segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A tendência

Eu tenho dezoito anos, e desde que eu me entendo por gente eu já passei por tantas fases que fica até difícil construir uma linha do tempo e delimitar quando começa e quando termina cada uma delas. Comecei no auge do pagode, onde um bigodinho e cabelos de macarrão faziam muito sucesso entre a mulherada e viraram mania nacional. Veio o funk, e o que eu chamo de funk é Bonde do Tigrão que, ironicamente, era animado, porém sutil. Comparando com as letras de hoje... Hoje qual é a tendência? Tudo que vem da internet, talvez. As revelações do sertanejo (?) e do chamado Happy Rock não começaram implorando nas rádios pra que tocassem suas músicas gravadas na garagem de casa. Tudo é bem diferente.
Hoje o que é diferente acaba se tornando comum, vicioso, uma epidemia que se alastra pela nossa jovem sociedade, que cada vez mais vem saindo de fábrica com entradas USB e Bluetooth. Mas é a moda. Do mesmo jeito que os anos 70 empurraram as calças pantalona nos armários mundo afora, hoje é a vez das cores. Sim, uma música e um estilo de vida que, acreditem ou não, conseguiram ofuscar – pelo menos publicamente – a mania de uns cinco anos atrás: ser emo. As franjas se mantém, mas o resto do cabelo começou a subir, a ganhar cortes diferentes, cores. Cores. Cores. Cores.
Muitos criticam bandas das calças apertadas e vozes finas, com letras que não se analisam mais em universidades e saraus, talvez por se tornarem fenômeno teen da noite pro dia, mas, o mundo hoje é tão agora, tão veloz que fica difícil definir o que não acontece de repente e, do mesmo jeito, deixa de acontecer. As críticas são um processo comum em cima de quase tudo o que é novo. E por quê criticar? Será que essas manias nacionais se tornaram cada vez mais virtuais? Será pelas letras cheias de gritinhos e cada vez menos conteúdo? Será por que perdemos o hábito de sair e comprar CDs? Será por que simplesmente é tudo diferente de dez, vinte anos atrás? O que não é diferente de dez segundos atrás?
Tudo muda, as modinhas também. Não é coisa da minha geração idolatrar um ou dois. Afinal, Legião não era unanimidade? Guardadas as devidas proporções, é claro, mas era modinha. Cazuza e o rock oitentista, a febre do moonwalk, Madonna, todos esses influenciam até hoje as pessoas que gostam de música e se ligam em estilo, justamente porque foram as tendências de seus tempos. Hoje são tantas que nem sabemos qual é a mais popular. E os Beatles? Eles são um caso curioso. Ouçam “She Loves You” e, por favor, fugindo de qualquer idolatria, analisem. O que eram os Beatles além do yeah yeah yeah e das franjas, que seja diferente de qualquer banda colorida de hoje? A diferença é que os meninos de Liverpool tiveram maturidade e tempo para crescer e ir além dos refrões-chiclete que seduziam menininhas histéricas. Eles conseguiram seduzir o mundo inteiro. E o fazem até hoje.
O que eu quero dizer é que aquilo que hoje é execrado pela crítica, pode ser amanhã a nata da cultura pop. Obviamente essas regras não são universais e, pela velocidade das coisas hoje e conhecendo um pouco do nosso contexto, sabemos que não se aplicará a todos. Se daqui a um ou dois anos as revistas teen começarem a trazer metaleiros nas capa, não se espantem. Eles não serão nada mais do que a nova tendência.

Um comentário:

Carlos Augusto Matos disse...

Cara essa modinha Restart, por mim fazem o que quiser... Usa a cor da calça que quiser, mas o que me deixa puto, é um banda dessa vir fazer rock onde o rock não é isso que eles pensam que é...

Abração...