sexta-feira, 19 de novembro de 2010

15 anos - final

- Fala, Vitor? A Fernanda... Ela tem algo a ver com isso? Fala!
Então, Vitor contou tudo:
- Nem sei como começar... Ela apareceu na minha vida quando nada estava dando certo, e me cativou. Não pude evitar, foi forte, e eu estava fraco. Ela me entendia... Me acalmava, me confortava...
Enojada com o que acabava de ouvir, Regina exclamou:
- Vitor... Você é ainda menor do que eu imaginei, você é pior do que ela...
- Eu ainda não terminei, Regina! Me deixa terminar, não posso mais guardar isso em mim. Então... A Fernanda me propôs essa idéia, de sumir, de “morrer” e nascer de novo, como uma outra pessoa... Renascer! Era disso que eu estava precisando... Eu estava cego de fracasso, nos negócios, na família... Não via outra saída a não ser essa! Fomos embora, passamos um tempo fora do país, com uma identidade falsa... Antenor Moreira... O plano estava dando certo, mas ninguém sabe o quanto eu quis recuar, mas isso só faria vocês sofrerem ainda mais... O tanto quanto eu também sofri. A Fernanda me roubou, me deixou sem nada na Argentina, eu estava arruinado, eu Vitor e eu Antenor, sem dinheiro, sem identidade, sem vida...
Regina interrompeu:
- E sem caráter. Vitor, você... Eu vivi mais de vinte anos com um estranho... Eu me casei com um covarde, com um egoísta... Meu Deus, meu Deus, como eu tentei salvar a gente, Vitor, como eu tentei... Você e a sua covardia acabaram com a minha vida... Eu me culpei por todo esse tempo pela sua morte, como eu chorei... E a Marcela? Sabe? Sua filha? Ela está aqui ao lado, em uma cela, uma CELA! Presa, sem mais nada, destroçada... Você, Vitor, não matou a si mesmo. Você matou a nós três. Hoje eu consigo entender... Você é pior do que aquela vagabunda da Fernanda... O seu caráter é aquilo que te dizem pra fazer, então você é menor, vale menos do que ela... Dela eu sinto pena, mas de você, Vitor Castanho... Nem isso!
As lágrimas de Regina provocavam as de Vitor que apenas ensaiava dizer algo, balbuciava:
- Eu não mereço perdão, o que eu fiz foi monstruoso, eu sei, não mereço piedade, mas... Talvez um dia você me escute. Talvez...
Sem mais agüentar tamanho rasgo ensangüentado em seu coração, Regina falou a Vitor aquelas que seriam suas últimas palavras a ele:
- Vitor, não haverá mais “um dia” entre nós. Naquele enterro, aquela terra cobriu o que eu sentia por você, e o que sobrou foi hoje. Você pra mim não existe mais, Vitor. Nem pra mim, nem pra Marcela. Aquela festa de 15 anos, aquela noite, foi a primeira das últimas que você estragou nas nossas vidas... E, se você ainda puder fazer algo por nós, morra. Morra de verdade. Vitor, Antenor, quem quer que você seja. O que quer que você seja. Morra!
E nunca mais voltou.
(Hoje, 5 anos depois, Regina está noiva, voltou a sorrir, voltou a viver. De Vitor nunca mais se ouviu falar... E Marcela, hoje uma mulher, comemora mais um ano de vida, em sua casa, com seus amigos, com sua família de verdade. Hoje é feliz, mesmo ainda machucada por um sonho que nunca realizou: sua festa de 15 anos).


FIM


Um comentário:

Mayara Costa disse...

'' aquela terra cobriu o que eu sentia por você, e o que sobrou foi hoje.''
Adorei, adorei, adorei!
Parabéns pelo teu talento, Gu! <3