sábado, 30 de outubro de 2010

Quatro em um

Nesse domingo lá vamos nós outra vez para as urnas, com a responsabilidade maior do que imaginamos, de tentar fazer uma boa escolha. Ou, pelo menos, acabar com o martírio de passar meses tentando encontrar o candidato menos pior. Sim, porque acho que muitos de vocês irão concordar que essas eleições ficarão marcadas pelos próximos anos como a mais chata desde a redemocratização. Chata não apenas por nos oferecer figuras com pouco ou quase nenhum carisma, o que se agrava pelo fato do nosso próximo mandatário ser o sucessor de um presidente aprovado por quase 80% da população desse país. Estatísticas provam isso. Mas essa campanha foi essencialmente desinteressante por ser, durante todo o seu decorrer, um ringue, onde os candidatos com culpa no cartório se atacavam e o eleitor, coitado, apenas assistia a debates rasos de políticos que pouco mostravam de propostas. Mas quem liga pra propostas, mesmo?!
Nós. Tanto ligamos que, do segundo turno, esperávamos que os candidatos à Presidência – e ao governo do Estado, aqui – fossem usar o tempo que os era concedido para, de fato, nos esclarecer e assumir compromissos. Mas o que vimos? Mais do mesmo. Infelizmente, acredito que a segunda etapa dessas eleições conseguiu levar a disputa a um nível ainda mais baixo do que a anterior. Acho que os marqueteiros disseram algo do tipo aos seus pupilos: “olha só, essa eleição tá chata, o povo quer ver mais emoção”. E desde quando é necessário usar de expressões chulas, bate-bocas e bolas de papel para conseguir prender o eleitor? Bastava sinceridade, empenho e RESPONSABILIDADE por parte da campanha. Quem quer ver puxão de cabelo, que ligue a TV na novela das oito, e não no que vem antes dela.
Se você não se deu conta disso AINDA, nesse domingo nós iremos nos tornar os culpados pelos próximos quatro anos desse país, é um dia que valerá por mais de 1400. O seu voto, seja em quem for, vai ajudar a decidir se a mudança vai ser pequena ou grande no cenário político do Brasil. Sim, pois algo vai mudar. Não temos mais o sindicalista da esperança como opção, e a sua representante passa bem longe disso. Bem como o seu oponente, que traz consigo o fantasma azul das privatizações... Ô carma! E nem mesmo você, que pensa em votar em branco ou nulo, está livre das conseqüências. A não ser que você pegue seu ônibus de volta pra Marte depois de votar, você vai continuar morando na mesma rua esburacada e sem saneamento nem luz, na mesma cidade perigosa e suja, usando o mesmo transporte público falho. Então o seu direito de cobrar dos superiores por melhorias na qualidade de vida não se anula quando você não vê os sorrisos amarelos, vermelhos ou azuis na urna eletrônica.
São os próximos quatro anos que estarão pesando no seu dedo ao apertar o botão verde da urna. Uma decisão que vai mudar os rumos do país, do estado, da sua vida. Mesmo que você se recuse a notar. Quatro anos decididos em uma campanha enfadonha, antipática e vazia, de debates vazios, de ataques que atingiram bem mais os eleitores que esperavam algo mais. Quatro anos, que podem virar oito. Quatro anos em um voto. Talvez eu não saiba, nem você saiba, mas nesse domingo o Brasil vai escolher o caminho que irá seguir, com cuidado para não cair da escada.
E... Sim, eleição não combina com feriadão!

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