação, do Ver-O-Peso, esse tempo faz questão de passar tranqüilo, sereno, contemplador. As águas que das nuvens caem viram um tapete barrento, trazendo consigo um vento quente, quente como todos nós que por aqui aproveitamos o dom da vida. Apenas admirando. Nos admirando com tamanha beleza. Não são poucos os cenários que prendem nosso olhar a cada gota de chuva, a cada pingo de luz. A nossa noite é iluminada. Para todos os gostos, como um sol que faz questão de brilhar sem preconceitos. Como estrelas que não caem.
Estrelas que parecem mais brilhantes quando a vida faz nascer o mês de outubro. É chegada a hora da chuva de prata, de papel, de pedidos, de bênçãos. É a vez de brilhar soberana uma Estrela, a nossa Estrela, que conduz um rio, um mar, como a correnteza que vai, que volta, que fica. Fica na memória, no coração. Cidade de fazer amores, de conquistar valores. Belém é a chuva perfeita para esquentar alguém. Aqui os corações pulsam, os sentimentos afloram, com direito a sinos da Catedral e periquitos na Basílica.
Se Belém é uma cidade perfeita, talvez não seja. Ou será que nós devemos ser a perfeição que queremos ostentar? Eu sei que, apesar de qualquer problema, diga-se de passagem, comum a todo o Brasil, nós estamos bem servidos. Somos diariamente encharcados por tanta variedade. Música que não acaba mais, delícias que só a Amazônia tem, um clima que todos reclamam sem deixar de adorar. Belém é mais do que um lugar para morar. Belém, uma cidade para olhar, uma cidade para preservar. Uma cidade para amar.

Foto: NEY MARCONDES


sábado, 8 de janeiro de 2011

Mistura e fala

N
esse momento você está lendo este post no meu blog, e ao mesmo tempo está tuitando, divulgando meu site, fazendo um backup no seu pc ou simplesmente mandando scraps legais para seus amigos pela internet.
Eu inicio esse texto constatando o que está mais do que óbvio, para mim e para todos nós: a língua portuguesa é extremamente cosmopolita. Sim, fica clara a intensidade desse fenômeno que invade cada vez mais o nosso cotidiano lingüístico e que acabam se fixando em nosso vocabulário. Com os adventos tecnológicos das últimas décadas, o que surgiram de palavras derivadas ou até mesmo copiadas do inglês não foi pouca coisa. Verbos novos, como deletar e tuitar – que foi incluído na mais nova versão do dicionário mais famoso do país – que antes dos nossos pais ninguém saberia classificar. Além destas, outras palavras reforçam o estrangeirismo inerente ao português. Por exemplo, pra quê dizer “bateria de exames” se eu posso, em menos tempo, dizer a mesma coisa, usando um termo mais simples, que ninguém precisa ser poliglota pra entender? Então, seja bem-vindo, check up! Não sei vocês, mas eu não costumo fazer teste de direção se eu consigo fazer um test drive.
Aliás, muitas palavras, de tão banais que são, acabam se aportuguesando. E nem percebemos. Grande parte dos esportes com bola tem nomes gringos, que nós adaptamos, alguns até com uma pitada de falta de criatividade. Os EUA são os mestres do basketball, mas andaram sofrendo da seleção argentina, ouro olímpico no baloncesto. Aqui virou basquete mesmo. Mas não é apenas do Tio Sam que pegamos emprestadas algumas expressões. Mulheres, se vocês estiverem passando batom e disserem isso enquanto o fazem, com biquinho, parabéns! Vocês estão falando francês. Complementando ainda mais a maquiagem, com batom vocês ficam mais chiques... Opa, mais dois.
Polêmica, a questão dos estrangeirismos gera muitas dúvidas e divide opiniões. Afinal de contas, ele é ou não é nocivo à nossa querida e Última Flor do Lácio? Há quem diga que sim, pois significa a supremacia ou imposição de uma cultura sobre a outra – como se no Brasil isso fizesse alguma diferença hoje. Particularmente eu acho que isto não é nada mais do que o inevitável processo de evolução das línguas, que acompanha os passos da sociedade, pelo óbvio fato de a língua ser um objeto SOCIAL. Portanto, se nosso comportamento muda, se nossas interações mudam, a língua pode, deve se adequar sim ao que é por nós imposto.
Não, eu não acho que devemos sair por aí falando em inglês, gritando “UHU”. Eu apenas defendo a tese que bota a língua portuguesa como um patrimônio que em momento algum será sequer ameaçado por quaisquer outros idiomas. Se falamos mouse, que alguém encontre outra definição EM PORTUGUÊS e eu a direi, talvez, com o tempo. Não é nenhuma “descaracterização da língua portuguesa”, como alega Aldo Rebelo, deputado que propôs um projeto de lei que vetasse o uso de estrangeirismos. A questão é a irreversibilidade do processo.
Nem sempre os estrangeirismos seguem à risca o que querem dizer. Em São Paulo, vamos ao shopping, enquanto em Beverly Hills se vai ao mall. Quem em São Paulo ou no Brasil diz que vai ao mall? E quem usa lápis e caneta pra escrever em seu notebook? Eu uso o teclado...
Mas ainda não é uma questão fechada, o processo não é. Então, o que nos cabe é seguir usando o que nos é conveniente no momento, estrangeiro ou não, mas que vise a compreensão. Se eu não encontro significados na minha língua, que procure um melhor em outra, que mal faz? Eu preciso dizer que estou publicando um texto na minha página na Rede Mundial de Computadores, esperando que meus leitores divulguem no Gorjeio ou mandando recados através de redes sociais quaisquer? Não, se eu disser que postei no blog. Whatever!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Flashback

A
na e Pedro são um casal que já passou por muitas e ótimas nessa vida, desde que se conheceram, lá nos velhos tempos de universidade, quando não pensaram em diversão, farra e outras divertidas bobagens de adolescente não acostumado com a maioridade, e juntos resolveram ficar. Fácil nunca é, mesmo porque, se fosse, esse texto nem existiria. Enfim, um dia desses os dois, recém-casados, em um dos cômodos da casa que não precisa ser citado, após fazer algo que não precisa ser citado mesmo, resolveram fazer uma Sessão Nostalgia de suas vidas, que eram uma só há mais de dez anos. Cada coisa surgiu desse baú tão cheio...
Os dois relembraram de cada nomes, dos planos que faziam no começo, entre filhos e pianos, inclusive invadindo um o espaço do outro... Mas os espaços de cada um já tinham se tornado um único quadrado, e eles nem se deram conta. Lembraram dos momentos divertidos, que foram muitos, por sinal. Das risadas por almoços queimados, das chuvas que molharam os desprevenidos, das besteiras que um ouvia do outro. Como soavam bem. Ainda soam, mas isso não vem ao caso.
Mas, das lembranças pitorescas, as mais presentes sempre tiveram um nome só, independente de gênero, tempo e quantidade: pretendentes. Os dois até perderam a conta de quantos eram, para ambos a horta sempre foi bastante fértil, com muita chuva. Chuvas demais. Ela, um anjo, cheia de qualidades que até Freud duvidaria. Não, não é deboche! Ana era – e sempre foi – uma pedra preciosa. Talvez por isso muitos garimpeiros tentaram conquistá-la. Coitadinha, tinha a irritante mania de atrair quem não queria, e se surpreendia quando conseguia ver o que a torcida do Flamengo já tinha visto séculos antes. Tão boa, porém tão boa. Sua enorme generosidade nem sempre foi encarada pelos maus olhos como apenas generosidade. Ana sofria com isso.
Já Pedro, como todo e qualquer macho, sempre gostou de atenção! Ele ri até hoje, do que achava super maneiro na juventude. Claro, um ser humano envaidecido ganha, de longe, de qualquer pavão vistoso e brilhante. Quanto mais um garoto. E foram muitas, convenhamos. Mas havia uma peculiaridade que o destacava nessa história toda: enquanto por Ana muitos passaram, uma em Pedro teimava em ficar. Teimava com gosto, com fogo, como um ímã mesmo. Sem o menor pudor, esse ímã grudava, grudava, grudava. A força magnetilouca dessa pessoa era tão grande, que precisava ser vista por todos, como se aquilo fosse a comprovação de que ela era brasileira e, por isso, desistir jamais! Até hoje fica a dúvida: qual dos dois ela queria mesmo incomodar? Seria Pedro, com seu charme a lá Clooney? Seria Ana, a Donatela de uma Flora cada dia mais obcecada? Vai saber.
De repente, uma gargalhada. Ana não conseguiu se conter, e sorriu alto. Sorriu, por ter “vencido a batalha”, desmagnetizando qualquer rival, e depois de tudo e de todos, ali estava, feliz, com o coração que sempre lhe trouxe para perto? Não. Ela é maior do que isso. E soube, por mais que negasse, ela sempre soube que esse dia um dia chegaria, o dia da Sessão Nostalgia, apenas mais um dos divertidíssimos balanços da caminhada. Pedro, um rapaz que viveu muitas coisas, muitas pessoas, ria, pois sabia desde o começo que A pessoa estava com ele, e ele com ela.
Bom, mas como todo casal novinho, logo após essa alegria pelo passado cheio de histórias para contar e recontar que os dois construíram, o romantismo voltou a ser o depois. O agora, meus amigos, era alguma coisa em algum lugar que eu não preciso nem revelar. Mas vou! Essa coisa alguma era simplesmente amor. E o lugar? O coração. Onde mais?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Um ano de todos nós

“O começo de um novo ano sempre nos traz perspectivas. 2011 é um ano de mudanças, mudanças que envolvem uma reflexão sobre tudo o que aprendemos ao longo desse ano. Sobre nossos atropelos, desafios, barreiras e dúvidas. Sobre todas as vezes que pensamos em desistir, tivemos medo do futuro, do presente, e muitas vezes, nos arrependemos do passado. De todas as vezes que buscamos um novo começo. Este é um novo começo. Um ano que nos possibilita ir além das nossas expectativas, que nos possibilita reconstruir os sonhos. Que nesse novo ano, as vitórias possam ter o sabor das dificuldades superadas, do dever cumprido, das sólidas amizades e dos momentos inesquecíveis compartilhados.”
Jéssica Luz, 19

“Em 2011 eu vou ter mais 365 dias, a diferença é como vou passá-los... No fundo, no fundo, eu nem me importo muito não, sabe?! Eu sou apaixonada por tudo o que não conheço mesmo, quero saber quem vou amar só no segundo em que meu coração disparar, quero saber quem vai me ajudar só depois que apertar bem forte a sua mão, quero saber por quem vou chorar só no momento em que as lagrimas estiverem secas ao chão, quero saber dos abraços que darei quando já não tiver forças para abraçar o outro corpo, quero saber das felicidades que vierem quando elas forem minhas lembranças, quero que as dificuldades me venham e que eu passe por elas e depois apenas olhe de lado, meio que me saindo. Hoje em dia muita coisa acontece e você já sabe antes de acontecer...”
Luana dos Anjos, 20

“Para 2011 o sentido se esvairia das minhas mãos, alcançaria o mundo e o universo com um toque de exatidão. Complexo. Ousado. MEU. Sonhos me acordariam de madrugada para dizer que são meus e que se realizaram. Dirão em plenos pulmões que são de verdade e não mais meros sonhos. Para 2011, não precisarei fingir que aviões são estrelas cadentes, pois as cadentes são fugazes e se esvaem. O que desejo para mim e o que luto para ter, são estrelas que não caem.”
Ana Carolina, 20

“Em 2011 eu... Quero demais um “grande nada”: nada de quedas, nada de stress, nada de tudo que sobra e faz tão mal. Tenho uma obrigação e uma dádiva que é o momento de materializar essa Casa de Folha que tanto falo e contar um pouco das coisas que vi até agora. No mais, talvez, olhar para dentro e enxergar tudo que vejo aqui fora, existem pequenos laços que sempre devemos procurar, quase sempre perdidos dentro, o que é triste, dentro de nós. Eis uma boa hora pra dizer que em 2011 eu... Bem... Seremos todos nós!”
André Luís Gouvêa, 19

“2011 vem aí, que tal renovar dentro de você aquele espírito de amor ao próximo? Não digo aos próximos, amigos e família, pois amá-los é fácil demais. Digo amar aqueles que lhe machucaram, lhe ofenderam e lhe causaram transtornos, transpor esses nós a cada dia renderá ao final de mais um ano, uma série de sentimentos bons e prósperos, e disso eu tenho certeza. Acredite mais, confie mais, ame mais, viva e aproveite cada segundo de seu tempo de forma ímpar e FELIZ 2011!”
Raíssa Bahia, 19

“Em 2011 eu, torço para que consiga realizar o que ainda me falta, descobrir as respostas para as perguntas mais complexas e concretizar o que me espera sem que eu saiba. Que eu aprenda discernir e acertar mais do que no ano que em passou. Que renove a cada dia a alegria e consiga superar as tristezas e dores que irei sentir. Que cada passo seja para frente e que tenha fundamento, agora não me basta andar, tenho que saber o porquê disso. Quero aprender coisas novas, instrumentos, músicas, toques, danças, tudo que meu corpo, mente e alma, possam desenvolver e me dar o prazer de conhecer. Em 2011, apenas quero que seja melhor que 2010, que consiga tocar violão, arrumar um (novo) emprego, viajar (de novo) nas férias e continuar com meu (grande) amor, talvez seja esse meu destino. Crescer.”
Helen Gomes, 18


Em 2011... Eu pretendo observar. Observar mais as pessoas antes de tentar julgá-las. Observar as atitudes para poder entendê-las. Observar as imagens para abstrair o que realmente querem dizer e não ser ludibriado por meros encantos visuais. Observar as mulheres em suas minúcias, buscar suas essências, sabores, valores. Observar para livrar meus atos de erros, e se eles forem inevitáveis, observar para aprender algo com eles.
Robson Heleno, 20 

Tentei, mas não consegui escrever meus desejos para o ano de 2011. Eu sento, olho, penso, mas sinceramente eu não sei o que eu quero para o ano que vem. Querer pra quê? Este ano me fez entender que sonho ilude, engana e faz chorar. E que as pessoas não são tão boas quanto eu imaginava. Foi, por isso, que excluí tudo o que me fazia mal. Excluí, também, pessoas que me faziam bem demais, pois senti medo de gostar delas. Este ano foi marcado pelo medo de arriscar, pela incerteza, pelas decepções e por perdas que não sei se superarei. Este ano me fez entender que a bondade é relativa e que as pessoas se machucam mais quando amam do que quando se isolam. Mas eu preciso confessar que à medida que eu deixei de sofrer por me afastar das pessoas, eu deixei de viver. Decotei as decepções, mas decotei com elas os amores, os sorrisos, o coração acelerado e tudo que faz alguém suspirar sem querer. Portanto... Em 2011 eu quero me decepcionar, eu quero sofrer, eu quero chorar e, acima de tudo, eu quero arriscar, tentar e viver cada segundo sem medo do que isso possa resultar.
Andreza Filizzola, 24
“Em 2011 eu vou ter mais sonhos pra sonhar. Força pra viver. Chão pra percorrer. Eu vou cair, vou chorar e superar, porque sei que não vacilarei mais, não por algo que já me afligiu. A pedra que me atrapalhou o ano inteiro não trará males alguns a mim no que está por vir, já que sou mais forte a cada dia que termina. Cantarei vitórias em meio a guerras, pois algo de bom eu aprenderei sobre qualquer fatalidade próxima. E não importa o que seja e o que aconteça, vou ter sempre um sorriso em meu rosto. E se não tiver? Sei que vou ter, pois a tristeza pode até bater em minha porta, entretanto estarei preparada com um escudo forte que me defenderá de todos esses incômodos: O AMOR.” 
Camila Miranda, 16

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Agradeço a todos os blogueiros parceiros, que aceitaram participar da idéia de abrir o ano do Etc&tal com suas palavras sobre os meses que virão, representando todos os leitores deste blog. Em 2011 o Etc continuará levando até vocês leituras leves, com opinião, diversão e clareza, para os que me acompanham por aqui. Quem não lê, que leia. Quem não segue, que siga. Quem quiser criticar, o espaço estará sempre aberto às suas opiniões. Que seja um ano de paz, consciência e responsabilidade para mim, para você, para todos nós. Um ano para correr atrás, para querer mais, para ser capaz. O ano está só começando. Em 2011, continue bem à vontade no Etc&tal.