sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ao lado

Quanto custaria pra você uma caixa de biscoitos, uma garrafa de iogurte ou um farto prato de arroz e feijão? Com certeza, se você está lendo esse texto, é porque você tem acesso fácil à internet e a um computador e, por ele, você deve marcar seus compromissos com os amigos, faz compras, se diverte. E, para alguns de vocês, isso não tem custo nenhum. Agora parem um pouco, esqueçam um pouco, um momentinho que seja, dos seus umbigos, e tentem mensurar o quanto apenas o prato de comida do seu almoço valeria para outra pessoa. Agora imaginem que essa pessoa não tem condições de ter ao menos uma caixa de biscoitos. POR SEMANA. Depois desse exercício de reflexão, tente fazer outro exercício: o da solidariedade.
Ajudar o nosso próximo é um ato de grandeza e beleza incomparáveis, faz bem pra alma, pra consciência, faz crescer. Mas quem disse que é fácil? Muita gente por aí não consegue se desplugar da matéria em um piscar de olhos e acabam se tornando involuntariamente sovinas. O comodismo dessa nossa era nos impede de fazer tudo o que podemos, de doar tudo o que podemos doar. E nem precisamos fazer tanta coisa. Às vezes, basta um olhar, uma mão estendida, um abraço. Nem todas as necessidades humanas se suprem com comida. O alimento pode ser mais simples do que imaginamos.
Pode ser um cobertor, uma moeda, até mesmo uma ligação. O que importa mesmo é que seja uma doação espontânea e eficaz, sem medos, sem frescuras, sem preconceitos. Fazer o bem sem olhar a quem, como já diz o ditado. Melindrados em ajudar ex-presidiários, acabamos contribuindo para que voltem a ser, e nem sequer nos importamos. O mal da sociedade capitalista é justamente essa indiferença, que nos torna menores do que somos. Menores em espírito, menores em coração. E quando nossa bondade não consegue ultrapassar a barreira do preconceito, ela se transforma em modismo. Filantropia é moda, ser bonzinho traz status. O problema é que tudo um dia sai de moda e, se solidariedade passar a ser encarada como uma tendência pop, ela perde a sua essência pura, e corre o risco iminente de terminar. Fim.
Se hoje, nesse instante, você está confortável em seu mundo sem preocupações e sem contas para pagar, há muitos por aí que fazem da rua, das calçadas, o seu mundo, sem ter o que comer, o que vestir, o que esperar do amanhã. Eles podem nem ter amanhã. Quem tem? Certeza única é a morte, e dela só escapa quem por ela já passou. O frio que o seu ar condicionado te passa é saariano perto do que a gélida cidade oferece a muitos que não tem escolha. A escolha, nesses casos, é nossa! E se você precisa de um mote especial para se mover, não há talvez um mais oportuno. O Natal não demora, e se for complicado fazer o bem para muita gente, pense ao menos nas crianças que não tem culpa nenhuma de suas situações e que não merecem que suas estrelas cadentes deixem de brilhar, muito menos que suas noites não sejam felizes.


3 comentários:

Josué Augusto disse...

comovido!!!

Raíssa Bahia disse...

LINDO demais! Parabéééns mais uma vez, Coração! (f)

Descanso da Alma disse...

Solidariedade nunca é demais. Mas solidariedade tem um aspecto mais importante, o coração recheado de amor pelo outro. Pois solidariedade sem amor, é conveniencia e desencargo de consciência.

O mundo seria melhor não com pessoas solidárias, mas com pessoas que se amassem mais.

Belo texto.