quinta-feira, 21 de outubro de 2010

É ela

Mais brilhante que os raios do sol, arrepia feito a brisa de uma noite fria de luar. Encanta, fascina, alucina. Quem é ela, essa obra de arte lapidada por Deus com estacas de bronze, o bronze de uma pele aveludada, suave, onde nossos olhos e dedos deslizam sem barreiras? Quem é essa flor tão rubra, tão sedutora, a ponto de nos nocautear com seu perfume de raro poder?       Quem é essa vitrine ambulante de charme e elegância, capaz de parar o trânsito com seus livres pensamentos? Quem é ela?
Um rosto angelical, ao mesmo tempo fatal. Olhos de sedução despretensiosa, amarelos como faróis, holofotes, que anunciam a chegada de um furacão, sutil e avassalador. Um nariz que se encaixa na escultura, como se não existisse, sem atrapalhar um milímetro da apreciação alheia. E a boca, grande, vermelha, lábios de perigo, onde mergulhar é uma aventura, que nenhum risco consegue melindrar. Junte-se a tudo isso os cabelos que se misturam ao vento, leves, brilhantes, plumas de um pavão vistoso, belo e imponente perante qualquer outro.
Como desbravadores em meio a uma paisagem linda e insólita, nossos olhos brincam de conhecer aquele corpo, peça única, onde os ombros compõem uma sintonia perfeita com quadris e todas as suas curvas, sinuosas, curiosas. Entre seus seios conseguimos descobrir o calor de uma cama acolhedora e egoísta, por caminhos que nos refrescam e nos instigam, fazendo pensar. Pensar e esquecer que o mundo lá fora é frio. E o passeio não para, por sua pele com cor de pecado, com cheiro e sabor de pecado. Sabor esse que não precisa de língua para ser provado e adorado.
Como pode a perfeição existir e estar tão perto, tão longe? Em meio aos devaneios de pensar que um dia podemos possuí-la, voamos, para dentro de seus desejos e, mesmo não tendo seu coração, o que vale é que a temos nos nossos. No coração, no sangue, na cabeça. Ela não anda, desfila. Ela não fala, ela recita a lira mais leve. Ela não respira, ela inspira. Inspira. Inspira... Nos, homens, somos eternamente gratos por tanta inspiração. Quem é ela? Não sei, mas se não souber, me contento em ser um contente espectador de tal beleza que não pede nada para existir. Apenas me faz, nos faz existir.

Um comentário:

Descanso da Alma disse...

Cara ler este teu texto ouvindo o Ivan Lins e a música Passarela do ar, faz com que ele tenha uma leveza e o desenho perfeito desta mulher, que ao mesmo tempo é ansia e desejo, como assombro momento. Onde achá-la?

Belo texto.