domingo, 28 de novembro de 2010

O que é, o que é?

As mãos tremem, a testa sua, o coração acelera. Ah, que sentimento é esse, que chega sem avisar, toma de assalto, atropela e avança sem ponderar, que nos derruba e faz voar ao mesmo tempo? Como se chama esse arrepio, essa tremedeira incontrolável, que faz as pessoas mais normais agirem das maneiras mais estranhas ao ver um olhar, um bilhete ou um simples recado? É amor? É paixão? O que é?

Se for paixão, tudo bem. Você ainda tem salvação, se quiser, claro. Pode se controlar um pouco, mesmo ardendo em chamas. Agora, se isso tudo for amor, amigo, prepare-se! Você entrou em um caminho cujo retorno fica longe, bem longe... mas, afinal, qual a diferença entre o amor e a paixão? Simples! Um apaixonado consegue viver tranquilamente a distância, consegue se alimentar, suporta acordar sem ninguém ao lado na cama e, acredite, conhece seus limites. Mas quem ama de verdade não tem limites. O amor cega, ensurdece, enlouquece. Dez minutos sem uma ligação do amado viram desprezo, o buquê de flores vira traição, a distância vira eternidade.

Quem se apaixona não abre mão de sua vida; quem ama não abre mão da vida do outro. O apaixonado quer o bem da outra pessoa; quem ama quer a pessoa. O amor é egoísta, quer exclusividade, quer notoriedade. Obriga o seu alvo a mostrar ao mundo que ele existe, custe o que custar. Quantas paixões simultâneas alguém pode ter na vida? Ah, como é bom! A sensação de liberdade do apaixonado... As correntes do amor possuem sim um cadeado, com as chaves muito bem guardadas em um lugar difícil de chegar: a separação. Paixões vem e vão, amores também. O que difere um do outro são os estragos, o que eles deixam depois de passarem pela pessoa. A paixão pode nem ser notada. O amor, bem, o amor quase sempre passa feito tsunami na ásia.

Por favor, não precisa atirar seu Cinco Minutos em mim, se você é romântico inveterado. Eu não estou criticando nem um nem outro. Quem sou eu para tal! Afinal de contas, sou terráqueo, feito de carne, osso e coração, ou seja, já fui – ou ainda sou, eternamente serei – vítima destes dois ótimos venenos. Amar é bom, afaga a alma, conforta, faz felicidade brotar das esquinas, dos hidrantes, das janelas. O sol brilha mais forte, a lua é mais clara... Muito sol pode queimar, claridade demais pode cegar... Paixão também é coração, óbvio. As doses sim são distintas.

Portanto, caros leitores, o amor e a paixão são diferentes, mesmo tão próximos. Os sintomas iniciais são praticamente os mesmos. O calor do corpo e o frio da barriga, o medo, o desejo, as esperanças. Enfim, estar apaixonado nada mais é do que um estágio, um degrau, talvez o mais próximo até o amor verdadeiro, na escada alta e sem corrimãos construída pela cabeça e sustentada pelo coração. A linha que nos separa o resto de sanidade da loucura é tênue, tão tênue quanto os nossos caprichos. Se você está apaixonado, preste atenção! Você já pode estar amando e nem sabe. E o que adianta saber, se voltar atrás nem sempre é a melhor opção?



3 comentários:

Raíssa Bahia disse...

Se pudéssemos controlar nosso coraçãozinho compulsivo, muitos problemas seriam evitados, mas também muitas aventuras deixariam de serem vividas. Então fazer o que, a não ser aceitar que o coração faz com que não tenhamos vontade própria, e já que não podemos viver sem ele e suas artimanhas, o único remédio é ficar, aceitar e esperar o que ele pode aprontar! Lindo *_*

Isabelle Dias disse...

Como sempre, encantador.
UHEUAHUAHUEAH'
amei o texto. bem a minha cara *.*

Lia Petranski disse...

Oi,td bem?Lindo seu texto, mas não concordo com vc.O verdadeiro amor liberta, é feliz por ver feliz o objeto do seu amor.É capaz do sacrifício,se necessário pelo bem do seu amor.A paixão ao contrário é egoista.Não por mal, eu acho,mas paixão é fogo, queima e pode deixar apenas cinzas no final, embora possa sim virar amor.Quem pode saber?Há que se correr o risco...