quarta-feira, 17 de novembro de 2010

15 anos - parte I

Marcela era a menina mais feliz do mundo. Nascida em berço de cristal, sempre teve tudo o que desejava e até o que nem tinha tempo de querer. Filha de um famoso casal de empresários, figurinhas carimbadas nas colunas sociais, era linda feito uma boneca, delicada como uma pena. Sempre freqüentou as melhores escolas, viajava pelo mundo e, mesmo com pouca idade, já conhecia lugares que experiência nenhuma poderia levar alguém comum, coisa que Marcela definitivamente não era.
Sua mãe, Regina, fazia jus ao nome que impunha. Era uma rainha, dentro e fora de seus aposentos. No trabalho, era editora de uma importante revista de variedades. Em casa, uma mãe zelosa e carinhosa, além de patroa exigente, mas nunca injusta. Seu pai, o grande Vitor Castanho, um magnata da comunicação, dono da editora onde sua esposa trabalhava e brilhava, por mérito próprio, que fique claro. Mas fracassava ao sair de seu escritório e desligar o computador. Como pai, tentava ser presente, e talvez somente por isso merecesse os créditos de Marcela. Como marido, pouco fazia para evitar que seu casamento desmoronasse. Na verdade, pouco ele poderia fazer. Mas nem isso.
Aquela jovem, uma criança, já tinha visto e entendido o suficiente, o casamento dos pais estava terminando, mas ela não via alternativas, nem meios de ajudar a unir o casal. Mal sabia que ela era o próprio último fio da corda que unia Regina e Vitor. Os últimos dos mais de 20 anos de casamento dos dois vinham sendo os piores das vidas de toda a família, que se via obrigada a sorrir para as capas de revista, mesmo sangrando por dentro. Discussões graves, ameaças de agressão física, reais agressões verbais e psicológicas, não havia mais respeito, não havia mais saudade. Porém eles ainda estavam juntos e, enquanto isso, sempre haveria chance de, quem sabe, esse casamento fosse resgatado. E um evento que reunisse toda a família poderia ser o estopim dessa ressurreição.
Marcela estava prestes a completar 15 anos, um momento especial para qualquer garota, ainda mais para ela, que via no seu aniversário a chance mais real de sua vida de conseguir colar os cacos de seus pais. Não conversava sobre outra coisa, tratou de criar a festa dos sonhos, com direito a tudo e até mais, como sempre desejou. E isso de fato surtiu efeito. Vitor e Regina se reaproximaram, o amor que sentiam e por eles também era sentido por Marcela fez a indiferença sumir, dando espaço a um carinho que os dois há muito não se permitiam trocar entre eles. Fizeram o que de mais lindo conseguiram pela sua filha, a noite tinha que ser perfeita. E chegou a grande noite!

Um comentário:

Helena Diniz' disse...

neeeeeenis posta mais *-*