terça-feira, 5 de outubro de 2010

Aquarela de Domingo

Em uma tela branca, feito as nuvens que amanhecem nos céus de Belém no Segundo Domingo, muitos pintores ajudam a pintar a aquarela mais pura, mais sincera, mais bonita do que as mais bonitas, dignas de apreciação eterna. Ou, pelo menos, que durem até o próximo ano. Uma aquarela de emoções, de força, de esperança.
Qual a primeira pincelada dessa obra-prima? É a de um azul vívido, que vira laranja, até chegar ao amarelo. Amarelo de sol, o sol que nasce sempre, mas que, no Segundo Domingo, resolve nascer mais intenso, desafiador, como se fosse um guia, para aqueles que sob ele vão caminhar. Aliás, são muitos, os que continuam a pincelar o dia Dela, pincelando ainda de amarelo, mas um amarelo diferente. Um amarelo-corda, que acaba se tornando uma só cor.
Uma mistura, certa e inevitável. Graças a Deus. Preto, branco, marrom, verde, azul, vermelho... Vermelho de sangue, de força, a cor da paixão. Pela Imagem que estão ajudando a levar para casa. Pela promessa que os fizeram chegar até ali. Pela vida, vermelho-vida, a qual devemos muito, sempre. Pinceladas de verde, tão verde, aquele que quer dizer... Esperança. Esperança em um país melhor, em uma cidade melhor, em uma vida melhor, em um dia melhor. Não há dias melhores do que esses Segundos Domingos, que começam domingos antes.
E aquele azul vai ficando mais intenso, mais celeste, trilhando nossos caminhos como se fossem nuvens... Brancas, leves, confortáveis. Mesmo com o preto do asfalto quente, duro, ríspido, os pés levitam nessa aquarela, tão bela! Tinta roxa? Não estranhem, é açaí. E com ele ainda vem mais um verde da maniva, mais amarelo do tacacá...
O rastro dos carros dos anjos, os passos dos milhões, a corda, o brilho dourado da Berlinda. Ouro! Nossas almas viram ouro, nosso corpo se enriquece de alegria e de paz. Paz branca, preta, verde, amarela. Todas essas são apenas algumas das cores que os nossos pinceis espalham, deslizantes, flutuantes, sobre uma tela que, outubro após outubro, fazemos questão de recolorir. Com as mãos, com os pés, com o coração. E assim está pronta a aquarela de todo um Segundo Domingo: a aquarela da fé!

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